Razões Para Ir ao FIBD Beja: Ted Benoît

O francês Ted Benoît estará presente no XI Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. É o regresso a um evento de banda desenhada em Portugal depois da passagem pelo AmadoraBD em 1997, acompanhado pelo argumentista Jean Van Hamme, numa altura em que os dois autores tinham feito regressar as aventuras de “Blake e Mortimer”. Van Hamme, campeão de vendas na França e na Bélgica, foi surpreendido com a pouca aceitação que alguns dos seus “best-sellers”, como “Thorgal”, encontram junto do público português. Já não assim com o novo “Blake e Mortimer”, muito bem recebido pelos nossos leitores.

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A complementaridade das diferentes abordagens com que Van Hamme e Ted Benoît se empenharam no projecto do regresso das personagens criadas por Edgar Pierre Jacobs, foi um dos aspectos focados na entrevista que, naquela altura, conduzi com os autores. Van Hamme optou por fazer as coisas “à Jacobs”; Benoît preferiu fazer as coisas “à Blake e Mortimer”. O “código Jacobsiano” nunca seduziu muito o desenhador francês. Ted Benoît situa-se mais próximo da linguagem cinematográfica, não se identificando com a narrativa de Jacobs “muito mais próxima do teatro”.

Para Van Hamme, o desafio também passa por um tratamento de um tipo de personagens que não é aquele que o argumentista belga normalmente desenvolve: “Blake e Mortimer” pertencem à chamada categoria dos heróis recorrentes, que têm sempre a mesma idade, que não casam, que estão praticamente “na mesma” no início de cada aventura (e em que, também por isso, cada aventura é uma aventura). Van Hamme habituou-nos a personagens que evoluem, como XIII ou Largo Winch, e não deixa de ironizar: “Blake, ao fim de cinquenta anos, continua a ser capitão”.

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Certo é que as “novas aventuras” obrigaram a novas opções. O lado científico, muito explorado por Jacobs, fica muito comprometido com a opção dos seus continuadores de situarem as histórias nos anos 50: o avanço científico já não é um desconhecido.

Sobre a razão porque foram escolhidos para dar continuidade às aventuras dos populares heróis, “terá que se perguntar ao editor”, diz Van Hamme. “Creio que foi por sermos os melhores, mas não posso dizer isso”, afirma com um sorriso. Mas o argumentista explica a razão porque aceitou: “nostalgia”. Para Benoît, a sua escolha representa uma significativa prova de confiança na sua pessoa, atendendo ao (lento) ritmo de trabalho do desenhador: Ted Benoît leva cerca de três anos a completar um álbum.

A dupla ainda realizaria um segundo álbum, antes de Benoît abandonar o projeto.

Tido como um dos mais representativos desenhadores do estilo da “linha clara” (afirmado por autores como Hergé ou Jacobs), Ted Benoît fez regressar em 2014 um outro herói de BD, desta vez da sua própria criação: Ray Banana.

É que, apesar do extraordinário trabalho como desenhador, que lhe permite ter uma carreira bem sucedida nos domínios da ilustração e publicidade, Benoît é um excelente argumentista, premiado nessa condição logo no primeiro trabalho em formato de álbum, em 1979.

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