O Regresso da Liga dos Cavalheiros Extraordinários

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários Volume 3: Século
Catorze anos depois da exposição apresentada na Amadora que dava a conhecer a obra de Alan Moore, o mês de Junho de 2016 assinala finalmente a edição portuguesa de alguns títulos fundamentais da obra do autor britânico, incluindo Século, o regresso da Liga dos Cavalheiros Extraordinários numa altura em que Moore se afastara da BD.

No final do século XX, Alan Moore estava a trabalhar a estrutura de todo o universo da Awesome (de Rob Liefield), quando se deu o colapso da editora. Numa demonstração inequívoca do seu género criativo, Alan Moore reagiu a esse colapso com uma nova ofensiva criativa: a Awesome cai no final de uma semana, e no início da semana seguinte Moore já tinha definido um novo universo, composto por diversas séries. Era a ABC, America’s Best Comics.

Nesta sua nova ofensiva, Moore rendia-se à evidência da necessidade da existência da corrente mainstream para manter vivo o mercado da BD, criando uma aparência de companhia editorial com vários títulos, apesar de se permitir um renovar do experimentalismo dos trabalhos alternativos, pretendendo chegar a uma grande diversidade temática a partir de algo que, de novo por razões de organização de mercado, o leitor de super-heróis pudesse identificar.

A partir de uma base que podia levemente tomar-se por de super-herói, Moore aprofunda questões recorrentes na sua obra em colaboração, ligadas à descoberta da voz e responsabilidade do indivíduo. Alan Moore volta ao momento anterior ao nascimento dos super-heróis para definir novos caminhos para a BD norte-americana. A nostalgia das portas para a imaginação regressa, mas sem qualquer abordagem retro. A linha da ABC evidencia de forma exemplar a capacidade de Moore para o trabalho em colaboração, em que as opções do argumento reflectem o estilo do desenhador, em que o processo criativo não é solitário.

O primeiro título da ofensiva é a Liga dos Cavlheiros Extraordinários, em colaboração com Kevin O’Neill, em que Moore regressa ao período vitoriano, agora em homenagem à ficção fantástica e imaginativa da época, para fazer uma Liga da Justiça com Mina Murray (do Drácula de Bram Stoker), o Homem Invisível (de H. G. Wells), o Capitão Nemo (das 20.000 Léguas Submarinas de Júlio Verne), Alan Quartermain (de H. Rider Haggard) e o Dr. Jekyll/Mr. Hyde (de R. L. Stevenson).

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários foi um dos projetos que mais satisfazia Alan Moore, e a continuidade da série esteve sempre assegurada, mesmo quando Moore anunciou que se retirava da BD (antes do atual regresso ainda desconhecido da edição portuguesa). Século, agora publicado em português, surge nessa fase de ausência de Moore, retomando muitas das experiências de Moore na banda desenhada, como o musical (já ensaiado em trabalhos anteriores como The Bojjefries Saga ou Greyshirt).

Em 2002, a Amadora tomou a iniciativa de organizar uma grande retrospetiva sobre o trabalho de Alan Moore. Kevin O’Neill foi um dos autores presentes na inauguração da mostra, que contava com um conjunto de pranchas originais da série, em versão a lápis e já arte-finalizadas.

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