O AmadoraBD e os Amigos de Jack Kirby

O lendário Jack Kirby está em destaque no primeiro fim-de-semana do certame amadorense.

Sexta-feira, dia 27 de Outubro, às 21 horas abre as portas a 28ª edição do Festival Internacional da Amadora, também chamadado de Amadora BD e cuja grafia por vezes é AmadoraBD, desculpem lá mas já não sei qual é a correcta porque o festival não é congruente na grafia que utiliza.

O Centenário de Kirby

No primeiro fim-de-semana o destaque vai para a exposição central e a dedicada a Jack Kirby, as quais são o motivo da presença dos sete convidados internacionais do festival neste dois dias.

Ted Rall, Stanley Wany, Marc Tessier são autores inéditos cuja presença no festival é motivada pela inclusão de trabalhos da sua autoria na exposição central,  Contar o Mundo – A reportagem em banda desenhada. Os três autores vão passar pelo auditório para conversarem com Sara Figueiredo Costa, comissária da exposição, com a qual vão fazer uma visita guiada (em inglês) à exposição no dia 29 às 17 horas.

A exposição Jack Kirby – 100 Anos de um Visionário é o motivo da presença de:

  • Mike Royer: arte-finalista de Jack Kirby nos anos 70
  • Randolph Hoppe: curador do Jack Kirby Museum & Research Center
  • Tom Kraft: coleccionador de pranchas originais de Kirby e membro do referido museu
  • Bechara Maalouf: coleccionador de originais de Kirby.

Dos quatro convidados o destaque vai para Mike Royer que para além ter arte-finalizado trabalhos de Jack Kirby foi também assistente de Russ Manning, em Magnus, Robot Fighter, e mais tarde arte arte-finalista de Manning na tiras dominicais de Tarzan.

amadora bd 2017
Black Panther por Jack Kirby & Mike Royer. Não vai estar presente no Amadora BD, mas é uma boa amostra do trabalho da dupla.

Royer foi o arte-finalista principal de Kirby na DC Comics, tendo trabalhado em títulos como Forever People, New Gods, Mister Miracle, Demon  e Kamandi. O autor, nascido em 1941, também assinou a arte completa de algumas histórias publicadas na Creepy e Vampirella.

Em 1979, abandonou a banda desenhada passando a realizar diversos tipos de arte para os parques temáticos e departamento de Consumer Product/Lincensing da Disney. Nos últimos anos tem trabalhado em regime de freelancer para o gigante do entretenimento, principalmente, em projectos relacionados com Winnie the Pooh.

As Exposições das Defuntas Vedetas

Existem algumas pessoas que ficaram ofendidas por eu ter utilizado o termo defuntos num antigo anterior. Contudo a verdade é que as grandes vedetas do certame deste ano são as exposições de Kirby e Will Eisner, dois mestres que cuja obra influenciou gerações, mudou a banda desenhada e, apesar de em vida não terem tido as relações mais cordiais, partilham o mesmo ano de nascimento, pelo que este ano celebram ambos o centenário do seu nascimento.

Contudo, a importância história que os autores têm não altera o facto de terem falecido e serem por isso defuntos, eles não são um atractivo por estarem presentes, como chegou a acontecer com Will Eisner no passado, mas por terem arte da sua autoria em exposição.

Esta é a grande mudança que tem vindo a acontecer no Amadora BD nos últimos anos, mais concretamente na última década, o grande foco do festival passou a ser a parte expositiva tendo os autores, a sua presença, passado para secundário. Existindo situações em que as exposições e autores presentes estão completamente desligados do mercado da BD nacional.

Existem autores, como os da exposição central, que não estão presentes no festival para promoverem uma obra, o seu trabalho, mas unicamente para promover as exposições.

O autor, vivo, que recebeu mais destaque por parte do festival é Nuno Saraiva, porque ganhou um prémio na Amadora. Porque apesar de ter uma extensa carreira e ser um dos autores nacionais mais conhecidos, só tem destaque na Amadora porque o festival lhe atribuiu um prémio. Embora seja de salientar que o festival só promoveu a exposição que lhe é dedicada, e não a presença do autor, a qual é algo que só está implícito na informação disponibilizada.

Mas, Nuno Saraiva, à semelhança de qualquer outro autor nacional é pouco para cabeça de cartaz de um evento nacional e, muito menos, para justificar uma deslocação à Amadora. Isto não se deve à qualidade do autor, mas a outros factores. Os autores nacionais costumam ficar chateados quando menciono este facto, mas Saraiva até é um excelente exemplo para desenvolver o argumento sobre a “necessidade” de ter vedetas internacionais nos grandes eventos nacionais.

Fado Saraiva

O motivo porque os autores nacionais não são grande chamariz, como cabeças de cartaz de um evento, é devido ao facto de existir diversos eventos ao longo do ano, de diversas dimensões e formatos, onde os leitores os podem encontrar.

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Tomemos o caso de Nuno Saraiva como exemplo, este ano para além de ser cabeça de cartaz na Amadora é também cabeça de cartaz na Comic Con  Portugal.

A diferença é que no evento de Matosinhos tem a companhia de dois pesos-pesados como Brian Michael Bendis e Hermann, para além de outros autores que já foram divulgados. Sendo que na CCPT até existe a vantagem de se saber os dias em que ele vai estar presente, algo que não sucede na Amadora.

Como vem sendo habitual o festival deixou o anuncio da presença dos autores nacionais para a última hora, Nuno Saraiva apesar do destaque que foi dado não foge à regra. Porque para o AmadoraBD o que lhe interessa é que vai ter lá trabalhos deles, porque o grande foco do festival é as exposições que realiza, mais do que as obras ou os autores.

Os únicos autores nacionais cuja presença está assegurada é aqueles que vão realizar apresentações de obras, cujo programa já foi divulgada. Mesmo os autores internacionais ainda não é conhecida as horas das sessões que vão realizar sessões de autógrafos.

Mas sejamos honesto, em particular neste primeiro fim-de-semana, as sessões de autógrafos dos convidados internacionais são irrelevantes. Afinal três não são autores e os restantes são desconhecidos e inéditos. Até Royer não tem muito trabalho publicado em português, se é que tem algum…

O Salão de Lisboa na Amadora

Existiam mais alguns apontamentos que podia fazer, mas este texto já vai longo e o festival dura até 12 de Novembro, o que não falta é tempo para falar, sobre as habituais “peculiaridades” de um evento de projecção nacional e internacional que é suposto ser organizado por profissionais.

Convém é salientar que apesar de a programação do evento ignorar a maioria da editoras, em particular as maiores, a área comercial do festival vai contar com a presença de todas as editoras nacionais.

A listagem oficial disponibilizada pela no  site do evento indica a presença das seguintes editoras: Polvo; Planeta DeAgostini; Devir; Goody; Comic Heart; Arte de Autor; Kingpin Books; Âncora Editora; Levoir; Chili com Carne; G Floy e Leya/Asa. Para além destas editoras a Escorpião Azul e a Bicho Carpinteiro também vão ter os seus livros à venda festival, embora não seja em banca própria.

Tendo em conta o número de editores e o volume de edições existente não deixa de ser estranho que só três editoras tenham exposições: a Polvo com quatro exposições (João Sequeira, Marcello Quintanilha, Henrique Magalhães e Jan Bauer) e Kinpin Books e Chilli Com Carne com uma cada,  Fósseis das Almas Belas e Revisão respectivamente.

Do mesmo modo só vão estar presentes convidados da Polvo: Marcello Quintanilha, Henrique Magalhães, Jan Bauer e Filipe Nunes, autor que também é editado pela Kingpin Books, a qual também vai contar com a presença de Grazia LaPadua e Gustavo Borges, autor que também é editado pela Bicho Carpinteiro, e a G. Floy com a presença de John Layman, cuja presença só acontece porque a editora convidou o autor sem se preocupar se o festival ajudava a pagar as despesas. Mas, estes convidados internacionais, com obra publicada, só vão estar presentes no segundo e terceiro fim-de-semana do evento.

É muito pouco para aquilo que é a realidade do mercado nacional, algo que vai ser possível comprovar no evento quando se contrastar a diversidade de oferta das editoras nacionais e a aquilo que é o festival a nível de exposições e autores presentes.

Embora se possa adicionar à lista anterior as exposições de ilustração infantil de Joana Estrela e Ana Pez, autora espanhola que também estará presente.

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O Amadora BD abre as portas na sexta-feira e o grande atractivo são as exposições, se estiverem prontas a horas! E queridos, eu não estou a ser má língua, só estou a mencionar o facto de que nos últimos anos tem existido exposições que só é possível visitar na integra no segundo fim-de-semana, porque no primeiro ainda estavam a ser montadas!

Nota do editor: Ainda não existe informação sobre os vencedores dos Concursos do ABD, e também não é conhecida a lista dos nomeados para os PNBD. Quando essa informação for disponibilizada pela organização será divulgada.

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