Marília Feldhues mergulha no Sub-Consciente

O subconsciente de Dre Amos, em O Cemitério dos Sonhos é ilustrado por Marília Feldhues.

Se têm acompanhado estas pequenas crónicas, então começaram a viagem pela Realidade desenhada pelo Rodrigo Martins dos Santos. Desta vez, mergulhamos na arte da Marília Feldhues, a única, dos quatro ilustradores, que é de Pernambuco.

dre_amos4No entanto, esta pequena curiosidade está longe de ser a mais importante: a decisão de dividir os níveis mentais por quatro elementos, em que 2 são homens e 2 são mulheres, não foi inocente.

Primeiro, um pouco de contexto para entender o que vem a seguir: cresci no mundo dos super-heróis americanos dos anos 90 e do humor franco-belga como Astérix, Lucky Luke ou mesmo Os Túnicas Azuis. Toda a violência que absorvia dos comics que lia, provinha apenas e somente das mãos e mentes de autores masculinos. Portanto, inconscientemente, via as autoras femininas como artistas “sensíveis”, com um traço “fofo” e redondo, pouco interessadas na violência gráfica que proliferava nalgumas histórias.

Mais tarde, descobri que mulheres como Becky Cloonan, Amanda Conner ou Fiona Staples (só para enumerar as favoritas) podiam ser iguais ou superiores em traço agressivo; e que autores masculinos como Craig Thompson aproximavam-se de uma arte mais redonda e “fofa”. E embora reconheça que não é o género que determina a sensibilidade, ou falta dela, a minha convicção é que, ainda assim, as mulheres, na sua generalidade, têm uma capacidade para descodificar mais depressa certas emoções ou sentimentos do que os homens. E foi partindo dessa premissa (que pode ser errónea, mas aqui resultou) que decidi que a Marília Feldhues tinha o tom certo no seu traço e cor para passar a emoção exata que queria em cada página. O resultado, podem vê-lo nos concepts e páginas que vos mostramos. A Marília Feldhues foi uma das mais entusiastas quando leu a história e também marcou o seu início numa carreira ligada à BD.

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No meio de texto e contexto faltou explicar o essencial: o sub-consciente onde Dre Amos entra. O primeiro grande conflito do nosso protagonista flutua nas páginas da Marília Feldhues e, se o vence ou não, é preciso ler mesmo o livro para se ter uma resposta satisfatória.

 

Toca a agitar o Dre Amos em nós!  E não se esqueçam que no próximo dia 30, domingo vou estar no 27º Amadora BD para uma sessão de autógrafos das 15h às 19, com uma pequena pausa das 16:30 às 17h para ir fazer a apresentação dos projectos da Bicho Carpinteiro no auditório do Fórum Luis de Camões com o André Morgado.

 

 

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