One-Punch Man Volume 2, de One e Yusuke Murata

Depois do explosivo primeiro volume, One-Punch Man regressa em força. Este segundo volume mantém o dinamismo, a ironia e o elevado nível de ação cinética que caracteriza esta série.

Descobriremos o segredo do poder de One-Punch Man?

O pérfido cientista que criou clones seus para se poder fechar num laboratório e procurar a sua bizarra forma de evolução humana quer, a todo o custo, capturar Saitama. Consumido pela vontade de saber o que deu a força indomável a One-Punch Man, herói nos tempos livres, o cientista liberta a mais violenta criação das suas pesquisas de aperfeiçoamento genético: um indomável e sanguinário homem-besouro, tão imparável que os esforços do cyborg Genos, discípulo de Saitama, não o conseguem travar. Melhor, numa das piadas mais bem conseguidas de um livro que mantém sempre o tom divertido, o homem-besouro transforma Genos numa peça de arte contemporânea, esmagando-o contra uma parede. É humor terrivelmente negro, e por isso ainda mais delicioso.

One-Punch Man
“Arte moderna” como herói esborrachado na parede: o bom humor negro de One-Punch Man.

É aqui que descobrimos o segredo do poder de Saitama. Prestes a enfrentar o tenebroso homem-besouro, responde às suas questões, explicando como se tornou tão poderoso que é capaz de derrubar qualquer oponente com um murro terminal. E qual será o segredo dos poderes do nosso herói dos tempos livres? Podia dizer-vos, mas não quero fazer spoilers tão óbvios. Leiam, que o irão descobrir. Claro que, dada a tendência absurdista deste mangá, não esperem por histórias de origem com picadas de aranhas radioactivas ou efeitos de radiação nuclear. Nem lanternas encontradas na floresta, ou traumas com familiares mortos violentamente. A perfeita banalidade da forma como One-Punch Man se torna o ser poderoso que é é uma das running jokes bem conseguidas da série.

One-Punch Man
A estética do confronto de planos, segredo do dinamismo cinético de One-Punch Man.

Aviso ao leitor: vai demorar três capítulos até que Saitama derrote o portentoso homem-besouro. Não que a luta seja tremenda, como habitual, só nas últimas vinhetas é que acontece da forma previsível. One e Murata usam a clássica técnica do mangá e anime de arrastar ao máximo a acção, sublinhando com intensidade cada gesto, olhar ou palavra. Este é um dos traços que torna One-Punch Man interessante, a forma divertida como caricatura os estereótipos e estruturas narrativas do género a que pertence.

Não podiam faltar Ninjas a One-Punch Man

Após despedaçar o tremendo homem-besouro, qual será o próximo desafio que Saitama enfrentará? Ninjas, claro, e diga-se que já fazia falta disto na série. Afinal, o que seria de um mangá sobre artes marciais sem um assassino silencioso, mestre nas mais letais artes marciais?

One-Punch Man
Ninjas a elevar a fasquia de One-Punch Man.

Saitama cruzar-se-á com um ninja ao investigar a ameaça de um bando de skinheads que, tendo-se apropriado de armaduras experimentais, parecem imparáveis na criação de um movimento rebelde inovador. Liderados pelo temeroso Cabeça de Martelo, o bando terrorista dos paradisíacos quer implementar a sua utopia na terra: viver sem trabalhar, com o contributo obrigatório dos que trabalham. Para sinalizar as suas intenções começam por tentar eliminar o homem mais rico da cidade, que se encontra sob proteção de um ninja. Este é uma eficiente máquina de matar, que elimina sem dificuldade os terroristas e acabará por enfrentar Saitama.

Uma luta que não chega, realmente, a acontecer. A técnica marcial do ninja é excepcional, e este diverte-se a testar os limites de One-Punch Man, aprendendo para um confronto final que acontecerá, certamente, num próximo volume.

Sem surpresas, One e Yusuke Murara continuam a sua vénia à essência do mangá como leitura de entretenimento, evitando cuidadosamente quaisquer vestígios de profundidade narrativa e temática. One-Punch Man é o que é, um enorme meme feito à custa da cultura otaku. Dá-nos o que queremos ler, acção sem limites nem compromissos, e não pretende ser mais do que isso. Como esperado, este segundo volume são mais 208 páginas de ação dinâmica, entre poses icónicas e signos cinéticos. Divertida e descomplexada, esta aposta da Devir é uma lufada de ar fresco no panorama do mangá.

One-Punch Man Volume 2

Autores: One, Yusuke Murata
Editora: Devir
Páginas: 192, capa mole
PVP: 9,99 €

Eterno intrigado por Banda Desenhada, Ficção Científica, literatura transreal nas fronteiras dos géneros. Também se mete em aventuras digitais. Bloga no Intergalactic Robot.

Deixar uma resposta

Show Buttons
Hide Buttons