Ricardo Cabral: “Estou a fazer agora aquilo que sempre quis fazer”

Durante os últimos anos Ricardo Cabral tem vindo a dividir o seu trabalho entre a ilustração e a BD tendo públicado diversos àlbuns, sendo o último “Pontas Soltas”, editado pela Asa em 2011, que foi recentemente premiado no Brasil com o Troféu HQMix “Destaque Lingua Portuguesa”.

Capa_pontas_soltasA maior dúvida que este prémio me levantava era se a Asa tinha editado ou vendido os direitos do àlbum para o Brasil, sendo essa questão o ponto de partida para esta curta entrevista.

BC: Este troféu autores da lusofonia é para trabalhos que foram publicados no Brasil ou para trabalhos de autores em língua portuguesa mesmo que não tenham a obra publicada no Brasil?

RC: O troféu é atribuído a álbuns em língua portuguesa, segundo me disseram. Foi o primeiro ano que tiveram esta categoria.

BC: Então é caso para dizer que foi mesmo uma surpresa?

RC: Sim, uma absoluta surpresa… eu raramente ando a par das últimas novidades e depois, e por ironia, eles ( troféu) deram-me a noticia apenas dias depois da Asa me ter dito que dificilmente editaria este ano o livro que eu andava a preparar para eles.

BC: “Pontas Soltas” foi editado em 2011, estás a trabalhar em algum álbum novo?

RC: Sim, se tudo correr bem sairá no festival da Amadora deste ano. É um livro muito menos banda desenhada que qualquer outro que eu tenha feito e muito mais sketchbook.

BC: A BD curta que terminou de ser publicada no último número da The Lisbon Studio Webmag efoi uma colaboração para o WebTrip Comic, como é que surgiu essa colaboração?

RC:  Eles, organização de festival de bd de Lyon, viram o meu trabalho no Magnitude 9, uma publicação da editora francesa Café Salé sobre o terramoto no Japão e contactaram-me. Eu achei piada ao conceito. Uma das curtas no Pontas Soltas, Lágrimas de Elefante, também surgiu a convite de um festival de banda desenhada de Lodz, na Polónia. Mas neste projecto eles davam o inicio e o fim de cada episódio e cada autor fazia o que bem entendia, no final todos os episódios contam uma história . Eu acho que eles conseguiram apoio para publicar tudo em livro… pode ser que isso esteja disponível ainda este ano.

BC: Já tinhas sido premiado em Portugal, consideras que o Prémio HQMix pode abrir novas portas?

RC: Claro, estas coisas são sempre importantes, embora nem sempre de uma maneira directa. Se isso passa por publicar o Pontas Soltas no Brasil ou outra coisa qualquer, não isso já não sei.

BC: Fazes parte do colectivo The Lisbon Studio, vário dos teus colegas de estúdio estão têm vindo a trabalhar para a Marvel, também tens essa ambição ou preferias trabalhar para outro mercado que não o norte-americano?

RC: Mercados a sério só tens o americano e o franco-belga… dos dois o que faz mais sentido para o meu trabalho é o segundo. Só imagino que algum editor americano tivesse interesse no meu trabalho para algum projecto especial, pois na maior parte dos casos, não só quem escreve, desenha e pinta são pessoas diferentes, mas esse mesmo trabalho tem sempre prazos apertadíssimos.

Não tenho problemas em desenhar uma história escrita por outra pessoa, mas a piada do meu trabalho acaba por ser a maneira como as cores e o desenho se complementam… sem isso, se fosse só para desenhar ou pintar, ia ser outro autor no meio de tantos outros, provavelmente bem melhores que eu.

Isto pode parecer ridículo, mas em termos de “ambição” eu estou a fazer agora aquilo que sempre quis fazer, o único senão é a dimensão do mercado português. Eu tenho a sorte de, enquanto ilustrador, ter uma profissão que me permite fazer projectos de banda desenhada, e enquanto essa situação se mantiver eu irei fazendo esses projectos… se no futuro a situação se alterar logo vejo o que acontece….

[hr] Para mais informações sobre o trabalho de Ricardo Cabral podem visitar o seu blog.
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