Grupo jihadista condena autor de BD à morte

O grupo jihadista ISIS (Islamic State of the Iraq and Levant) oferece uma recompensa a quem assassinar o autor de banda desenhada Nayef al-Mutawa. Em causa está a obra The 99, que o ISIS acusa de zombar os 99 nomes de Alá.

O ISIS tem sido notícia pela tentativa de criar um emirato islâmico em território sírio e iraquiano e fez a oferta de recompensa através do Twitter. “Quem pode matar Nayef al-Mutawa por fazer troça dos nomes de Alá?” e “Quem o encontrar, que o mate e será recompensado”.

Al-Mutawa já retaliou dizendo que vai avançar com acções legais e respondeu na rede social dos 140 caracteres que o seu trabalho “tem glorificado o Islão desde os EUA à China nos últimos dez anos. Não acredito no ISIS, nem na Al-Qaeda, não quero saber deles”.

99 é o número de super-heróis na obra de al-Mutawa, cada um baseado em igual número dos atributos de Alá segundo o Corão. Para chegar a um público maior, independentemente de credos ou religiões, nenhum deles reza ou lê o livro sagrado islâmico.

Os poderes são-lhes dados por 99 pedras mágicas, escondidas nos 99 cantos do mundo por sobreviventes do ataque mongol a Bagdade. E sim, uma das pedras foi encontrada em Portugal – o que faz com que a obra tenha um super-herói português.

O autor defende que a sua obra foi criada como uma forma de recuperar o islamismo da mão dos militantes terroristas, utilizá-lo para fins políticos e criar role models positivos.

“Quero voltar à fonte de onde tiraram as mensagens de ódio e violência e oferecer mensagens de tolerância e paz no seu lugar. Quero dar aos meus heróis um Cavalo de Tróia na forma dos 99. O Islão é a minha Helena, quero-o de volta”.

Vários estudiosos da lei islâmica apoiaram al-Mutawa na criação de The 99, embora o governo da Arábia Saudita tenha banido a adaptação para série de animação e o Kuwait tenha apelado à “detenção de qualquer pessoa ligada à série”.

Nota do editor (10/01/15): Este artigo foi recuperado para página inicial para relembrar que os extremistas não têm como alvo só os não-muçulmanos.
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