Razões para visitar o AmadoraBD 2014: Mafalda

Recupero o artigo que escrevi para o catálogo da edição de 2003 do festival. Na altura, a presença de Quino na Amadora chegou a estar confirmada, mas, infelizmente, um imprevisto de última hora impossibilitou que o autor estivesse no AmadoraBD. Para este ano, anuncia-se uma exposição comemorativa dos 50 anos da personagem Mafalda, em que o trabalho de cenografia da Amadora pode fazer a diferença face a outras homenagens, como a que ocorreu em Angoulême.

Filho de pais espanhóis, Joaquin Salvador Lavado, dito QUINO, nasceu em Mendoza, Argentina, a 17 de Julho de 1932. Frequenta a Academia de Belas Artes de Mendoza. É na segunda investida que faz a Buenos Aires que é bem sucedido. Desde 1954, numa altura em que frequentava o Instituto de Arte de Buenos Aires, que publica cartoons, inicialmente em revistas como Esto Es, Avivato, Qué, Leoplan, Via Vicenta, Vea y Lea, Cuatro Patas, Rico Tipo, Atlantida ou Siete Días. Os seus cartoons são republicados em livros como Mundo Quino, ou Não me Grite!.

Em 1963, a agência de publicidade Agens encomendou-lhe um trabalho de publicidade. Precisavam de uma tira cómica para inserir como publicidade oculta num jornal diário, para promoção de uma linha de electrodomésticos. Seria uma história com uma típica família da classe média, com crianças. Os electrodomésticos seriam lançados com o nome Mansfield, pelo que Quino resolveu baptizar a criancinha da tira com um nome começado por M. Do romance Dar la Cara, de David Viñas, retirou o nome Mafalda. Mas a Agens não chegou a acordo com o diário Clarín, e, por razões diversas, os electrodomésticos Mansfield não chegaram ao mercado.

Quino publicou três tiras em Gregório (suplemento da revista Leoplán), sendo que em nenhuma aparecia Mafalda. Em 1964, a tira Mafalda surgiu no Primera Plana, o mais prestigiado semanário argentino, e aí foi publicada entre 29 de Setembro de 1964 e 9 de Março de 1965, altura em que Quino descobre que o jornal entendia as tiras como propriedade do Primera Plana. É neste período que surge o Filipe.

Após a ruptura com o Primera Plana, ainda em Março de 1965, Mafalda passa para o jornal El Mundo. O novo jornal da série apresenta uma diferença substancial em relação ao anterior: é um diário. Publicando uma tira por dia, Quino acaba por ter de alargar o leque das personagens da série: em 1965, surgem Manelinho e Susaninha. Em 1966, aparece Miguelito. Em 1967, anuncia-se o nascimento do irmão de Mafalda, mas o El Mundo cessa publicação em Dezembro daquele ano. É também em 1966 que aparece a primeira edição em álbum de Mafalda, que esgota numa dúzia de dias.

A nova casa da série será no semanário Siete Días, numa página semanal com quatro tiras, a partir de Junho de 1968. É aí que nasce Gui, o irmão de Mafalda, e, em 1970, Liberdade.

Em 1969, Mafalda la Contestartaria é publicado em Itália, com apresentação de Humberto Eco.
A partir de 1970, Mafalda conhece edições espanholas, portuguesas, francesas, suecas, alemãs e finlandesas. Mafalda torna-se um fenómeno mundial. A resposta de Mafalda ao mundo que a rodeia, ditada pela sua idade, é na verdade a resposta da “juventude irrequieta” das décadas de sessenta e setenta.

Em Julho de 1973, no auge do sucesso da série, Quino, receando repetir-se, abandona definitivamente Mafalda. Regressa aos cartoons, publicando álbuns memoráveis como Não Me Grite!, Gente, Comes e Bebes, Bem Obrigado e Você?, Artes e Partes, Penso Logo Existo, Homens de Bolso, Mundo Quino ou Quinoterapia.

TESTE: QUE PERSONAGEM FEMININA DE QUINO É VOCÊ?

1) O seu projecto de vida é:

a) Aplicar a sua formação na construção de um mundo melhor.
b) Ser mãe e dona de casa.
c) Estar com o povo na revolução social.

2) Quando está ao lado de um amigo do sexo oposto:

a) Aproveita para discutir os problemas do mundo.
b) Fica a imaginar como seria o seu casamento com ele e os filhos de ambos.
c) Avisa logo que não é por ele ser mais alto que tem de aguentar os complexos de altura que os outros têm.

3) Nas suas orações:

a) Pede pelo mundo.
b) Mostra como exemplo do que quer evitar os pecados que conhece a toda a vizinhança e respectivas famílias.
c) Não faz orações, porque as coisas resolvem-se pela acção individual do homem, e pela revolução social.

4) Vendo o planisfério:

a) Ficaria angustiada porque, se vivesse na Argentina, estaria de cabeça para baixo.
b) Pensa que o mundo é maravilhoso, porque tem uns sapatos novos.
c) Fica indiferente, porque a Terra está no espaço, e o espaço não tem parte de cima nem parte de baixo.

5) Perante um exemplo flagrante de desigualdade social:

a) Não se conforma com a desigualdade.
b) Comenta “Que barbaridade!”, deixa de pensar no assunto e vai à sua vida porque o mundo fica lá longe, e os pobres só são pobres porque querem, pois para além de ganharem pouco, ainda o gastam em coisas de má qualidade.
c) Reclama os direitos do povo.

6) O racismo é horrível porque:

a) Porque é um preconceito.
b) Já é terrível que as pessoas que não são iguais a nós tenham esse defeito, por isso não devemos desprezá-las, mas sermos caridosos.
c) Porque se manifesta de todas as maneiras.

Pontuação:
Atribua 0 pontos por cada resposta b), 5 pontos por cada resposta c) e 10 pontos por cada resposta a).

Total:

De 0 a 20 pontos: Susaninha – É algo próximo da sua mãe, em pequeno. É a única capaz de maldades.
De 21 a 40 pontos: Liberdade – Porta-voz da esquerda.
De 41 a 60 pontos: Mafalda – A contestatária.

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