História do AmadoraBD: 1991

Ainda não foi em 1991 que o AmadoraBD ganhou dimensão e deixou a fase da infância. Uma viagem à segunda edição do Amadora BD em aElipse de Pedro Mota.

Ainda não foi em 1991 que o AmadoraBD ganhou dimensão e deixou a fase da infância.

O evento muda-se para a Associação Académica da Amadora, mas sem grande ambição. A exposição patente na Académica da Amadora estava organizada como uma espécie de “open space”, compartimentada por pequenos módulos (acima de tudo editoriais). Numa visão de conjunto, o risco de monotonia causado pela uniformidade dos módulos era quebrado pela existência de figuras de BD recortadas em tamanho real. Um alegre Mortimer dava as boas-vindas aos visitantes, à entrada do pequeno labirinto de exposições. É a pré-história das cenografias da Amadora.

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Mantém-se a Feira de Fanzines de BD, e, mantém-se, praticamente, o mesmo leque de autores em destaque (José Ruy, José Garcês, Augusto Trigo, Catherine Labey, Eugénio Silva, Jorge Magalhães, José Antunes, José Neto, Louro e Simões, Victor Mesquita). A grande novidade é uma mostra de “Novos da BD Portuguesa”, que apresenta ao público os nomes de Alexandre Cabrita, João Fazenda, José Paulo Marques, Manuel Brum, Mara Andrade, Marina Palácio, Ricardo Blanco, Rui Abrantes, Rui Lacas, Vasco Antunes e Victor Borges.

É conferido um lugar de destaque a “Tornado”, o herói dos fanzines criado por Estrompa.

A banda desenhada continua a ser celebrada juntamente com outras formas de linguagem. No campo da animação, Vasco Granja leva à Amadora a obra de nomes como Halas e Batchelor, Raoul Servais, Frédéric Back e Abi Feijó. Pela primeira vez, ao lado da BD e do cinema de animação aparece o Cartoon. Nesta vertente, é evidenciado o trabalho de Sam, de Vasco, e o cartoon sobre desporto.

O Troféu Honra de 1991 distingue José Garcês. Prestigiado especialista na banda desenhada documental, representado na quase totalidade das revistas de BD portuguesas (Camarada, Lusitas, Fagulha, Papagaio, Cavaleiro Andante, Falcão, Foguetão, Pardal, Titã, Zoom, Pisca-pisca, Tintim, Mundo de Aventuras, Jacto, Girassol, Fungagá, etc.), e com dezenas de álbuns publicados, Garcês alia o facto de ser residente na Amadora à circunstância de ser, à data de 1991, um dos mais importantes embaixadores da BD portuguesa no estrangeiro, tendo integrado a representação portuguesa em vários festivais internacionais com destaque para Lucca, nas edições de 1978, 1980, 1982, 1984, 1986 e 1990 (este último como convidado de honra).

Apesar de não ter contado com qualquer grande nome da BD internacional, esta segunda edição do evento garantiu-lhe a continuidade e reforçou a credibilidade do projeto. A passagem para a adolescência passaria por assumir uma base de estabilidade. Essa base estável encontrava-se muito na edição de BD em Portugal, dominada pela gigante Meribérica-Liber, e com algum espaço para autores nacionais nas edições Asa. Tudo o resto eram a excepção que confirmava a regra. Para além dessa base, era necessário apostar na vertente internacional. O problema é que a Amadora não tinha capacidade para assegurar esta aposta de forma isolada. A equipa então liderada por Luís Vargas, para além de pequena, não tinha o conhecimento necessário para direcionar essa aposta. Num primeiro momento, seria necessário estabelecer parcerias.

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