Juiz Dredd chega a Portugal com Alan Moore, Dave Gibbons e Brian Bolland!

Juiz Dredd (Judge Dredd no original) é um dos personagens icónicos da banda desenhada britânica, e a estrela da mítica 2000 AD, a revista semanal onde deram os primeiros passos a maioria dos autores de BD do Reino Unido, como Alan Moore, Grant Morrison, Brian Bolland, Mark Millar, Dave Gibbons e muitos outros.

Publicada em Maio de 2013 no Brasil pela Mythos Editora, Juíz Dredd Megazine – trocadilho de Mega e magazine, numa referência a Mega City 1, cidade onde habita Dredd – chegou este mês (Setembro de 2014) a Portugal.

Apesar do título, que tenta capitalizar a popularidade de Dredd, a generalidade do material publicado na revista vem das páginas de 2000 AD, e não de Judge Dredd Megazine, a revista mensal da personagem em terras britânicas.

Como a Juiz Dredd Magazine é mensal cada número apresenta dois a três episódios de cada série por edição. Os editores brasileiros optaram pelas séries mais interessantes dos últimos anos (Área Cinzenta, Áquila, Nikolai Dante), uma selecção de história recentes de Dredd e de alguns clássicos do personagem. Para o Matt Smith, editora da 2000 AD, é “uma selecção muito equilibrada” do vasto material publicado da revista britânica.

Dredd é a Lei!

O mais famoso juiz de Mega City Um, Joseph Dredd, habita num futuro não muito distante, após uma guerra nuclear ter destruído a maior parte do planeta. Restaram apenas algumas metrópoles protegidas por redes de defesa anti-míssil: as megacidades, a maior delas é Mega-City Um.

Quando Juiz Dredd foi concebido em 1976-1977, a série era para se desenrolar em Nova Iorque, num futuro próximo. Contudo, Carlos Ezquerra – que desenhou a primeira história para a série – desenhou um arranha-céu no fundo de uma vinheta de tal modo futurista que o (então) editor da 2000 AD, Pat Mills, lhe pediu para desenhar uma ilustração de página inteira da cidade. A visão de Ezquerra da cidade – com torres enormes e estradas intermináveis suspensas a grandes distâncias acima do solo, sem meios visíveis de apoio – era tão futurista que levou mudança de planos, e uma cidade totalmente nova foi proposta. O director de arte Doug Church sugeriu que a cidade deveria estender-se ao longo de toda a costa leste dos Estados Unidos, e ser chamado de Mega-City Um, a sua ideia foi adoptada.

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O excesso de população, de Mega City Um, origina que a maioria dos dos habitantes não tem outra opção que não seja em enormes condomínios verticais, cuja elevada concentração populacional não ajuda a reduzir as tensões, agravadas pelo desemprego elevadíssimo de quase 90%, em Mega City a maioria do trabalho é realizado por robôs.

Após a guerra, Mega-City abandonou o sistema democrático e passou a ser governada pelo Departamento de Justiça, formado por juízes que acumulam a função de juiz, júri e executor.Este conceito sistema de justiça imediata foi criado por Eustace Fargo – do qual Juíz Dredd é um clone – para combater a criminalidade fora de controle das megacidades.

Treinado desde o nascimento para ser o magistrado perfeito, há décadas que Dredd protege Mega-City Um de criminosos como o demónio extradimensional Juiz Morte, o ciborgue psicopata Máquina Malvada e até seu próprio “irmão”, Rico Dredd, outro clone de Eustace Fargo.

Neste primeiro número da sua Megazine brasileira, Dredd surge em duas histórias: “O zoológico alienígena“ e o primeiro capítulo de “Guerra Total”.

Com arte de Brian Bolland, “Zoológico Alienígena” foi escrita por John Wagner – argumentista que criou Dredd – que surge creditado na história como John Howard.

A segunda história onde Dredd surge – também escrita por John Wagner –  é “Guerra Total”, uma história em continuação que tem aqui publicado o seu primeiro capítulo, com arte de Henry Flint e cores de Chris Blythe.

A Área Cinzenta da Imigração extra-terrestre

Em 2045, existe a Zona Global de Exosegregação também chamada de Área Cinzenta, criada após um primeiro contacto da humanidade com uma espécie alienígena que acabou em tragédia. A intenção dos alienígenas era simplesmente saudar a humanidade e recebê-la entre as outras civilizações da galáxia.

Contudo, o nanovírus utilizado pelos extraterrestres para se comunicar com outras espécies revelou-se inesperadamente letal para a raça humana. Faleceram muitos terráqueo, outros sofreram mutações genéticas, tendo o incidente que ficado conhecido como “A Saudação”, sendo os os mutantes gerados por ele chamados de “saudados”.

A Saudação motivou a humanidade a proteger melhor suas fronteiras. Uma rede de satélites de defesa foi colocada no espaço para impedir incursões alienígenas ilegais, e os visitantes legais – oficialmente chamados de “exoterrestres” ou, simplesmente, “exos”  – são submetidos a diversos exames, antes de pisar no planeta, na  “Área Cinzenta”.

O local tornou-se rapidamente num gueto alienígena, onde a ordem precisa ser mantida pelas forças de elite da Divisão de Exotransferência Controlada, ou ETC. A série acompanha uma das equipes da ETC comandada pelo autoritário capitão Janzen.

Área Cinzenta tem argumento deDan Abnett (Guardiões da Galáxia) e arte de Karl Richardson, o autor da capa deste número da Megazine

Sláine e o anão Ukko

Baseado na mitologia celta, Sláine, desenrola-se séculos antes da conquista romana e do surgimento do cristianismo.

A região que constitui hoje a Europa ocidental era habitada pelos celtas, uma sociedade tribal que dominou a maior parte do continente até a chegada dos romanos. De uma dessas tribos, a Sessair, surgiu Sláine, guerreiro do Ramo Vermelho destinado a se tornar o primeiro grande rei da Irlanda.

Expulso de sua tribo por ter ousado dormir com a mulher do líder, Sláine vaga por Tir Nan Og (a Terra dos Jovens, lar dos celtas) na companhia de Ukko, um anão de moralidade duvidosa. Juntos, os dois armam uma infinidade de esquemas para ganhar dinheiro enquanto Sláine planeia o retorno à sua tribo.

“O monstro do tempo”, história publicada neste número, é escrita por Patt Mills e ilustrada por Angela “Angie” Kinkaid, esposa de Mills e que por vezes surge creditada como Angie Mills.

Nikolai Dante e o Império Russo do Futuro

No distante século 27 a Rússia é novamente um impériodomina a maior parte do planeta — e até mesmo sobre outros planetas,governada com mão de ferro pelo czar Vladimir, o Conquistador.

Contudo a vida no Império não é fácil para os comuns cidadãos, ainda empobrecidos e assolados pelo crime, nem para o criminosos, mesmo os de renome como o aldrabão e ladrão Nikolai Dante.

Filho de pai incógnito e abandonado na infância pela sua mãe, a temível pirata Katarina Dante, Nikolai foi obrigado a sobreviver nas ruas, tendo desenvolvido com mestria os talentos de ladrão, lutador e sedutor. Mas um encontro com Eugenia Vladimirovna Makarova (ou Jena Makarov) a a filha e herdeira do czar vai mudar para sempre a vida de Dante.

Esta série é escrita por Robbie Morrison e arte está a cargo de Simon Fraser.

Crono-canas, os crono-bófias

As histórias curtas (de 5 páginas) são uma das características da 2000 AD, seja nas “séries” Future Shocks ou Time Twisters, onde a maioria dos novos autores da 2000 AD são testados. Um dos autores que fez muitas dessas histórias foi Alan Moore, então em início de carreira na banda desenhada. Esse material é completamente inédito em português (quer em Portugal quer no Brasil) e a Megazine permite descobrir esses contos.

Alan Moore e Dave Gibbons

Originalmente intitulada de “Cronocops“, que em português de Portugal seria traduzido por algo como crono-policias ou cono-bófias, é uma das primeiras “Distorções Temporais” (Time Twisters) realizadas Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, a dupla de Watchmen, tendo sido  publicada na 2000 AD n° 310, em 1983.

Existem outras outras histórias curtas de grandes autores britânicos, no acervo da 2000 AD, que poderao surgir em futuros números da revista, por agora fica uma edição que permite, também, aos leitores portugueses terem contacto com material de uma das mais emblemáticas revistas da BD europeia, via Brasil!

Juíz Dredd Megazine tem 68 páginas, no formato 20,5 x 27,5 cm e está à venda nas bancas nacionais com um preço de 5 euros.

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