O Eisner ficou preso na alfândega!

Amadora BD 2008
Eu já cumpri a penitência de ir ao AmadoraBD e era aquilo que se esperava.

Eu tinha dito que era provável que existissem exposições por montar, e o AmadoraBD não me deixou passar por mentiroso. A exposição do Eisner só fica pronta para a semana que os originais ficaram retidos na alfândega. Aparentemente este é um daqueles casos em que a culpa não está do lado do AmadoraBD (ABD). Mas, isto de as exposições não estarem todas prontas no primeiro fim-de-semana.

Prémio para a exposição mais inútil do festival

Eu continuo sem compreender para que raio é que serve a exposição do ano editorial, a qual não consiste em mais nada que em livros furados para os visitantes sentarem-se a ler de borla. É uma exposição duplamente inútil e redundante.

A Câmara Municipal da Amadora já tem uma Bedeteca onde é suposto terem álbuns para a malta ler de borla, depois existe uma área comercial onde já existe uma “exposição do ano editorial”, aquela que a organização monta no festival é só serve para ocupar espaço e disfarçar a ausência de conteúdo real no evento.

Espaço a mais

Existe espaço com fartura no festival, contudo conseguem montar exposições em espaços reduzidos como a exposição da Revisão. Sara la Féria, responsável pelo projecto e cenografia, ganha o prémio de pior cenografia. Porra, eu não gramo o Farrajota, mas os autores da Visão mereciam um pouco mais de respeito. A área da exposição é diminuta, e o pouco espaço que existe foi transformado numa pista de obstáculos. Se o objectivo era desincentivar os visitantes a verem a exposição conseguiram!

E é um bocado incompreensível o espaço diminuto, quando sobra tanto espaço no resto do festival.

Outra exposição que padece de falta de espaço é a dos autores portugueses a trabalhar nos EUA. A exposição está transitável e arejada, agora são é autores a mais para um espaço tão curto, em virtude disso acaba por ser uma pequena amostra de cada autor. Merecia mais espaço, até porque existem lá autores que são completamente desconhecidos por cá.

Como Portugal é Lisboa e o resto é paisagem existem alguns autores que tem estado a realizar trabalhos para editoras norte-americanas (em particular as pequenas editoras) e que ninguém tinha de ouvido falar deles até ver os trabalhos deles expostos.

Concurso anónimos

Uma das inovações dos ABD este ano foi não anunciar os vencedores dos concursos, como resultado desse facto existe uma exposição dos trabalhos que concorreram mas estão só identificado com o pseudónimo dos autores. Pode ser que depois de serem anunciados os vencedores no sábado coloquem lá o nome dos autores, ou não.

Paguem a luz!

O espaço central do Piso -1 do festival está ocupado por uma espécie de praça dos artista, uma versão ligeira do beco dos artistas (Artist’s Alley) que existe na Comic Con. O único problema é que aquela área está mal iluminada e quem lá está só vai vender alguma coisa se o público estiver para fazer compras às cegas.

É uma daquelas situações que não faz o mínimo sentido. Convém salientar é que nos próximos fins-de-semana já não deve existir praça de artistas, segundo parece o espaço vai ser usado para outras “feiras”. Exactamente para o quê terão de perguntar à organização. Aquela área faz parte do programa do festival organizado em cima do joelho.

Independentemente de quem for ocupar o espaço, pode ser é que para a semana se lembrem de colocar uma iluminação decente na área.

O FIBDA está morto!

Existiu um tipo que me resolveu chatear por usar a abreviação ABD para falar do AmadoraBD, existe malta que é conservadora e ainda gosta de dizer FIBDA. Mas a verdade é que essa terminologia está já esteve completamente ausente da comunicação do festival e só foi recuperado para disfarçar o facto de que aquilo que é hoje o festival, nada tem a ver com aquilo que ele foi ou o motivo porque o público gostava de visitar o festival.

O FIBDA era um festival em contra-ciclo pela positiva, tinha exposições e autores que eram relevantes no momento, por serem grandes nomes da actualidade que estavam publicados em Portugal, e tinha autores e exposições que eram de autores inéditos mas que representavam aquilo que eram novas correntes a nível da BD, como Juillard e Miguél Angel Martin, só para mencionar dois.

O ABD é uma versão light do Salão de Lisboa, desligado do mercado e da actualidade como todo o festival. É que mesmo no capítulos dos autores inéditos o festival não consegue trazer nada que seja reflexo  de novas tendências, porque o conceito de independente que por lá impera é um reflexo da escola de pensamento dos anos 90. É uma abordagem académica de uma modernidade que deixou de ser actual à décadas.

Paul Pope, Brandon Graham, Toby Cypress, Becky Cloonan e Brian Lee O’Malley entre outros são nomes que já estão longe de ser promessas e reflexo daquilo que são as correntes “indie” actuais. Mas esta malta ainda anda numa de Fantagraphics, D&Q e projectos tão fora do mainstream que nem são reflexo daquilo que são movimentos alternativos nos seus países, nem de novas correntes.

Agora devo salientar que achei piada à inclusão do Marcos Farrajota na exposição, ao lado de nomes como Kubert e Sacco deve ser para permitir ao público ver a diferença entre mestres e nulidades.

Quem são estes gajos?

Se o público olha para a lista de convidados e não conhece metade dos nomes é normal, a malta da BD também não conhece. Existiu certos nomes em que eu fiquei com dúvidas sobre quem eram, apesar de já ter vistos os nomes deles antes…

A área de sessões de autógrafos do AmadorBD este ano é uma boa área de convívio para a malta da BD nacional se conhecer. Porque aquela lista de convidados nacionais maioritariamente nacionais só não está ao nível de uma Morta ou Raia, porque os eventos “independentes” nacionais são mais exclusivos e não contam com a presença de determinados autores nacionais que não encaixam num determinado estilo, considerado aceitável e louvável, ou num determinado grupo.

Por enquanto o ABD ainda tem uma selecção de autores nacionais mais diversificada, em particular porque precisa de malta para encher o programa.  Afinal, são três fins-de-semana e é preciso alguém na área de sessões de autógrafos. Se existisse um interesse real em promover os autores eles eram tratados de uma maneira diferente.

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