70 anos de Lucky Luke no Amadora BD 2016

Na edição 2016 do Amadora BD, em associação com o Clube Português de Banda Desenhada, a Amadora celebra os 70 anos de Lucky Luke. 

Morris (Maurice de Bévère) criou Lucky Luke, “o cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra” em 1946, para a revista Spirou.

Morris conseguiu com Lucky Luke um dos maiores best-sellers da BD em todo o mundo, incluindo Portugal. E dedicou toda a sua carreira a esta personagem.

Desde a sua criação, Lucky Luke vendeu cerca de 300 milhões de álbuns em todo o mundo. Já protagonizou 80 álbuns (não contando com as séries paralelas), filmes de animação, séries de televisão, jogos de video e adaptações ao cinema.

Da imaginação de Morris (e também da de Goscinny, com quem colaborou entre 1955 e 1977), nasceu uma galeria imortal de personagens: de Jolly Jumper a Rantanplan, passando por aqueles que, apesar de terem um fundo “autêntico” ganharam outras cores no mundo da banda desenhada, como Calamity Jane ou os famosos irmãos Dalton. Ainda as caricaturas de tipos mais genéricos, do agente funerário ao jogador.

Morris foi o primeiro convidado internacional do Amadora BD (logo na 1ª edição em 1990) e, consequentemente, teve uma importância decisiva na internacionalização e credibilização do evento. Regressou ao festival na edição de 1992, ano em que recebeu o Troféu Honra, a maior distinção da banda desenhada portuguesa. Portanto, é plenamente justificada a associação do festival ao aniversário do herói.

70 anos de Lucky Luke

Tal como sucedeu quando a Amadora decidiu comemorar o (75.º) aniversário de Spirou, eu sou o comissário da exposição, e Carlos Farinha (aqui com Sofia Mota) assina o projeto e execução de cenografia. Lamentavelmente, ao contrário do que sucedeu com Spirou, não foi possível obter o número de originais inicialmente esperado, embora haja originais de elevadíssimo nível na exposição (como o The Lucky Band, ilustração de Morris que serviu de capa a um LP). Mas mantém-se a aposta num novo conceito de exposição de BD que, no futuro, poderá diferenciar a Amadora.

Refletindo, sobretudo, o trabalho que fiz em colaboração com o CNBDI entre 2002 e 2010, privilegia-se um percurso na exposição. Procura-se que a mostra tenha um sentido, para além da apresentação de pranchas e ilustrações numa parede. Assim, tal como aconteceu com Spirou, cada quadro tem um pequeno texto que pode ler-se em continuação, de quadro para quadro, permitindo ao visitante perceber a razão de ser da exposição, e acompanhar aquilo que tornou Lucky Luke num grande sucesso da BD mundial: aspetos históricos, biográficos, técnicos ou outros.

Esse sentido é reforçado com visitas guiadas (aos domingos, às 16 horas).

É um modelo que eu gostaria de implementar também no Clube Português de Banda Desenhada, mas que depende de meios de que o Clube ainda não dispõe.

Efetivamente, fatores como o valor crescente dos originais de BD, ou o facto de muitos autores trabalhares apenas com ferramentas digitais (pelo que os seus originais são uma impressão), obrigam a repensar o que é (e o que pode ser) uma mostra de banda desenhada.

O aniversário de Lucky Luke é reforçado pela publicação, durante os dias do festival, de “A Terra Prometida”, um novo álbum. Mas o facto de ser um lançamento mundial reflete a menor dimensão do mercado português, impedindo os autores, que necessitam de estar presentes em “verdadeiros” mercados por esta altura, de virem até á Amadora festejar.

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