Editores e Publicadores de Banda Desenhada

Durante muito tempo, editar banda desenhada não estava ao alcance de qualquer um, contudo as novas tecnologias trazem também novos desafios.

São bem conhecidas as histórias de José Ruy, em que o autor acompanha a fase da reprodução gráfica do seu trabalho, instruindo os trabalhadores da gráfica, para garantir a reprodução fiel das cores que idealizou.

Durante muito tempo, editar banda desenhada estava ao alcance de qualquer publicador. Nas revistas, os leitores tinham-se habituado aos mais variados (alguns, verdadeiramente inimagináveis) exercícios de composição para que o texto cabesse nos quadradinhos ou que os quadradinhos seguissem o formato da página da publicação. Nos livros, bastava imitar os álbuns franco-belgas. Editar BD não era substancialmente diferente de editar outro tipo de livros. Houve sempre excepções, mas que apenas confirmaram a regra.

Em tempos mais recentes, apareceram editores de banda desenhada que procuram uma abordagem mais profissional ao mercado, trabalhando o livro de banda desenhada em moldes muito diferentes do que é a edição de outro tipo de livro. Estes novos editores têm já uma expressão tal no panorama editorial português, que já não podem ser tomados “apenas” como pequenas excepções. Eles fazem as novas regras.

Inquestionavelmente, um dos nomes a destacar neste novo tipo de abordagem é Mário Freitas. Editor da Kingpin Books, argumentista, arte-finalista, legendador, designer de publicação, formador e tradutor de BD, é também fundador e proprietário da Livraria Kingpin Books, e criador e diretor do Festival AniComics Lisboa (para além da colaboração com outros eventos, como o AmadoraBD). Poucas pessoas terão uma perspetiva tão abrangente do momento atual da BD portuguesa, e do seu potencial de internacionalização (Mário Freitas lançou a antologia Crumbs durante o Thought Bubble Festival em Leeds, Inglaterra, e levou algumas das suas edições ao prestigiado catálogo Previews, da Diamond).

No próximo dia 11 de Setembro, pelas 20,30 horas, na Bedeteca da Amadora, Mário Freitas estará comigo numa conversa sobre algumas das questões que referi, incluindo as novas fronteiras entre editores e publicadores. Trata-se de nova iniciativa conjunta da Câmara Municipal da Amadora e do Clube Português de Banda Desenhada, agora no âmbito da Festa do Livro (que integra as Festas da Cidade).

A conversa parte do caso concreto de O Outro Lado de Z, projeto de banda desenhada que envolve a desenhadora Mosi (1.º prémio do concurso de BD do AmadoraBD 2014), o argumentista Nuno Duarte (o premiado argumentista de O Baile, cujo trabalho está em destaque numa exposição patente na Bedeteca da Amadora), e o editor Mário Freitas (da Kingpin Books). Vamos acompanhar a história desta produção contada por cada interveniente – desenhadora, argumentista e editor, chegando a uma série de questões que contribuem para afirmar a identidade distintiva do livro de BD: a colaboração entre os autores, a relação com o editor, a construção da história e as opções de design, legendagem, impressão, divulgação ou promoção.

Sempre me pareceu que esta compreensão do caráter distintivo do livro de BD é um passo decisivo para que se caminhe no sentido da existência de um verdadeiro mercado de banda desenhada em Portugal. Veremos o que é que esta conversa ajuda a definir.

É uma conversa aberta ao contributo de outros editores, que foram convidados a estar presentes, e ao público em geral.

 


Nota do editor:  Como poderão ter reparado este artigo já foi publicado após a realização do evento, por culpa do editor, motivo pelo qual pedimos desculpa.

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