História do AmadoraBD: 1994

Em 1994, o AmadoraBD figurou como iniciativa paralela no programa de Lisboa ’94 – Capital Europeia da Cultura.

Em comemoração de 5.º ano de Festival, a edição de 1994 foi uma das mais conseguidas no que respeita a exposições.

1994
Cartaz de António Jorge Gonçalves

A exposição dedicada à obra de Will Eisner foi um marco na potencialidade de excelência de apresentação que o festival detém. O consagradíssimo mestre norte-americano continuou a referir-se em termos elogiosos à exposição que esteve na Amadora, em entrevistas concedidas no estrangeiro, anos depois de 1994.

Premiada na edição de 1993 do AmadoraBD, a obra de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves esteve em grande destaque entre as exposições de 1994. ‘Filipe Seems’ ocupava um espaço singular, num quadrado de quatro módulos quadrados, logo à entrada da Fábrica da Cultura.

Uma retrospectiva fotográfica dos primeiros cinco anos de AmadoraBD, antecedia uma mostra sobre o universo da ‘Catedral Invisível’, também premiado em 1993. ‘Inês de Castro’, o álbum de Eugénio Silva foi o motivo de uma interessante exposição, onde os “bastidores” de uma BD e o processo de impressão não foram esquecidos. Miguelanxo Prado trouxe à Amadora uma obra-prima da BD mundial, ‘Traço de Giz’.

A mostra dedicada a Bourgeon foi das mais aguardadas e aplaudidas, e ocupava um grande espaço que antecedia três pequenas mostras: “Mankiko” sobre a revista angolana com o mesmo título, “Feiticeira Africana” do espanhol Marco Nadal, e a mostra de jovens autores portugueses “Violência”. Passando a área comercial, estavam três exposições de grande nível: uma dedicada à obra de Muñoz, outra dedicada ao trabalho de Breccia, e uma outra de ‘odiosas comparações’ entre os épicos “Capitão Trovão” e “Principe Valente”. Atravessando uma pequena rua, o intercâmbio cultural entre Amadora e Córdova reafirmava-se com a pequena mostra “Lendas de Córdova”. Novos trabalhos de autores portugueses, concretamente “A Voz dos Deuses” de João Amaral e Rui Carlos Cunha e “O Castro” de José Ruy, preparavam um espaço que convidava o espectador mais jovem, com o urso Petzi e o registo dos trinta e cinco anos de Astérix.

Na outra “margem” da Fábrica da Cultura, impunha-se uma grandiosa embarcação, construída a partir das referências de um navio do século XV, onde se mostrava a temática dos descobrimentos portugueses na banda desenhada. Mais albuns nacionais com direito a exposição individual eram “Um Caso de Ópio” (de Patrícia Fonseca e Carlos Morais) e “Maldita Cocaína” (de Rui Lacas e Jorge Magalhães), antecedendo os trabalhos participantes nos concursos de banda desenhada e cartoon. “TransEuropa” era uma mostra colectiva sobre a história da Europa Ocidental, na forma de uma viagem de comboio. Finalmente, “Opus 5” de Mordillo e “A Bicicleta na BD” abriam caminho para, passando o auditório, a já referida mostra dedicada à obra de Will Eisner.

Entre os autores convidados que marcaram presença na Amadora em 1994, e sem prejuízo de grandes nomes como Muñoz, Prado ou Boucq, Will Eisner foi, naturalmente, a grande vedeta. O autor de “The Spirit” e criador da “graphic novel”, encantou a Amadora, cumprindo um programa repleto de sessões de autógrafos e contactos com a imprensa. A grande desilusão foi a presença de Bourgeon, que, muito aguardado, não agendou qualquer sessão de autógrafos.

No que respeita à prémios, o troféu para Melhor Álbum Português distinguiu “Filipe Seems – A História do Tesouro Perdido”, de António Jorge Gonçalves e Nuno Artur Silva (Edições Asa), o troféu para o Melhor Álbum Estrangeiro Editado em Portugal distinguiu “Verão Índio”, de Hugo Pratt e Milo Manara (Editora Meribérica-Liber), e o Troféu Honra distinguiu Miguelanxo Prado.

Autor, coleccionador, crítico e divulgador de banda desenhada, Pedro Mota colabora com o AmadoraBD desde 1995. aElipse é uma crónica semanal que será publicada no aCalopsia aos sábados.

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