Sidney Gusman e outras Turmas da Mônica

Uma entrevista por Pedro Moura

Ouro da CasaSidney Gusman é jornalista de formação, e tem uma larga experiência no mundo editorial da banda desenhada no Brasil. Desde 2006 que é responsável pelo ‘planejamento editorial’ da Mauricio de Sousa Produções, na qual, mais recentemente, foi o mentor de alguns projectos que angariaram uma larga atenção mediática e crítica, e que podemos chamar de ‘reformulações autorais’ das personagens da «Turma da Mônica».

Depois das três antologias «MSP», que reuniram 150 autores brasileiros a providenciar histórias curtas e/ou ilustrações das suas versões das personagens de Mauricio, seguiu-se «Ouro da Casa», que seguia os mesmos princípios mas apresentava material criado pelos próprios funcionários da MSP, seguindo os seus próprios estilos pessoais e assinando o trabalho. E finalmente surgiria o lançamento da linha «Graphic MSP», que consiste numa série de ‘graphic novels’, nas quais autores contemporâneos brasileiros criarão histórias com as personagens da «Turma» em versões para um público mais maduro e com um tratamento gráfico mais sofisticado. Tendo sido publicados quatro volumes até à data, prevê-se uma nova fornada em 2014.

Apesar da sua agenda preenchidíssima, Sidney Gusman foi muito generoso com o seu tempo e disponibilizou-se a responder a algumas questões em torno destes projectos.
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ALBUNS_MSP50

Pedro Moura: O Sidney Gusman é quem trata do “planejamento editorial” da Maurício de Sousa Produções/Editora há alguns anos. Em que é que consiste esse papel?

Sidney Gusman: Em editar todos os livros (não me refiro às BDs, mas a livros ilustrados) que saem da MSP (hoje são de 80 a 100 por ano) e criar novos produtos para a área de quadrinhos, mas mais voltados ao público infanto-juvenil e adulto, como a trilogia MSP 50, «Ouro da Casa» e o selo Graphic MSP.

Quer o projecto “MSP 50” (com 4 volumes até à data) e o “Graphic MSP” (também 4) nasceram como parte da comemoração dos 50 anos de todo o Universo da «Turma da Mônica», iniciado em 1963 na «Folha de São Paulo». Foi o Sidney o mentor de ambos os projectos. Pode-nos contar um pouco sobre a génese destas duas linhas de desenvolvimento? Como é que surgiu a ideia, como foi lançar os desafios aos autores, como tem sido a sua recepção? 

A história do projeto «MSP 50» marcou minha carreira.

Os autores todos queriam mostrar seu carinho pelo Mauricio. E os fãs sempre imaginaram ver os personagens em outros traços
Em toda data redonda do Mauricio ou da Mônica, a MSP fazia edições comemorativas muito legais, mas basicamente compilando material já lançado. Eu queria que o mercado prestasse uma homenagem aos 50 anos de carreira do Mauricio, em 2009. Cheguei pro Maurício e apresentei a ideia. Ele deu uma reclinada na cadeira e falou: “Você vai cuidar bem dos meus filhos?”. “Como se fossem meus”, respondi. Aí, comecei a fazer a seleção dos escolhidos e o resto é história.

Os três «MSP 50» se tornaram a maior vitrine de autores das HQs nacionais nas últimas décadas. Assim, usei a força do Mauricio para apresentar essas feras que produzem Brasil afora e, ao mesmo tempo, prestamos uma das mais legais homenagens que um autor de quadrinhos recebeu em vida.

E não tem preço ver a alegria do Maurício com essas releituras.

O que mais ouvi desde 2009, quando saiu o primeiro «MSP 50», é: “Como ninguém pensou nisso antes?”. Não sei, mas sorte que fui eu. O projeto tinha tudo para dar certo. Eu escolhi os autores a dedo, garantindo sempre a diversidade de estilos e gente de diversos pontos do País. Os autores todos queriam mostrar seu carinho pelo Mauricio. E os fãs sempre imaginaram ver os personagens em outros traços. O resultado foi esse sucesso incrível.

E o prolongamento desse projeto já começou em 2012, com a linha Graphic MSP, que já teve quatro álbuns lançados com enorme (mesmo) sucesso de público e crítica: «Astronauta – Magnetar», de Danilo Beyruth, «Turma da Mônica – Laços», de Vitor e Lu Cafaggi, «Chico Bento – Pavor Espaciar», do Gustavo Duarte, e «Piteco – Ingá», feita pelo paraibano Shiko!

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