História do AmadoraBD: 1993

1993 é o ano em que o AmadoraBD estabiliza a sua muito alta fasquia, consolidando os objetivos da atenção da comunicação social, e da projeção internacional

1993 é o ano em que o AmadoraBD estabiliza a sua muito alta fasquia, consolidando os objetivos da atenção da comunicação social, e da projeção internacional (a começar no convite para integrar as comemorações do vigésimo Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême, e a prosseguir com a inclusão do Festival, a partir desse ano, no Calendário Internacional de Festivais de Banda Desenhada, editado pelo Museu de BD daquela cidade francesa).

1993Dominado pela presença dos autores Jean “Moebius” Giraud e Mordillo, a edição do AmadoraBD tinha um programa vasto e ambicioso, que proporcionou um número de visitantes próximo dos vinte e seis mil, um novo máximo nacional.

Numa iniciativa poucas vezes repetida, o festival apresentou uma grande mostra coletiva (Luso ‘BD) de banda desenhada de (23) autores portugueses: José Abrantes, Borges, Diniz Conefrey, Luís Diferr, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Catherine Labey, Rui Lacas, Luís Louro, Fernando Martins, Jorge Mateus, João Mendonça, Pedro Morais, José Morim, Renato, José Ruy, os gémeos Santos, Nuno Saraiva, Eugénio Silva, Maria João Worm, Zeu e Fernando Relvas.

As obras distinguidas na edição de 1992 serviram de ponto de partida para três exposições: a série “Fulù” de Trillo e Risso, “A Moura Cassira” de Augusto Trigo e Jorge Magalhães, e o universo humorístico de Michel Bridenne.

As restantes exposições – sempre servidas por extraordinários trabalhos de cenografia – mostram bem o nível, ambição e diversidade do evento: Jean Giraud/Moebius, Mordillo, “Filipe Seems”, “Calvin & Hobbes”, Mathias Schulteiss, “Salamão e Mortadela”, “O Mundo de Tintin” (produzida com a Fundação Hergé), “Jazz e BD”, “Mulheres” (de autoras nacionais), e “As Aventuras do Latex”. O angolano Abrãao, do jornal Mankiko, e o brasileiro Arthur Garcia mantinham a aposta num espaço de lusofonia.

Duas pequenas exposições merecem ainda destaque por corresponderem a uma linha de programação que o festival veio a abandonar, mas que têm toda a pertinência: “Export BD”, centrada nos passos de internacionalização dos autores portugueses, e “Sentimentos”, sobre o estreitamento cultural entre as cidades de Amadora e Córdova.

Entre os autores presentes, Jean “Moebius” Giraud foi mesmo a grande estrela, dando, por si só, a condição de adolescente (a caminho da idade adulta) a um festival com apenas quatro anos de existência.

Outros autores que marcaram presença foram José Abrantes, Renato Abreu, Nazaré Álvares, Victor Borges, Diniz Conefrey, Vera Crespo, Ana Cortesão, Luís Filipe Diferr, António Jorge Gonçalves, José Garcês, Alice Geirinhas, Arthur Garcia (Brasil), Rui Lacas, Catherine Labey, Guillermo Mordillo (Argentina), João Mendonça, Jorge Mateus, Fernando Martins, José Morim, Pedro Morais, Marina Palácio, José Ruy, Eugénio Silva, Nuno Saraiva, Luís Louro, TóZé Simões, Carlos Santos, Fernando Santos, Manuela Torres, Augusto Trigo, Maria João Worm, Zeu, Francisco Ibañez (Espanha) e Abraão Eba (Angola)

Quanto a prémios, 1993 inaugura um novo prémio, para os fanzines (seria para on.º 20 do Banda). O troféu Zé Pacóvio e Grilinho para o melhor albúm português distinguiu Ana, de António Jorge Gonçalves e Nuno Artur Silva (Edições Asa), enquanto que o troféu para melhor albúm estrangeiro editado em Portugal foi para Face da Lua – A Catedral Invisível, de Boucq e Jodorowsky (Meribérica-Liber). Entre os premiados dos concursos, estavam futuros “consagrados” como Ricardo Blanco, João Fazenda, ou André Ruivo.

O Troféu Honra distinguiu pela primeira (e até agora única) vez uma editora: as edições Asa, que desde a segunda metade da década de 80 do século XX se vinham afirmando como o grande impulsionador da BD portuguesa. Sem surpresas, durante cinco anos consecutivos (entre 1992 e 1997) as edições Asa são distinguidas com o Troféu Zé Pacóvio e Grilinho na categoria do melhor português.

Written By
More from Pedro Mota

O prémio do Cabetula

Em Angola, no passado dia 10 de Novembro, o Núcleo de Jovens...
Read More

1 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *