Son Goku no Palco com Blasted Mechanism no público

Terminaram dois dias de fantasia japonesa no IberAnime LX2004, onde até os Lords Sith, os heróis da Marvel e DC e os patos da Disney compareceram

Se no sábado ao entrarmos na Sala Moche da Meo Arena, tinhamos algumas revistas da Comix e da BGamer, no Domingo o número de revistas da Goody aumentou exponencialmente com umas dezenas de revistas da Comix 45 para oferta. O que é que Disney tem a ver com o Japão? “É mangá americana” – foi a resposta pronta da organização, embora tecnicamente incorrecta – as revistas apresentam material italiano – não deixa de ser verdade. Mangá não é mais do que um termo para Banda Desenhada, sendo esta um parte integrante da cultura Japonesa, e cada vez mais da cultura ocidental.

O foco do Ibernanime é o Japão e a cultura japonesa, mas verdade é que existem diversas actividades sem qualquer relação directa com o Japão, como board games, First Lego League ou torneiros de Magic: The Gathering. Cada vez mais o IberAnime se assemelha a uma feira de cultura popular, geek ou nerd – o que lhe preferirem chamar – como as denominadas Comic Con, com a particularidade de ser focado na cultura japonesa, o que não invalida a presença de fãs de outras culturas como era evidente nos cosplays presentes.

Apesar de serem uma minoria, também por lá havia cosplays de Star Wars, Marvel, DC, e até um de Blasted Mechanism, a banda portuguesa que sempre teve afinidades com a cultura japonesa no seu imaginário cenográfico e até em letras como I Believe, e que em breve passará a ter ainda mais.

Foram reveladas no IberAnime LX2014 as primeiras imagens de “Blasted Manga” um projecto que a banda está a desenvolver com a Banzai Team, em que o imaginário que os Blasted Mechanism tem vindo a desenvolver em palco, video e musicalmente ao longo das últimas décadas é transposto para o papel.

Foram da responsabilidade da Banzai Team alguns dos workshops dedicados à Banda Desenhada – ou se preferirem: mangá! – que se foram desenrolando durante os dois dias do IberAnime. No domingo, um workshop de “Argumento e layout”, que não conseguiu atrair tanto público como o de “Introdução ao Desenho Manga” que, no sábado, levou uma centena de pessoas ao auditório, que tem uma lotação de 95 lugares sentados, e mais uns 15 em pé.

“Foram dois dias de fantasia”
O público do IberAnime não se restringe aos “maluquinhos do anime”, como alguns acreditam, mas também existe um público que gosta de mangá. Embora como preponderância de fãs de anime – como em todos os eventos do género – que não será de estranhar, porque em Portugal há décadas que existem séries de anime a ser transmitidas nos canais nacionais, enquanto as edições de mangá são poucas. Aliás, a única editora de mangá a funcionar a nível nacional actualmente é a Devir, que não deixou de marcar presença. Levando também outras edições de BD ocidental, e não terá sido por considerar que iria vender tanto Blankets como Naruto. Existem públicos que se cruzam, outros que podem descobrir outros trabalhos: as compartimentarizações de públicos não são tão definidas como alguns gostam de fazer crer. Walking Dead – outra obra editada pela Devir – já chegou ter direito a cosplay em outras edições do IberAnime. Obviamente, existem locais onde certo tipo de produtos terá sempre mais saída que outros, em virtude do público que os frequenta.

A nível de lojas de BD, estavam representadas a Casa da BD e a Kingpin Books, que são presença habitual em eventos de Anime e Mangá.

A animação portuguesa esteve representada por Marta Lebre, que para além do seu stand de ilustradora também ministrou um workshop de Animação, assim como a entidade formadora ETIC, que também tinha stand e organizou workshops de animação, área que faz parte da sua da sua oferta formativa.

A estrela do dia foi o cantor japonês, Hironobu Kageyama, responsável pelas músicas dos genéricos japoneses de Dragon Ball e Saint Seya, que lotou o palco principal até não haver espaço. A actuação do hiper-activo cantor terminou com cosplayers, que tinham participado no Torneio de Dragon Ball, em palco a fazer um “Kamehameha” para delirio do público presente. Podem rir à vontade, que isto é mesmo para rir! É mero entretenimento, não é arte profunda que pretende analisar a problemáticas da existência humana, é só entretenimento que pretende divertir quem o faz e quem o vê.

E entretenimento foi o que não faltou no IberAnime, com as suas múltiplas actividades como as várias sessões de Para Para Dance, a última das quais no encerramento do evento, com o apresentador, Ricardo Ferreira, a resumir o evento com um simples: “Foram dois dias de fantasia” e marcando novo encontro no próximo IberAnime, em Outubro, no Porto.

Nota: Por motivos alheios à gerência, este texto acabou por sair um pouco mais tarde do que o previsto, pelo que pedimos desculpa, e garantimos que ainda existem mais uns textos a saírem nos próximos dias, assim como fotos de cosplay, muito cosplay, que havia em quantidade e qualidade.

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