Futuro Proibido, de Pepedelrey

Futuro Proibido
Futuros decalcados da Ficção Científica colidem numa história não linear, que nos recorda o lado experimental da literatura especulativa.

Parece estranho ver Pepedelrey, um dos grandes nomes da banda desenhada de vanguarda portuguesa, a dedicar-se a criar uma prosaica história de Ficção Científica. É um género frequentemente desdenhado, ou mal abordado, pelos praticantes de vertentes mais experimentais ou eruditos da expressão cultural. A sensação de estranheza mantém-se depois da leitura, não pela história em si, mas pela forma como o autor distorce os pressupostos narrativos do género. Mais do que uma genérica história de aventuras futuristas, Futuro Proibido é uma banda desenhada experimental, que inquieta o leitor pela aparente aleatoridade da sequência narrativa.

No futuro, numa prisão de alta segurança, uma prisioneira especial consegue libertar-se com extremo prejuízo. Nunca chegamos a conhecer esta personagem. Noutro ponto no futuro, a Terra é invadida por uma espécie alienígena, em busca de um planeta para se refugiar, fugidos de uma ameaça de extinção. Este alienígenas, impiedosos, exterminam a humanidade. Têm uma certa predileção por cérebros humanos, e são capazes de elevar prisioneiros a arautos. No que parece ser um futuro mais distante, um homem coberto de ligaduras acorda, reavivado por cientistas. Talvez seja um sobrevivente dos futuros proibidos que se abateram sobre a humanidade. Nunca o saberemos, é esse o ponto em que o livro termina.

Os ingredientes clássicos do género estão presentes em Futuro Proibido, conjugados numa não-linearidade que tem o seu quê de cut up narrativo. Fica a cargo do leitor o arrumar dos momentos da história naquilo que, para si, for a sequência certa. As expetativas da narrativa de Ficção Científica  são desafiadas neste exercício experimental, que se baralha os pressupostos do género. Visualmente, segue o estilo pessoal do autor, não comprometido com realismos ou estilismos vazios de conteúdo.

Futuro Proibido

Autores: Pepedelrey
Editora: Escorpião Azul
Páginas: 64, capa mole
PVP: 11 €

6 Argumento

8 Planificação

9 Temática

8 Desenho

5 Arte-Final

5 Cor

5 Legendagem

4 Produção

Futuros decalcados da Ficção Científica colidem numa história não linear, que nos recorda o lado experimental da literatura especulativa.

6.3
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