O Guia Completo dos Guardiões da Galáxia

Star-Lord, Gamora, Drax, Rocket Raccoon e Groot são os Guardiões da Galáxia na mais arriscada aposta cinematográfica da Marvel, que estreia esta semana, mas durante anos, os Guardiões eram outros. Quem são, afinal, os verdadeiros Guardiões da Galáxia?
Capítulo 1:

Permita-me Que Lhe Apresente…

No dia 28 de Maio chegou a Portugal o volume 1 dos Guardiões da Galáxia, publicado pela Panini. A escolha desta história é justificada por ser mais uma marca registada da Marvel Comics, que se vê promovida a filme. Espera-se que seja do agrado dos cinéfilos fãs de blockbusters, guerras épicas e porradaria. E de personalidades incomuns. O nome Guardiões da Galáxia é usado pela Marvel, como um colectivo de super-heróis, desde 1969. No entanto, nenhum dos membros actuais fez parte da equipa original.

A 7 de Agosto, o filme estreia em Portugal. A equipa é constituída por Star-Lord (Peter Quill, com histórias publicadas em português com o nome Senhor das Estrelas), Gamora, Drax (antes conhecido também pelo epíteto de Destruidor), Rocket Raccoon e Groot, todos com origens distintas e histórias que não se cruzaram durante anos. No filme serão interpretados, respectivamente, por Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper (voz) e Vin Diesel (voz).

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Criado por Steve Englehart e Steve Gan, em 1974, na revista “Marvel Preview” nº 4, uma antologia a preto e branco. Desconectado do Universo Marvel, Quill surgiu como um convencido intratável, completamente anti-social, que apenas consegue um emprego na NASA porque é um génio. O seu objetivo era viajar para o espaço – a história original desenrolava-se no (então) futuro ano de 1990 – para vingar a morte da mãe, assassinada por alienígenas. Englehart saiu da Marvel antes de poder escrever mais histórias (havia planos para lançar uma revista a preto e branco com Star-Lord como personagem titular), pelo que Chris Claremont e Doug Moench acabaram por rever o conceito, colocando-o em aventuras mais convencionais, inspiradas em temas clássicos da ficção científica.

As suas últimas histórias já foram publicadas em revistas de formato normal, a cores, em 1981. Depois de uma mini-série do autor de ficção cientifica Timothy Zahn, lançada em 1997 com um novo personagem debaixo do capacete, Peter Quill foi definitivamente introduzido no Universo Marvel em 2004, por Keith Giffen, na série mensal do Thanos. Isto abriu caminho para o seu papel importante na mega-saga “Aniquilação” e a sua subsequente fundação dos Guardiões da Galáxia.

Gamora

Criada por Jim Starlin, em 1975, na revista “Strange Tales” nº 180, onde foi relançada a série “Warlock”, antes de retomar a numeração interrompida dois anos antes.

Gamora foi introduzida como uma ajudante de Adam Warlock na batalha contra a sua versão futura, o Magus, revelando ter sido treinada pelo deus louco Thanos para ser uma assassina (é muitas vezes descrita como “a mulher mais mortífera da galáxia”). No decurso da história, traiu Thanos e a sua alma foi absorvida pela jóia que Warlock usa na testa.

Gamorra por Milo Manara
Gamorra por Milo Manara

Quando Starlin regressou à Marvel em 1989 para escrever o Surfista Prateado, ressuscitou Gamora como parte do novo grupo liderado por Adam Warlock para derrotar o também regressado Thanos. Durante os anos seguintes, foi usada sempre como um apêndice das histórias de Warlock, mas em 2006 foi recuperada na mega-saga “Aniquilação” com uma personalidade mais independente, ainda que fazendo parte de um elenco alargado de personagens cósmicos, o que levou a juntar-se aos Guardiões da Galáxia.

Drax, o Destruidor

Criado por Jim Starlin, em 1972, na revista “Iron Man” nº 55. Drax revelou nessa história ter sido criado a partir do solo de um mundo distante pela entidade cósmica Kronos para derrotar Thanos, mas mais tarde foi revelado que ele é um terrestre, ressuscitado, chamado Arthur Douglas e pai da vigilante cósmica conhecida como Serpente da Lua. Kronos deu-lhe vários superpoderes, bem como uma obsessão patológica em matar Thanos. Falhando nesta sua missão – o Capitão Marvel e Adam Warlock acabaram por ser os responsáveis – foi pouco tempo depois assassinado pela sua filha.

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Nas histórias de Jim Starlin do Surfista Prateado, foi ressuscitado com poderes aumentados mas inteligência reduzida, resultando em algumas histórias ocasionais com um tratamento mais humorística. Em 2004, foi recuperado na mini-série “Drax”, que serviu de prequela a “Aniquilação”. Assassinado por um general Skrull, ressuscitou com menos poderes e mais inteligência, tornando-se um lutador mais físico, o que lhe valeu o recrutamento para os Guardiões da Galáxia.


Rocket Raccoon

Rocket_Raccoon_1_CoverCriado por Bill Mantlo e Keith Giffen, em 1975, na revista “Marvel Preview” nº 7, a mesma antologia onde apareceu o Star-Lord. Rocket Raccoon era um personagem secundário na segunda parte do segmento “Sword in the Star”. A história devia ter continuado numa revista bimestral do Star-Lord, que nunca saiu da fase de planeamento, devido à saída de Steve Englehart. Mantlo acabou por integrar elementos da história nos Micronautas, ligando a espada do Príncipe Wayfinder à Força-Enigma, mas Rocket Raccoon acabou usado numa história do Hulk.

Mantlo mandou o Hulk acidentalmente para o mundo de Rocket, um sector da galáxia isolado por uma barreira, que mantém todos os habitantes presos. Embora nessa história os animais humanóides tenham conseguido mandar o Hulk de volta à Terra (dando origem à série de histórias em que o Hulk tinha a inteligência e personalidade de Bruce Banner), os animais e os Lunáticos (pacientes mentais, que deviam ser tratados por médicos, mas estão sob o cuidado dos animais) continuaram presos até à mini-série do Rocket. Depois de alguns cameos humorísticos, Keith Giffen trouxe o Rocket Raccoon de volta no evento cósmico “Annihilation: Conquest”, fazendo parte da equipa militar que os Kree forçaram Peter Quill a criar. Essa equipa, onde conheceu o seu amigo Groot, evoluiu para se tornar na nova geração dos Guardiões da Galáxia.

Groot
Groot e Rocket Raccon por Otis Frampton
Groot e Rocket Raccon por Otis Frampton

Criado por Stan Lee e Jack Kirby, em 1960, na revista “Tales to Astonish” nº 13. Foi publicado na fase em que a Marvel não tinha regressado aos super-heróis e era conhecida essencialmente por publicar antologias de monstros, westerns e algumas histórias infanto-juvenis. As histórias de monstros eram o que mais se aproximava de ficção científica nas bancas na época. Groot, também conhecido como o Monarca do Planeta X, foi mais um numa longa galeria de invasores espaciais que queria conquistar a Terra sozinho, começando pela zona rural dos Estados Unidos. Na sua única história, foi comido por térmitas. Isso não o impediu de sobreviver no inconsciente de alguns escritores, que o trouxeram de volta na era moderna, onde ele foi forçado a integrar uma equipa de monstros recrutada pela SHIELD, no título “Nick Fury’s Howling Commandos”. Giffen trouxe-o de volta em “Annihilation: Conquest”, dando origem à famosa amizade Rocket/Groot.

Nesta história, estes são os Guardiões da Galáxia. Mas durante anos, os Guardiões eram outros. Quem são, afinal, os verdadeiros Guardiões da Galáxia?

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Capítulo 2

A Terra Sobreviverá!

Um problema de ‘diferenças criativas’ com um editor levou Arnold Drake, co-criador do Deadman e da Patrulha do Destino, a trocar a DC Comics pela Marvel, no final da década de 1960. Drake trabalhou nalguns dos títulos de vendas mais baixas, como “X-Men” e “Captain Marvel”. Em 1968, foi-lhe encomendada uma história para a antologia “Marvel Super-Heroes”, com arte de Gene Colan, intitulada “Guardians of the Galaxy”. Publicada no nº 18, em 1969, era uma história de ficção científica, no futuro longínquo do ano 3007, em que o Sistema Solar, colonizado pela espécie humana, foi rapidamente atacado por invasores alienígenas reptilianos, chamados Badoon. Drake não ficou muito mais tempo na Marvel, e a história foi esquecida por quase todos, excepto pelo escritor Steve Gerber.

A equipa era na verdade um grupo de resistentes que mal se conheciam. Um era Charlie-27, miliciano da colónia de Júpiter, com densa estrutura molecular, aumentando a sua resistência física e superforça. Martinex, um cientista da colónia de Plutão, era capaz de gerar rajadas de temperatura extrema. Vance Astro, ou Major Victory, era o último sobrevivente do Século XX, enviado numa viagem de mil anos até à estrela de Alpha Centauri, apenas para chegar lá e descobrir que a velocidade acima da luz tinha sido atingida e a estrela já tinha sido colonizada. Quando Vance foi capturado em Alpha Centauri estava com ele Yondu, um alienígena de pele azul e com uma barbatana ao longo das suas costas, que controlava com efeitos sonoros uma seta feita de um metal especial. Yondu fazia o papel do estereótipo do selvagem nobre.

Através das maravilhas das viagens no tempo, o Coisa (do Quarteto Fantástico), o Capitão América e a agente da SHIELD, Sharon Carter, foram levados até 3014 e ajudaram os Guardiões da Galáxia a derrotar os Badoon e a expulsá-los da Terra, nas revistas “Marvel Two-in-One” nº 4 e 5, publicadas em 1974. Escritas por Steve Gerber, tiveram continuidade num arco de histórias dos Defensores, onde Gerber introduziu as versões femininas dos Badoon e a misteriosa figuras cósmica Starhawk (Águia Estelar, na Editora Abril), que viria a ser uma importante figura em futuras histórias dos Guardiões.

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Estas histórias serviram como rampa de lançamento para a nova série do grupo, que começou na revista “Marvel Presents” nº 3, em 1976. Na época, a Marvel tinha várias antologias onde testava novos personagens, para evitar ter que pagar o registo de novos títulos. Os Guardiões foram os personagens principais da revista até ao número 12. Gerber, que era dado a algumas alucinações criativas mas sem necessitar de químicos para pensar nelas, expulsou os Guardiões da Terra, para fazerem jus ao seu nome, colocando-os a enfrentar ameaças como um planeta humanóide (o Homem Topográfico) e os vários ecossistemas residentes na sua superfície, bem como a ‘pulga’ energética que se alimentava das suas próprias energias.

Mas não eram os inimigos os pontos altos das histórias. Depois de ter introduzido Starhawk nas histórias dos Defensores, Gerber resolveu expandir o elenco com membros femininos. Primeiro surgiu a fogosa adolescente Nikki, última sobrevivente de Mercúrio e exímia atiradora. Depois, surgiu Aleta, cuja súbita aparição no quarto de Starhawk na nave dos Guardiões deixou Vance Astro perplexo. Astro, que exibia uma extrema desconfiança da críptica identidade cósmica, acabaria por apaixonar-se por Aleta, apesar da sua roupa especial o impedir de ter uma relação normal. Nikki, por outro lado, perseguiu todos os membros masculinos da equipa mas acabou por embeiçar-se por Charlie-27.

A última série de histórias na antologia “Marvel Presents” lidou com a origem de Starhawk, revelado como um ser compósito, composto por Stakar e Aleta, irmãos adoptivos que depois se casaram e tiveram três filhos. Ogord, pai de ambos, odiava Stakar e foi o responsável pela morte dos seus netos, ao transformá-los em vampiros energéticos, mas Aleta culpou Stakar pelas mortes.

A revista foi cancelada e os Guardiões regressaram em 1977, pela mão dos mais convencionais Len Wein e Roger Stern, num anual da revista “Thor”. É aqui que é introduzido o ciborgue Korvac, que pretende transformar-se numa entidade cósmica. Thor e os Guardiões acabam por espantar o vilão para o presente, onde os Guardiões o perseguem, dando origem à famosa história conhecida como “A Saga de Korvac”, que envolveu quase todos os Vingadores. Aliás, foram os próprios Vingadores que assumiram o protagonismo, com os Guardiões a servirem como meros coadjuvantes, integrados por defeito numa estratura com números superiores. Os Guardiões continuaram na Terra durante alguns meses, envolvendo-se em histórias com o Homem-Aranha, o Coisa e Ms. Marvel, mas depois ficaram desaparecidos durante anos.

Capítulo 3

O Universo Marvel do Futuro

Durante os anos 90, os novos donos da Marvel exigiram a expansão da linha e vários personagens adormecidos foram sendo recuperados. Entre eles estavam os Guardiões da Galáxia, que pela primeira vez tiveram direito à sua própria serie mensal. Começou a ser publicada em 1991, com argumento e arte de Jim Valentino, um dos instigadores do êxodo de artistas que levou à criação da Image Comics.

3563251-01Ao contrário das histórias de décadas anteriores, e apesar de ter um escritor vindo da BD independente, o novo título foi até bastante conservador, com histórias típicas de superheróis, ainda que passadas no ano 3000. Aliás, apesar das histórias se passarem 1000 anos no futuro e do planeta Terra ter rechaçado uma invasão alienígena que quase acabou com a civilização, o Universo Marvel foi amplamente minado durante os 62 números, quatro edições anuais e na mini-série adicional (“Galactic Guardians”) que foram publicados durante os cinco anos seguintes.

Com a transformação numa equipa de superheróis convencional, ficou óbvio durante os primeiros números que a equipa tinha uma péssima estrutura de comando. Vance Astro era o comandante da nave espacial, mas Martinex era melhor na gestão de recursos e Charlie-27 na estratégia de combate. Stakar continuava a agir de modo errático e a colocar a equipa em perigo.

A quantidade de heróis e vilões do passado foi crescendo de número para número. Primeiro, Valentino introduziu personagens imortais: os ex-arautos de Galactus, Surfista Prateado e Senhor do Fogo, o Dr. Estranho (agora na persona do seu antigo mentor, o Ancião), Thor, uma encarnação mecânica do Visão, o Dr. Destino (no esqueleto do falecido Wolverine) ou o demónio Mefisto; enquanto elementos do passado foram aproveitados e integrados no futuro: os alienígenas Stark, o escudo do Capitão América, o exército de Justiceiros ou da Igreja Universal da Verdade. O título também absorveu a cronologia das histórias da Guerra dos Mundos e de Killraven, publicadas nos anos 70 na antologia “Amazing Adventures”, do número 18 ao 39.

PARTE-3

A posse do escudo do Capitão América deu a Vance Astro a legitimidade para se tornar líder de uma equipa que continuava a crescer. Primeiro, juntaram-se o inumano Talon e a skrull Réplica. Mais tarde, a Jaqueta Amarela atrelou-se à equipa, numa viagem ao Séc. XX, e Martinex saiu da equipa para fundar uma expansão, ao estilo da Legião de Super-heróis da DC, que incluiu o Senhor do Fogo e um novo Espírito da Vingança, os Vingadores imortais Visão e Magnum (agora com os nomes Mainframe e Hollywood) e Giraud, um humano normal do planeta dos mutantes que foi possuído pela entidade Fénix.

Quando Jim Valentino saiu da Marvel para fundar a Image, foi substituído por Michael Gallagher como escritor e Kevin West como artista. As histórias não divergiram do caminho explorado por Valentino, aproveitando os mesmos elementos: os Guardiões a enfrentarem ameaça atrás de ameaça e com pouco espaço para explorar as relações da equipa. Aleta acabou por assumir o controlo total sobre Starhawk, o que lhe permitiu prosseguir a sua relação com Vance Astro, finalmente curado e livre da sua roupa protectora. Starhawk voltou para atormentar Aleta e as grandes batalhas finais foram o confronto contra o Beyonder e Mefisto, depois a caça aos assassinos em massa Ripjak e Bubonicus, terminando com a revelação final sobre a origem de Starhawk.

Apesar de entreterem, as histórias dos Guardiões foram um mero produto dos anos 90, onde o estilo dominava a substância, e não deixaram grandes marcas na continuidade. Depois do título ser cancelado em 1995, com o número 62, os Guardiões foram praticamente esquecidos durante vários anos, até ao reaproveitamento do título em 2008, mas não dos mesmos personagens.

PARTE-4

Capítulo 4

Da Aniquilação ao Imperativo Mortal

Depois de anos sem dar sinal de vida, o título dos Guardiões da Galáxia regressou em 2008, pelas mãos dos escritores Dan Abnett e Andy Lanning. Paul Pelletier, Brad Walker e Wes Craig desenharam a série. As sementes para o título foram deixadas no evento cósmico “Conquest: Annihilation”, quando Peter Quill liderou, a mando da Milícia Kree, uma equipa de aventureiros e arruaceiros numa missão suicida. Muitos destes acabaram por aliar-se aos heróis cósmicos para fundar uma nova equipa, sediada na cabeça de um Celestial morto, cuja gestão estava a cargo de um cão soviético telepata, chamado Cosmo.

Peter Quill, o Star-Lord, e a empata Mantis (uma mulher terrestre fundida geneticamente a uma árvore espiritual Kree) juntaram Rocket Raccoon, Drax, Gamora, Phyla-Vell (nesta fase, ostentando as pulseiras quânticas de Quasar, protector do universo) e Adam Warlock. Logo no início, a equipa encontra Vance Astro, dos Guardiões do ano 3000, preso num bloco de gelo temporal. É ele quem menciona os Guardiões, levando Rocket a adoptar o nome para o grupo. A presença do herói do futuro, que também se junta à equipa, desencadeia uma guerra temporal que destrói várias realidades alternativas, levando à intervenção de várias encarnações da entidade cósmica Starhawk.

Pouco tempo depois, viria a ser revelado que Star-Lord pediu a Mantis para manipular as emoções da equipa, levando a uma debandada geral. Rocket, acreditando na validade do grupo, recruta Bug (o Besouro dos Micronautas, uma equipa baseada numa linha de bonecos de acção, publicada nos anos 80 na revista “Heróis da TV”), Groot e, estranhamente, o antigo parceiro do Capitão América, Jack Flag, que foi desenhado como uma imitação do Grifter da editora WildStorm e que não tem quaisquer super-poderes ou armas especiais.

A história dos Guardiões foi atropelada pelos novos eventos cósmicos, “War of Kings” e “Realm of Kings”, de onde resultou uma maior fractura na realidade (levando à descoberta de um universo cancerígeno, habitado por seres Lovecraftianos), alterações significativas na política intergaláctica e à ressurreição de heróis como a Serpente da Lua e Quasar. Mas a guerra temporal dos Guardiões regressou sob a forma do conquistador multi-temporal, Kang, interessado em impedir a aniquilação das várias realidades paralelas. Acabou por ser Adam Warlock a salvá-las, sacrificando a sua própria existência para se transformar no Magus, deus da fundamentalista Igreja Universal (da Marvel, não confundir com a do Reino de Deus).

Mas o pior estava por vir. A ressurreição do déspota niilista Thanos resultanda na morte de Warlock e Phyla-Vell. Thanos era necessário para impedir a conquista do Universo pela realidade paralela Lovecraftiana, mas para o parar, foi necessário que Peter Quill e Nova se sacrificassem para fechar a falha na realidade, na mini-série “The Thanos Imperative”. Como resultado, os Guardiões separaram-se. A revista já tinha sido cancelada em 2010 para esta última mini-série, e as histórias cósmicas prosseguiram com o título “Annihilators”.

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Capítulo 5

Um Novo Caminho

Para ter um título nas bancas a tempo do filme, a Marvel não tardou a relançar o título, em 2013, integrado na nova iniciativa Marvel NOW! A equipa espelhava a escolha de personagens para o futuro filme (Star-Lord, Groot, Rocket Raccoon, Gamora e Drax), embora, só para garantir alguma exposição adicional – junto dos fãs – o escritor Brian Michael Bendis tenha optado por incluir o Homem de Ferro, no primeiro arco de histórias da revista.

Como é típico de Bendis, estudar a história e conhecer as personalidades de personagens é opcional. Portanto, a nova história apresenta um Jason de Spartax, pai do Star-Lord – que agora passa a ser o título do herdeiro da coroa de Spartax, em vez de uma função criada pelo cientista renegado Mestre do Sol – mais autocrático, em vez de ingénuo e conformado, os Badoon incluídos na origem de Peter Quill e promovidos a membros do conselho intergaláctico, um Rocket que passa a ignorar completamente a sua origem que tinha finalmente descoberto (na mini-série publicada um ano antes) e um Peter Quill vivo, quando ele tinha sido dado como morto em “The Thanos Imperative”. Mas esse detalhe é parte do mistério a ser resolvido nos próximos números.

Desta vez, Quill reforma os Guardiões para salvaguardar os interesses da Terra, depois de Jason convencer as outras super-potências a proibir as viagens de alienígenas ao planeta. O que tem os efeitos esperados: primeiro, os Badoon tentam invadir a Terra, e depois a Guarda Imperial de Shi’ar rapta Jean Grey, retirada do passado, o que leva a um crossover com os X-Men. A equipa também cresceu, encontrando uma aliada em Angela (transplantada do universo de Spawn de Todd McFarlane devido a acordos com o seu co-criador, Neil Gaiman) e um novo membro em Venom.

PARTE-5

gargal2013002varcov-why-guardians-of-the-galaxy-is-going-to-be-awesomeEssa é uma história que poderá ser acompanhada nas edições portuguesas da Panini. “Vingadores Cósmicos”, o primeiro volume da série Guardiões da Galáxia editado em Portugal, foi publicado em Maio e o segundo volume, “Angela”, está previsto para Novembro de 2014.

Esta versão dos Guardiões de Bendis é também publicada na revista Universo Marvel (publicada pela Panini Brasil), que é distribuída em Portugal, embora convenha salientar que esta publicação não tem qualquer relação com a colecção homónima da Levoir/Público.

“Legado”, o primeiro arco da segunda série (2008) foi editado na passada quinta-feira, 31 de Julho, no 4º volume da colecção Universo Marvel, editado pelo Público e pela Levoir, embora não tenha sido ainda anunciado qualquer plano para a publicação de outras histórias dessa fase da equipa.

Entretanto, já foi anunciado que o filme que estreia quinta-feira, 7 de Agosto, irá ter uma sequela que irá chegar aos cinemas em 2017. Este ano irá chegar ao pequeno ecrã, nos EUA, uma série de animação com base nos personagens para capitalizar o aparente (e esperado) sucesso do filme.

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