SINtra, de Tiago Cruz e Inês Garcia

SINtra
Sob a cobertura da noite, seres amaldiçoados percorrem o arvoredo em busca de vítimas inocentes, procurando alimento para os seus demónios.

Uma das mais recentes edições da Escorpião Azul, SINtra leva-nos a descobrir os mistérios tenebrosos que se ocultam sob a floresta de uma serra mais conhecida pelo seu lado bucólico.

Perdidos na noite de SINtra

Um casal sofre um acidente num caminho remoto da serra de Sintra. Com o carro desfeito na noite serrana, irão viver uma aventura aterrorizante. Ele cruza-se com uma jovem rapariga que o leva à sua casa, habitada pela mãe e suas duas irmãs. Lá, irá enfrentar uma força demoníaca, frente a uma família fantasmagórica que encontrou a imortalidade através de uma maldição, oscilando entre o humano e o animalesco. Ela, perdida na noite, aceita ajuda de um velhote simpático, que se revelerá igualmente monstruoso e parte integrante da família que assombra o Casal das Três Marias, solar oculto sob as brumas da floresta. Não há fuga e redenção, apenas morte violenta, com as vitimas inexoravelmente atraídas para uma teia cada vez mais profunda.

Entre as Tradições e o Terror

Pegando nalguns elementos da tradição local de Sintra, cruzados com monstros inspirados na fauna da serra, Tiago Cruz e Inês Garcia criam em SINtra uma muito eficaz e implacável história de terror. O ritmo narrativo é sufocante, com uma progressão imparável em progressivas profundezas do horror. A ilustração acompanha muito bem o passo da história. A princípio, o traço expressionista de Inês Garcia custa a causar boa impressão, mas há medida que a narrativa progride vai-se tornando cada vez mais eficaz no invocar do espírito de terror puro que caracteriza este livro. O negro é omnipresente, numa história feita de trevas, onde as criaturas que se ocultam na noite têm rédea solta. As criaturas em que a família se metamorfoseia são apropriadamente horrendas, num choque entre o humano e o animalesco que invoca a iconografia do terror clássico com toques de body horror que não ficariam nada mal num filme de Cronenberg.

Dos lançamentos mais recentes da Escorpião Azul, este SINtra surpreende. Com uma história bem contada, que agarra o leitor, e um grafismo marcante, bem desenvolvido, é uma das mais interessantes propostas de uma editora que está a dar voz aos novos talentos da banda desenhada portuguesa.

SINtra

Autores: Tiago Cruz, Inês Garcia
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 128, capa mole
PVP: 13 €

7 Argumento

6 Planificação

5 Temática

7 Desenho

7 Arte Final

7 Cor

6 Legendagem

7 Produção

Dos lançamentos mais recentes da Escorpião Azul, este SINtra surpreende. Com uma história bem contada, que agarra o leitor, e um grafismo marcante, bem desenvolvido, é uma das mais interessantes propostas de uma editora que está a dar voz aos novos talentos da banda desenhada portuguesa.

6.5
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