Super-heróis da História de Portugal

Super-heróis da BD de Portugal

Depois do jornal Público e da revista Visão, é a vez do jornal Correio da Manhã promover a banda desenhada com a sua edição, apresentando a coleção Super-Heróis da História de Portugal, de Artur Correia e António Gomes de Almeida.

Super-Heróis da História de Portugal foi inicialmente publicado no formato de álbum, tendo sido distinguido no Amadora BD com o Prémio Nacional de Banda Desenhada para o Melhor Álbum Português. Recolhia as diversas biografias, agora lançadas como fascículos individualizados, de figuras históricas, no registo humorístico de Artur Correia e António Gomes de Almeida. A dupla de autores apostou, com merecido êxito, na fórmula da “História Alegre de Portugal”, com que, uns anos antes, surpreendera o mercado.

A referida fórmula, que combina a BD humorística com a BD histórica, é um verdadeiro ovo de Colombo na BD portuguesa, que durante algum tempo e incentivada por alguns críticos, pretendeu passar de um período em que a grande identidade da banda desenhada portuguesa era afirmada pela narrativa histórico-documental ou pela adaptação literária, para um período de BD de autor, sem qualquer esforço de ligação ou continuidade. Naturalmente, a ofensiva fracassou, pois não havia veículo que permitisse a descoberta da BD de autor por parte do grande público (apesar da iniciativa dos festivais, que ainda permitiu a afirmação de alguns autores). A Historia Alegre de Portugal demonstrou um veículo possível, apelativo para o grande público e para o leitor de BD, e assentando já na perspectiva subjectiva, sem deixar de ser um trabalho de um especialista com o currículo e o talento de Artur Correia (nunca estando em causa o elevado mérito e profissionalismo de António Gomes de Almeida).

Artur Correia é um dos nomes maiores da BD humorística portuguesa. Começou a publicar banda desenhada na revista O Papagaio, em 1948, seguindo-se a publicação noutros jornais, revistas e fanzines (Camarada, Cavaleiro Andante e seu suplemento O Pajem, Norte Infantil, Fagulha, Pisca–Pisca, Fungagá da Bicharada, Almanaque O Mosquito, Banda, Shock, Almada B.D. Fanzine, etc.). Entre os álbuns publicados, para além dos já referidos, destacam-se as Aventuras de D. João e Cebolinha, as Histórias da Avozinha, as histórias dos principais clubes de futebol na colecção Era Uma Vez (com argumentos de Manuel Dias), e O País dos Cágados, também com António Gomes de Almeida, inicialmente auto-editado. A partir de 1965, começa também a dedicar-se ao cinema de animação, recebendo prémios em Veneza, Annecy, Lugano, Cannes ou Hollywood.

António Gomes de Almeida tem uma longa carreira como chefe de redação, diretor de jornais, publicitário (é o criador do grito “Aquela máquina!” da Regisconta), cronista, escritor e argumentista de BD.

Ambos os autores já foram distinguidos com o Prémio de Honra da Amadora.

Sobre o atual momento em que se recupera a divulgação da banda desenhada através dos jornais e revistas, vale a pena recuperar um texto de António Gomes de Almeida, publicado em 1982 no Magazine Regisconta, substituindo a palavra “publicidade” por “BD”, e substituindo as “agências” pelas “editoras”, os “clientes” pelos “leitores”, e as “empresas” por estes novos agentes (como os jornais e revistas) que aparecem no panorama da BD portuguesa: “

Só que a crise económica mundial estava à porta (…). íi, foi a grande queda. Muitas agências fecharam ou, pelo menos, fecharam se… em copas. Os clientes retiraram as verbas que tinham destinado às grandes campanhas, e muitos publicitários tiveram que procurar outra vida. Foi a época do big disparate, em que era moda dizer mal da Publicidade, chamar lhe nomes feios e atribuir lhe boa parte dos males que desabaram sobre a Humanidade. Foram tempos negros para todos os publicitários desta terra especialmente para aqueles que, apesar de tudo, iam tentando ganhar honestamente a sua vida, e vendo como, lá fora, a sua profissão era cada vez mais prestigiada (…). Depois, a pouco e pouco, os detractores da Publicidade começaram a reparar que, afinal, até precisavam dela para atingirem os seus objectivos de divulgação e promoção. (…) E assim chegámos aos dias de hoje, em que as coisas não estão muito diferentes do que eram há anos atrás. As grandes agências voltaram (talvez não as mesmas, mas voltaram). Os Publicitários voltaram a ter prestígio. (…)

Daí que a Publicidade esteja, de novo, numa “boa”. Talvez bastante mais consciente do seu papel, depois do “susto” que apanhou. Mas em alta progressão. Pagam-se bons ordenados a quem tenha boas ideias, coisa rara, como sempre. E a nova alta da Publicidade dá se, não só através do trabalho nas Agências, mas também da actividade desenvolvida nas Empresas, através dos seus Departamentos de Publicidade próprios. Como é o caso da Regisconta. O valor da Publicidade está, pois reconhecido universalmente, sob todos os regimes e em todos os quadrantes. Passou vitoriosamente todas as crises. Vive.”

Por “pagam-se bons ordenados” entenda-se, no que respeita à BD, “publicam-se”.

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