As parcas informações oficiais sobre o 25º AmadoraBD

Foi revelado ontem, 24 de Setembro, no P3 as primeiras notícias oficiais (?) sobre o AmadoraBD 2014, onde a grande notícia é uma exposição dedicada ao veterano José Ruy, sendo os outros factos os anúncios que já eram de esperar.

Exposições (e destaques) para autores premiados em 2013: Osvaldo Medina (Melhor Desenho), Nuno Duarte e Joana Afonso (Melhor álbum português), Alison Bechdel (Melhor álbum estrangeiro) e João Mascarenhas (editor do BDLP, Melhor Fanzine em 2013).

O texto assinado por Raquel Alexandra Rodrigues foi acusado de ser um simples “copy & paste”, devido ao modo como o artigo está construído e da não divulgação de informação que já era pública relativamente à presença de autores. Contudo, segundo nos foi possível apurar é fruto de uma entrevista feita ao Nelson, director do festival, no primeiro trimestre deste ano por uma estudante que, aparentemente, alguns meses depois também escreve para o Público.

O texto contém “muitas imprecisões e até informação incorrecta” como por exemplo as datas em que o Festival vai acontecer, é indicado que se realiza de 25 de Outubro a 10 de Novembro, quando na realidade é de 24 de Outubro a 9 de Novembro de 2014.

O artigo é parco em informação que divulga e tem vários aspectos que são dúbios. Não é indicado se João Mascarenhas, que prestou declarações, irá ser homenageado enquanto autor a solo, ou irá estar presente numa exposição colectiva do BDLP, fanzine que, para além de ter sido premiado em 2013 no AmadoraBD, foi premiado este ano com o troféu HQMix no Brasil.

Não é indicado se o destaque, que será dado, a Alison Bechdel irá ser realizado (só) através de uma exposição (como aconteceu com Mutts, de Patrick McDonnell em 2013) ou se a autora norte-americana irá estar presente no Festival.

A presença de JM Ken Niimura, a 8 e 9 de Novembro, no festival é ignorada. Tendo em conta que até ao momento (quando falta um mês para a abertura do AmadoraBD) é algo difícil de compreender a menção, ao único autor estrangeiro cuja presença já foi confirmada para um dos três fins-de-semana do evento. De salientar que Nelson Dona indica no artigo que “Temos artistas do mundo inteiro, pois interessa-nos mostrar ao público a maior diversidade possível”, só fica por indicar é quais.

Não é indicado se este ano (à semelhança do que sucede desde a edição de 2000) o festival vai ter um tema, ou se o tema é o próprio festival. É realçado que um dos objectivos desta edição do AmadoraBD é salientar quais “são as suas características no presente e quais foram as contribuições que este festival trouxe para o panorama nacional.” É uma reflexão que é necessária efectuar, pela relevância que o AmadoraBD tem no panorama nacional, mas onde não devem ficar ausentes os problemas crónicos que afectam o evento (há décadas) e não têm tido solução, em alguns caso até se agravaram.

Sobre a edição deste ano, não é adiantado muito mais, mas existem uma explicação sobre algumas das condicionantes que o evento teve, o ano passado.

Contudo, o ano passado revelou-se difícil para a realização do festival. Não só sofreu constrangimentos financeiros, devido à conjuntura do país, como legais e administrativos, impostos por leis que foram saindo ao longo dos anos e que levantaram problemas operacionais graves. Com o empenho da autarquia, o Amadora BD conseguiu realizar a 24ª edição, que retratou os 75 anos do Super-Homem e do Spirou.

As exposições dedicadas aos 75 anos do Super-Homem e do Spirou, foram de facto um dos pontos altos da edição de 2013, o ano passado, resta saber se em 2014 (este ano) os 75 anos de Batman ou os 50 anos de Mafalda irão ter destaque semelhante.

Existe uma falha que não é culpa do Público, ou da jornalista que assina o artigo, a imagem de destaque da edição de 2014 do AmadoraBD é a criada por Ricardo Cabral para a edição de 2013. É um pouco absurdo que a um mês do inicio do festival não seja divulgado o cartaz, em particular quando a autora do mesmo – já foi confirmado (hoje) que é da autoria de Joana Afonso – até foi contactada para prestar declarações.

Outro facto “curioso” (para não usar outra palavra) é que no artigo existe um link para o site do AmadoraBD, que só tem informações referentes à edição de 2013, o ano passado, do AmadoraBD, a um mês do inicio do festival não tem explicação possível, em particular quando é desperdiçada a oportunidade de ter a informação num órgão de informação generalista como o jornal Público.
O AmadoraBD é um dos poucos eventos de banda desenhada, em Portugal, que consegue ter uma cobertura da imprensa generalista. Em tempos chegou a existir cobertura diária nos jornais sobre o festival. Hoje, isso já não sucede e existem oportunidades que são esbanjadas.

A notícia divulgada no Público também marcou um regresso à actividade da página de Facebook do Amadora BD, quem realizou a actualização só cometeu o lapso de indicar ao apresentar o artigo do seguinte modo:

O 25º Amadora BD já está a dar que falar.

O 25º AmadoraBD já estava a dar que falar em locais menos públicos, e já teria dado mais que falar se aqueles que solicitam informação, aqueles que têm interesse em divulgar essa informação tivessem acesso a ela, e quem poderia divulga-la estivesse autorizado a fazê-lo.
(Já agora a grafia correcta é AmadoraBD e não Amadora BD, ou isso já foi alterado? Mas voltando ao essencial.)

É bom sinal a página de Facebook do AmadoraBD já ter regressado à actividade, é uma boa maneira do festival comunicar com o seu público (tem mais de 23 mil seguidores) o que permite ao AmadoraBD chegar a um público vasto (para a realidade da BD nacional). Algo que até lhe permitiria ampliar alcance da informação divulgada por meios de comunicação social não oficiais, como sites e blogues. Basta alguém partilhar (como fez com o artigo do Público) a informação que é divulgada sobre o festival, daqueles que têm um interesse em divulgar a BD de modo permanente e não só esporádico.

A comunicação social generalista presta pouca atenção à BD, mas existem sites e blogues que a divulgam dentro das limitações que têm fazendo chegar ao maior número de pessoas que conseguem alcançar essa informação. No caso do AmadoraBD, existe uma base de 20 mil potenciais visitantes que o festival pode alcançar (informar): basta indicar – a quem tem interesse – as informações que solicitam, e posteriormente partilhar com a audiência que têm os artigos que são publicados sobre o festival.

A um mês do inicio do AmadoraBD, a informação que existe é parca, algo que só prejudica o festival. O AmadoraBD vai realizar-se durante 16 dias, entre 24 de Outubro e 9 de Novembro, são 3 fins-de-semana (25 e 26 de Outubro, 1 e 2 de Novembro e 8 e 9 de Novembro) a generalidade do público não tem disponibilidade para se estar a deslocar durante 3 fins-de-semana (6 dias) ao AmadoraBD.

Um dos factores determinantes para os visitantes, sobre qual dos fins-de-semana irá optar para se deslocar ao festival é a presença dos autores estrangeiros. Este facto não se deve a uma falta de qualidade dos autores nacionais, mas a uma questão prática: os autores nacionais podem estar presentes em quase todos os fins-de-semana, e mesmo que não estejam, o público que não contacte com eles, no AmadoraBD, terá outras oportunidades de pedir autógrafos ou falar com os autores nacionais, uma vez que (na sua maioria) eles estão presentes em outros eventos que se realizam, durante o ano, em Portugal.

Os autores estrangeiros só estão presentes durante um fim-de-semana no AmadoraBD, a sua presença em Portugal limita-se a esses dois dias, e não existem muitas outras possibilidades de se voltar a repetir. Em alguns casos pode mesmo ser a sua única passagem por Portugal. A um mês do inicio do festival, só está confirmada a presença de um autor estrangeiro: JM Ken Niimura a 8 e 9 de Novembro.

Isto é pouca informação. E num ano que deveriamos estar a falar sobre os 25 anos do maior festival de banda desenhada nacional, estamos a falar sobre a informação, que mais uma vez não se encontra disponível atempadamente.

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