Inauguração da exposição “Zombie” de Marco Mendes

“Zombie” invadiu a Galeria Abysmo esta sexta-feira e nem as paredes escaparam ilesas! Exibindo as pranchas originais da novela gráfica homónima de Marco Mendes (Diário Rasgado, Anos Dourados), editada o ano passado numa parceria entre a Mundo Fantasma e a Associação Turbina, a exposição convida-nos a fazer uma viagem de 24 horas entre a Figueira da Foz e o Porto, guiados pelo próprio autor, reflectindo sobre a juventude, a emigração, as praxes e o significado da dança macabra.

Além dos originais de “Zombie”, o autor presenteia-nos ainda com uma ilustração feita na própria parede da galeria, alusiva aos temas da obra. Serigrafias do autor e o livro estão disponíveis para venda, este último contendo o texto “Quando Eu For Grande”, da autoria do francês Samuel Buton, além da novela gráfica escrita e desenhada por Marco Mendes.

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O formato à italiana, o tom azulado, a quadrícula (quase sempre) rasgada em quatro e o protagonista auto-retratado a fazer de Marco Mendes em cenários e temas urbanos: estes são os tijolos essenciais de uma obra que, apesar de estar no início, construiu já uma casa na paisagem rarefeita da banda desenhada nacional.

Como convém à convenção da narrativa autobiográfica, o quotidiano de Marco-Mendes-a-fazer-de-si é a matéria-prima das suas desventuras, amorosas e políticas, artísticas ou apenas banais. A sua voz blasé é servida por um estilo como que esboçado, a fingir isso mesmo, que são esquiços onde se ensaia um verismo sujo, frases desenhadas arrancadas à comum dificuldade da vida. Não nos deixemos enganar: a autenticidade, como o improviso, dá muito trabalho.

No fim da leitura, é um pedaço de vida que sentimos pulsar nas mãos, coisa rara em qualquer disciplina da ficção. Está isto ainda mais patente neste capítulo não tão fragmentário como os anteriores, ciclo mais longo de um trabalho que se espera em progresso. Destacando-se daqueles que o Marco-a-azul tem que enfrentar sempre, aqui o tema é a abominável prática da praxe académica, essa nódoa que insiste em dizer-nos o quão perto estamos da mais brutal pré-história. Dificilmente se encontraria melhor assunto para esta voz noctívaga cantar. E canta aqui a morte que vive hoje (como sempre?) na nossa casa. Ora os originais revelam-no em tons mais agudos.Apresentação da exposição pela Abysmo

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A exposição continuará no rés-do-chão do número 40 da Rua Horta Seca, em Lisboa, até dia 6 de Fevereiro, podendo ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10 e as 13 horas e entre as 15 e as 19 horas.

Fotografia por Fábio Batista | Página de Facebook: Kerubyn Photography
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