Uncanny X-Force – A Solução Apocalipse, de Rick Remender, Jerome Opeña e Dean White

Uncanny X-Force
A Solução Apocalipse colige duas aventuras dos torturados heróis mutantes de Uncanny X-Force, onde Rick Remender explora bem as premissas moralmente dúbias desta equipa.

A proposta de comics Marvel vinda da G.Floy promete ser uma sessão dupla, coligindo duas aventuras de Uncanny X-Force. Acaba por ir mais longe, oferecendo aos leitores uma inesperada terceira história. Em comum têm a acção num registo grimdark. Esta equipe de mutantes reúne os mais torturados e violentos X-Men, executado o tipo de missões que seriam impossíveis aos heróis mais convencionais.

Os Fins Justificam os Meios?

Heróis moralmente ambíguos, com marcas de passados violentos e turbulentos, são capazes de tomar decisões difíceis e executar acções que estão para lá da fronteira entre o bem e o mal. O grupo é pragmático, deixando de lado idealismos para aplicar força imparável nas suas missões. O seu moralismo é dúbio e assenta na premissa que os fins justificam os meios.

Em A Solução Apocalipse, é precisa uma equipe especialmente implacável para lidar com a maior ameaça que sempre pairou sobre mutantes e humanos. Indícios investigados pelo inqualificável Deadpool mostram que, sob as areias do deserto egípcio, um grupo de acólitos de Apocalipse se prepara para reencarnar En Sabah Nur, e com isso trazer uma nova Era do Apocalipse. É preciso atacar sem quartel nem hesitações, e o grupo constuído por Wolverine, Psylocke, Anjo/Arcanjo, Deadpool e Fantomex é o único capaz de o fazer com extrema ferocidade.

A caça ao reencarnado irá levá-los à superfície lunar, sob a qual se oculta uma nave inteligente que alberga os acólitos, e a enfrentar os novos cavaleiros de Apocalise, proto-mutantes trazidos de diversas eras temporais para servirem de arautos de En Sabah Nur. Não será uma tarefa fácil, e os poderes combinados da X-Force mal conseguem travar a ameaça. Resta a capacidade de distorção da percepção do real de Fantomex para abrir uma brecha nas defesas de Apocalipse, mas a equipa terá de enfrentar um dilema final.

Protegido pelos acólitos, o todo-poderoso Apocalipse ainda é uma criança, sem memória de quem é ou conhecimento dos seus poderes. Por violentos ou endurecidos pelos combates que travaram ao longo da vida que sejam estes X-Force, assassinar uma criança é uma linha que não conseguem cruzar, mesmo que estejam perante o torcionário do futuro da humanidade e dos mutantes. Apenas um será capaz de tomar a decisão fatal, que eliminará a ameaça de uma nova era de Apocalipse.

Redenção pela Violência

Em jeito de entretenimento de intervalo entre duas aventuras, os X-Force têm de enfrentar alguns dos mais clássicos inimigos dos X-Men. Em Reavers, os que restam dos Reavers estão a congeminar um ataque suicida à ilha de Utopia, liderados por Lady Deathstrike. É uma oportunidade para ajustes de contas. Se a rivalidade entre Lady Deathstrike e Wolverine é mortífera, Psylocke cede ao prazer de caçar com extremo prejuízo aqueles que, no passado, a torturaram e tentaram transformar numa cyborg.

O misterioso Fantomex tem um artefacto especial entre os seus segredos: o mundo, espaço de tempo acelerado para formação dos operacionais dos programas Arma X, que o herói mantém miniaturizado para não cair em mãos nefastas. Irá enfrentar uma invasão de heróis-cyborg vindos de um outro universo, onde os super-heróis foram convertidos em homens-máquina, comandados por inteligências artificiais submetidas à vontade de um líder que se esconde dentro do mini-mundo guardado por Fantomex. Para se defender, este terá a ajuda inusitada do cyborg original, Deathlok, ao qual se juntarão os companheiros da equipa X-Force para aniquilar esta ameaça à sua realidade. Nação Deathlok é uma redução ao absurdo cheia de cyborgs super-poderosos.

Explorar a Estética das Trevas

O argumentista Rick Remender, que nas suas séries a solo para a Image tem tendência para começar muito bem mas depois cair em marasmos narrativos, explora com cuidado a premissa dos X-Force. Sublinha o lado torturado das personagens, mostrando que se agem de forma moralmente dúbia, é porque o seu passado traumático lhes ensinou que endurecer é a melhor forma de sobreviver. Esta linha conceptual mantém-se ao longo das histórias, que são explosões de acção pura e imparável. Diga-se que com este alinhamento de personagens, outra coisa não seria de esperar. Não se mete Wolverine, Psylocke ou Deadpool no mesmo saco para contar histórias bucólicas.

O trabalho de traço e cor dos ilustradores que acompanham Remender neste volume mantém a estética conceptual dos argumentos. As paletas de cores são escuras, os traços agrestes, os enquadramentos dinâmicos e agressivos. Tudo sublinha o caráter grimdark destes personagens, a sua moralidade questionável, e os mergulhos no lado mais negro do universo Marvel.

O saldo final é positivo. É um comic divertido, cheio de acção, bem escrito e ilustrado. Uma dose perfeita de escapismo mutante, para enfrentar as tardes cinzentas destes dias de chuva.

Uncanny X-Force: A Solução Apocalipse

Autores: Rick Remender, Chris Sotomayor, Dean White, Esad Ribic, Jerome Opeña, John Lucas, Leonardo Manco,Matthew Wilson, Rafael Albuquerque
Editora: G.Floy
Páginas: 224, capa dura
PVP: 16,99 €

8 Argumento

9 Planificação

5 Temática

7 Desenho

7 Arte-Final

7 Cor

6 Legendagem

8 Produção

A Solução Apocalipse colige duas aventuras dos torturados heróis mutantes de Uncanny X-Force, onde Rick Remender explora bem as premissas moralmente dúbias desta equipa.

7.1
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