Exposições do Amadora BD 2017

A informação disponíveis sobre as exposições do Amadora BD 2017

Na próxima sexta-feira, dia 27 de Outubro, será a inauguração da do 28º festival internacional de banda desenhada da Amadora. Apesar de as informações sobre o evento surgirem, como é habitual, tardiamente e em pouca quantidade fica aqui as informações sobre as exposições do Amadora BD 2017.

Contar o Mundo – A reportagem em banda desenhada

Exposição comissariada por Sara Figueiredo Costa e com cenografia de Catarina Pé-Curto onde “serão percorridos temas da actualidade e da história recente a partir de reportagens assinadas por jornalistas de muitas geografias que usam a banda desenhada como linguagem do seu trabalho, a solo ou em parceria. Será uma exposição sobre reportagem e jornalismo, com a particularidade de só mostrar obras em banda desenhada – assumindo a banda desenhada sem fronteiras muito delimitadas, porque serão expostos trabalhos como os de Constantin Guys que são ilustrações de determinados momentos. O que se pretende é mostrar trabalhos jornalísticos, ou a caminho de o serem, e levantar algumas questões sobre as fronteiras do jornalismo e da reportagem (a questão da objectividade, da imparcialidade e do apagamento do repórter no trabalho), mostrando que a escolha da banda desenhada como linguagem ajuda a levantar estas questões, colocando outras, também.”

Retrospectiva Nuno Saraiva

Vencedor do Prémio de Melhor Álbum Português de Banda Desenhada 2016, com o álbum “Tudo Isto é Fado”, que reuniu um conjunto de curtas narrativas de BD publicadas na extinta revista Tabu do semanário Sol, entre 2014 e 2015, numa edição conjunta EGEAC/Museu do Fado e Sol. A exposição retrospectiva sobre os 30 anos de trabalho de Nuno Saraiva terá cenografia de Carlos Farinha.

Jack Kirby – 100 Anos de um Visionário

Reconhecido como um dos artistas mais influentes e prolíficos na banda desenhada. Ao lado do parceiro Joe Simon, Jack Kirby teve o seu primeiro sucesso ao criar um patriótico herói, popular até aos dias de hoje, em Captain America Comics # 1 na Timely Comics (empresa mais tarde conhecida como Marvel). O estilo de Kirby apaixonou os leitores, com acções dinâmicas e personagens que mal se continham nas suas vinhetas. Ele regressaria à Marvel no início da década de 1960 e inaugurou a era da Marvel na banda desenhada com a criação do Quarteto Fantásticos, os Vingadores, Thor, Hulk e muitos outros.

“Jack Kirby foi e continua a ser uma força criativa fundamental na história da banda desenhada. Ele conseguiu mudar a maneira como olhamos para a banda desenhada, tendo inventado novos conceitos, novas ideias, centenas de novos personagens e mundos inteiramente novos. A sua linguagem visual e forma de desenhar foram absolutamente originais.” – Tom Kraft

O Espírito de Will Eisner

Will Eisner é o pai do romance gráfico norte-americano e teve uma influência determinante na banda desenhada ao desenvolver estudos formais sobre a linguagem visual e narrativa e ao propor novos conteúdos e formatos, por exemplo, nas suas obras “The Spirit”, lançada na década de 1940, e “A Contract with God”, lançada em 1978.

Foi reconhecido internacionalmente como um gigante no campo da arte sequencial, um termo que ele próprio inventou. Eisner deu nome aos “óscares” da banda desenhada – os Eisner Awards – que todos os anos premeiam as melhores publicações nas diversas categorias da nona arte.

“Ele era respeitado e reverenciado em todo o mundo na medida em que ele nos permitia respeitá-lo e reverenciá-lo. Foi um professor e um inovador. Ele partiu de tal forma na dianteira, que o resto do mundo levou literalmente 60 anos para recuperar o atraso.” – Neil Gaiman, The Guardian

Esta exposição contém desenhos originais de Eisner, selecionados especialmente para o Festival AmadoraBD pelos curadores Denis Kitchen e John Lind, a partir das exposições paralelas da emblemática Will Eisner Centennial Celebration no Museu de Banda Desenhada de Angoulême e da exposição da Society of Illustrations ocorrida em Nova Iorque no início de 2017.

Revisão

A “Visão” foi uma revista improvável que fez ruptura com a banda desenhada tradicional portuguesa e que se apresentava nas bancas com cores brilhantes e temáticas políticas.

“Revisão” é um álbum – premiado com o Prémio Nacional de BD 2016: Clássicos da 9a Arte – que  comemora os seus 40 anos de história, recuperando um conjunto de bandas desenhadas esquecidas dos anos 70.

Fósseis das Almas Belas, de Mário Freitas

Exposição dedicada ao álbum de Mário Freitas e Sérgio Marques vencedor do Prémio Nacional de Banda Desenhada para  Melhor Argumento para Álbum Português, em 2106.

Mário Freitas é um multi-nomeado argumentista e editor de banda desenhada, com um cunho irreverente e iconoclasta, que gosta de revisitar figuras e acontecimentos históricos. Com desenhos de Sérgio Marques, Fósseis das Almas Belas tem a capacidade de mitificar a história portuguesa na época dos descobrimentos, através da relação que se estabelece entre um pai e os seus dois filhos.

Maria!…, de Henrique Magalhães

Henrique Magalhães nasceu na Paraíba, estado do Nordeste do Brasil, em 1957. Em 1975 criou a personagem de Banda Desenhada “Maria”, que foi publicada durante vários anos em tiras diárias nos jornais locais, além de revistas e álbuns. “Maria” notabilizou-se pela crítica aos desmandos do poder autoritário que se instalou no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. Se inicialmente era uma solteirona em busca de companhia, a pouco e pouco foi-se posicionando contra a ditadura militar, o cerceamento das liberdades políticas, a censura e os costumes arcaicos que estruturavam uma sociedade machista, racista, homofóbica e conservadora. Em 2016, com “Seu nome próprio… Maria! Seu apelido Lisboa” (Polvo), vence o Prémio Nacional de Banda Desenhada, na categoria de “Melhor Álbum de Tiras Humorísticas”.

Traços e Inspiração. A Presença Portuguesa no Mercado Norte-Americano de BD

Exposição dedicada aos autores portugueses no mercado norte-americano. Autores que vão estar em exposição? Ainda não foram divulgados, contudo o Amadora BD partilhou na sua página de Facebook um artigo sobre um painel na Comic Con Portugal com Jorge Coelho, André Lima Araújo e Miguel Mendonça.

“Teto de Biblioteca”

Rui Pimentel é arquitecto de formação mas cedo começou a colaborar em diversas publicações, ficando conhecido do grande público através do trabalho feito n’O Jornal e na Revista Visão. Pimentel expõe regularmente nacional e internacionalmente, tendo já recebido diversos prémios pelo seu trabalho, incluindo pela Amadora BD.

A exposição surge da vontade do próprio autor em mostrar ao público o trabalho que realizou propositadamente para decorar o tecto em caixotão da sua biblioteca particular.

Algumas personagens fazem-se acompanhar das suas obras mais relevantes mas, no caso particular da BD, Rui Pimentel optou pela representação das personagens mais marcantes em vez de representar os seus autores.

O Rio Salgado, de Jan Bauer

Jan Bauer (Preetz, Alemanha, 1976) cursou Ilustração na Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo e Animação no Queensland College of Art, em Brisbane. Durante os seus estudos especializou-se como pintor de paisagens, voltando-se depois para o cinema de animação.

A partir de 2002 começa a trabalhar como ilustrador freelancer, designer, argumentista e realizador e aparece ligado à produção de numerosos filmes publicitários em animação, curtas e longas-metragens, e séries. Foi também professor. Bauer apresenta-se como um fã de desportos de exterior, sempre pronto a afrontar os desafios da natureza.

A sua paixão por viagens é tratada em “O rio salgado” (Polvo, 2017), romance gráfico de estreia, que conta uma história de amor terno e inesperado, magnificamente enquadrada por espetaculares paisagens, que transportam o leitor ao fim do mundo, num périplo de quatrocentos e cinquenta quilómetros a pé através do coração escaldante da Austrália.

O cronista Marcello Quintanilha

Nascido em Niterói, Brasil, em 1971, Marcello Quintanilha mostra-nos nesta exposição alguns dos seus trabalhos mais representativos. “Fealdade de Fabiano Gorila” (Polvo, 2016) conta-nos uma história baseada na vida do seu pai, que foi jogador de futebol de várias equipes da sua cidade natal na década de 1950. Foi com este livro que se tornou conhecido no seu país.

“O ateneu” (Polvo, 2017), mostra-nos a sua faceta de adaptador, com a magistral passagem a Banda Desenhada do romance do escritor Raul Pompeia (séc. XIX). “Tungsténio” (Polvo, 2015) é o seu trabalho mais conhecido, premiado e traduzido. Relata-nos uma história que cruza os destinos de um sargento reformado do exército, de um jovem traficante, de um polícia sem escrúpulos e da sua mulher.

Um filme está a ser feito no Brasil, baseado no livro. “Talco de vidro” (Polvo, 2015) é brutal na forma como nos exibe a saga de Rosângela e vem apenas confirmar Quintanilha como um dos grandes autores mundiais da actualidade. Finalmente, “Hinário Nacional” (Polvo, 2016) é uma colectânea de histórias curtas que representam aspirações e desejos humanos.

Tormenta, de João Sequeira

Prémio Nacional de BD 2016 : Melhor Desenho Para Álbum Português

Tormenta” é um álbum de banda desenhada que pretende ser um ensaio sobre o tempo, o silêncio e a aceitação. É um livro sem legendas mas com muito para ler, ao qual temos vontade de voltar regularmente. A mestria de João Sequeira com o pincel volta a ser evidenciada através dos contrastes absolutos e da exploração de sombras e texturas. O trabalho do autor contribui assim para acentuar o impacto emocional desejado.

Madgermanes, de Birgit Weyhe

Prémio “Max and Moritz” no Festival de Erlangen

“O que constitui a fonte das memórias?” É esta a pergunta que serve de ponto de partida para o livro de Birgit Weyhe’s, Madgermanes, galardoado com o prémio “Max und Moritz” no Erlangen International Comic Salon 2016.

As três histórias que fazem parte do livro de Birgit Weyhe são de natureza ficcional, contudo, apresentam momentos da vida real provenientes de memórias que a autora registou num estilo de diário, documental, parecendo cartas enviadas para uma casa distante.

O prémio “Max und Moritz” apresentado pela cidade de Erlangen, é o prémio mais importante para a literatura gráfica no universo alemão. É entregue bianualmente em diferentes categorias por um júri de profissionais independentes durante a Erlangen International Comic Salon e, desempenha uma função fundamental no reconhecimento da banda de desenhada como arte.

Mana, de Joana Estrela

Prémio Nacional de BD 2016: Melhor Desenhador Português De Livro De Ilustração

Inspirado na relação que Joana Estrela tem com a irmã três anos mais nova, “Mana” surge como uma carta que uma irmã mais velha escreve à sua irmã mais nova, cheia de queixas e lamúrias sobre o comportamento desta. Visualmente cheia de detalhes que remetem para a infância, a história relata episódios com os quais todos os irmãos se podem facilmente identificar – livros riscados e brinquedos partidos – que no decorrer da narrativa dão lugar à partilha carinhosa do dia-a-dia, dos objetos e dos sentimentos.

O meu Irmão Invisível, de Ana Pez

Prémio Nacional de BD 2016: Melhor Desenhador Estrangeiro De Livro De Ilustração

Ana Pez gosta de experimentar diversas técnicas e formatos nos seus livros e “O meu Irmão Invisível” não é exceção. Escolhendo entre usar ou não os óculos que acompanham o livro, este conta-nos duas histórias diferentes: o mundo como o conhecemos e uma realidade paralela. Um exercício de genuína criatividade premiado internacionalmente

FIAT – Por estradas e vinhetas

Poucas são as marcas com o destaque que a Fiat teve ao longo dos anos na 9ª arte. Com modelos diversos, retratados nas mãos de pilotos profissionais, de detectives internacionais à procura de desvendar mistérios, heróis de universos fantásticos ou simples familiares em viajem, são desenhados de forma soberba.

Com traço definido e detalhado ou solto e expressivo, é fácil reconhecer a forma de modelos icônicos com o Fiat 500, o Fiat 850 ou mesmo o desportivo e veloz Fiat X1/9. Podemos, numa breve viagem conhecer os nossos heróis e as suas “Belle Macchine”.

Outras Exporições

E ainda… temos outras exposições algumas e, como é usual, algumas será em locais que não o núcleo central do festival.

  • Ano Editorial Português 2016-2017
  • Concurso Nacional De Banda Desenhada
  • Concurso Municipal de Banda Desenhada e Ilustração
  • Fernando Relvas: retrospetiva/outra perspetiva
  • Nomeados para Prémios Nacionais de Banda Desenhada 2017
  • Cidades, The Lisbon Studio
  • Mão inteligente: Raquel Roque Gameiro (1899-1970)

Horário

27 de Outubro: inauguração (21h30)
Segunda a Sexta: 9h00 às 17h00
Sábado, Domingo e Feriado: 10h00 às 21h00

Preços

Público em Geral: 3 €
Bilhetes até aos 12 anos: Gratuito, mas os menores de 12 anos só podem entrar devidamente acompanhados por um adulto
Munícipes da Amadora, estudantes, portadores de cartão-jovem, pensionistas e seniores (+65): 2€
Livre-Trânsito: 10 € (mediante inscrição na base de dados do AmadoraBD
Gratuito para as escolas e instituições de solidariedade social da Amadora.

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