Je suis Charlie: David Soares

O trágico atentado terrorista islâmico em Paris que vitimou colaboradores do semanário satírico francês Charlie Hebdo é um lembrete de que nem todos vivem no mesmo mundo, algo que, infelizmente, o Ocidente tem muita dificuldade em compreender — ou em aceitar, o que, no fundo, tem as mesmas consequências.

O problema do islamismo dito “radical” é que só é homogéneo nos efeitos, porque as causas variam muito: há grupos que observam o islamismo como sendo uma espécie de ideologia de forte recorte nacionalista que pode ser usada à força contra as aspirações “imperialistas” do Ocidente (seja lá isso o que for); outros, menos líricos nos seus desígnios, somente querem ver Israel e os Estados Unidos a arder e o resto da história escrever-se-á um dia de cada vez; outros, ainda, pautam-se por objectivos antiquíssimos (para os quais até existem datas fixas de concretização — podem crer) e que se relacionam com a (re)instituição, diga-se assim para simplificar, de uma teocracia islâmica de dimensões globais: o tal Grande Califado.

Por conseguinte, interpretar os atentados terroristas islâmicos como sendo um fenómeno unívoco e de fácil diametrização pode ser tentador para resultados de comunicação social, mas de pouca utilidade. O que também é de pouca utilidade é a atitude semidiplomática, entre a estupefacção e a cobardia, com que o Ocidente, espaventado, olha para estes episódios. A verdade é que os indivíduos e as sociedades por eles compostas vivem, sobretudo, em mundos feitos de ideias, mais do que em mundos feitos por fronteiras físicas, sejam estas velhas ou novas, o que significa que somente através da contraposição de ideias se poderá, lentamente, e durante muitas gerações, mudar inequivocamente o panorama contemporâneo que é, bem avaliadas as coisas, a continuação directa de um panorama primário que nunca desapareceu.

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