Descodificando as formigas do AmadoraBD 2014

Ele existem formigas que dão que falar, e pensar um pouco. As Formigas do Pedro Mota suscitaram alguns comentários e reflexões, que vale a pena “guardar”, em particular porque foram efectuadas na sua maioria no Facebook, que tendo várias vantagens, possuí um péssimo defeito: é efémero. O Facebook concebido para ser um meio de troca de informação rápida, no fim do dia não é mais do que uma conversa de café virtual.

Um pormenor curioso, foi o facto de haver quem não tenha percebido a crónica do Pedro Mota, é que aqueles que andam no meio da BD – incluindo eu – já percebemos os códigos, as meias palavras, mas para quem está de fora, se limita a consumir banda desenhada e a visitar o Amadora BD, existem alguns aspectos que são difíceis de apreender, em particular para quem não tiver lido a publicação no Kuentro que o originou, ou a outra reflexão que aqui tinha sido publicada.

Mas, vamos começar pelo “tiro ao lado do Pedro Mota”, como foi caracterizado pelo Nuno Neves, do blogue Notas Bedéfilas, no grupo de Facebook Banda Desenhada Portugal.

Criticar a má comunicação do festival para depois concluir que o afastamento do José Eduardo Ferreira não é mau para o festival é no mínimo… um disparate. Até porque não aponta outros caminhos ou soluções. A pouca divulgação que o festival vinha fazendo nos ultimos anos nomeadamente através das redes sociais, e distribuição do material de divulgação pelos bloggers era assegurado justamente pelo José Eduardo. Parece-me a mim que a alternativa, leia-se a sua ausência, é o descarrilamento. Espero que me engane. Mas a pouco mais de um mês de inicio de uma nova edição do festival e com zero de comunicação até à data parece-me que o comboio já está em excesso de velocidade a aproximar- se de uma curva apertada.

A política de comunicação do AmadoraBD é má, disso não existem dúvidas. O afastamento do José Eduardo Ferreira só é mau se quem o substituir (se o substituírem) fizer um trabalho pior. É só esse o drama das substituições, uma pessoa ser substituída por alguém pior.

Não vou fazer uma avaliação do um trabalho de uma pessoa, em particular não estando por dentro das condicionantes e não ter qualquer tipo de informação que permita avaliar correctamente o seu desempenho como profissional da BD. Em Portugal em particular, onde quem dá a cara por vezes se limita a seguir ordens, mesmo que não concorde com elas.

Acompanho de perto o AmadoraBD há bastantes anos, realizava-se ainda na extinta Fábrica da Cultura. E pelo que tenho observado sou da opinião que o festival precisa de criticas, e de muitas, porque está longe de ser perfeito (se consideramos que no lado oposto está o Festival de BD de Beja).

Como é habitual existirem comparações entre o Festival de Beja e o AmadoraBD deixem-me só recuperar um excerto de uma crónica do Pedro Mota, onde ele aborda as diferenças a nível organizacional de ambos os eventos:

Em Beja, cidade que consagrou um festival internacional de banda desenhada de menor dimensão mas com fortíssima identidade (reforçada por um total empenho e profissionalismo), o director do festival, Paulo Monteiro, tem uma autonomia e uma flexibilidade de circuitos que devia ser seguida na Amadora.

Creio que este parágrafo deveria ser suficiente para as pessoas perceberem as diferenças que existem. Algo que deveria ser mencionado, em particular quando é realizada constantemente um comparação entre o resultado final de ambos os eventos, sem nunca se mencionar o que lhe permite (ou não) alcançar esses resultados.

Agora as criticas e comentários devem ser sobre o que não funciona ou funcionando funciona mal. Entendo que o objectivo deva ser sempre no sentido de melhorar. Afinal todos beneficiamos com um AmadoraBD forte e a assumir um papel preponderante na divulgação e promoção da BD em Portugal.

Existem alturas em que me pergunto onde certas pessoas têm andado (nem que seja) nos últimos meses –  quase um ano – em que o Pedro Mota tem estado a escrever aqui, no aCalopsia, sobre o que considera estar funcionar, o que considera que precisa de melhorar e indicando alternativas (na sua opinião) para um funcionamento mais eficaz do AmadoraBD. Isto, para não mencionar outros locais onde ele já exprimiu essas opiniões anteriormente.

A comunicação do festival é sem dúvida uma das áreas mais negativas do AmadoraBD. Concordamos todos. A informação sobre o mesmo chega sempre tarde, a conta-gotas e muita vezes incompleta. No ano passado nem a conferência de imprensa de apresentação se realizou. Mas houve um pequeno esforço no sentido de melhorar divulgação do evento. A abertura de um site e de uma página no facebook. Não chega. Há que carregar os seus conteúdos. Sei que no facebook esse trabalho era realizado justamente pelo José Eduardo. E funcionava. Não era da sua competência (parece-me que havia sido contratada uma empresa de comunicação) mas ele assumia o trabalho. A divulgação da informação pelos bloggers também era por ele assegurada (falo por experiência própria). Na falta de um agente de ligação com o festival, era o José Eduardo a quem muitos recorriam. Não reconhecer o trabalho dele pelo festival nos últimos anos é um exercício sem fundamento, enfim de ingratidão. Há quem viva bem com isso. Eu não gosto.

Existem aqui diversos pontos que merecem ser abordados como a presença online do festival e a “ingratidão” pelos serviços prestados pelo José Eduardo, em vez de se realizar uma avaliação do trabalho realizado. Vamos começar pela presença online, em particular a página de Facebook do AmadoraBD que esteve inactiva entre 3 de Abril de 2014 e 24 de Setembro de 2014, um mistério que parece ser desvendado pelo Nuno Amado no Leituras de BD.

E quando uma Câmara Municipal bloqueia o Facebook aos seus empregados e a um deles cabe a gestão da divulgação na página Facebook do evento? Essa é linda! A culpa é dele? Pois…

Eu parto do principio que esta é uma alusão à Câmara Municipal da Amadora, e o funcionário é o José Eduardo, tendo em conta o contexto do artigo do Nuno Amado: a defesa de um funcionário (do AmadoraBD) “atacado” pelo Pedro Mota, se estiver errado por favor corrijam-me.

O facto relatado pelo Nuno Amado é caricato, o Nuno Neves ter mencionado que “havia sido contratada uma empresa de comunicação” só me fez pensar numa expressão: despesismo público. É necessário contratar um empresa de comunicação para actualizar uma página de Facebook de uma entidade que não tem qualquer necessidade de realizar actualizações diárias, excepto durante o período que antecede o AmadoraBD e durante o evento. O responsável pelas relações públicas do evento não tem capacidade de realizar esse trabalho?

É que tendo em conta que não existem assim tantas actividades do CNBDI ou do AmadoraBD durante o resto do ano, não existe uma necessidade de ter um empresa a cuidar desse trabalho, acreditem, um relações públicas é capaz de realizar esse trabalho, aliás nem o necessita de realizar, basta enviar os textos e imagens, aqueles que deveriam ser enviados à comunicação social, e divulgados nos órgão de divulgação do CNDBI e Câmara Municipal, para alguém efectuar o upload dessa informação.

Acreditem, não dá assim tanto trabalho, e olhem que a página do aCalopsia no Facebook até é actualizada com bastante regularidade. Mas obviamente, isto sou eu, que não tenho a dimensão de um festival ou os recursos para contratar uma empresa de comunicação. Eu também sou da opinião que bastava um relações públicas competente, tarefa que julgava pertencer a José Eduardo, mas parece que estava errado, pelo que conta o Leituras de BD.

Para quem acha que ele seria responsável pela má divulgação do evento eu tenho de frisar que ele era um mero funcionário que só podia veicular publicamente o que lhe deixassem, e quando fosse autorizado.

Qualquer pessoa que tenha dois palmos de testa tem consciência de que um relações públicas em qualquer organismo, seja ele público ou privado, é só um funcionário que só pode transmitir a informação que o autorizam a divulgar. Em alguns casos o relações públicas poderá ter (e deveria ter) uma palavra a dizer na política de divulgação que é praticada.

Independentemente de ser esse o seu cargo ou não, o trabalho que José Eduardo tem realizado no CNBDI (e anteriormente no Amadora BD) é um trabalho de relações públicas.

Não é possível fazer uma avaliação negativa da comunicação do AmadoraBD e classificar de bom quem a efectua.

Mais, acho ainda mais feio que pessoas que trabalharam com a organização venham ainda dizer implicitamente que a culpa da má divulgação do festival era dele. Sim, porque o Pedro Mota (não tenho problemas em referir o nome) se queria fazer crítica à forma como é feita a comunicação e divulgação tinha muito por onde escolher. Escolheu o elo mais fraco… tem medo de se meter com os pesos pesados?

É uma pena que o Nuno Amado não tenha mencionado quem são os “pesos pesados” com os quais o Pedro Mota “tem medo de se meter”. Em particular fica mal acusar de cobardia outros por algo que não se faz, deixando implícito que se está a tentar “crucificar” alguém.

Deixem-me só recordar o que o Pedro Mota disse sobre o o trabalho do José Eduardo:

Por muita consideração que tenha pela pessoa do José Eduardo Ferreira, no que respeita ao aspecto profissional, o trabalho por ele desenvolvido está ligado a algumas das áreas em que o AmadoraBD foi menos forte, nomeadamente a divulgação, a promoção e a informação.

É uma posição coerente com a opinião que o Pedro Mota tem sobre a política de comunicação do festival, tendo sido motivo de uma crónica, aqui no aCalopsia, em 23 de Novembro de 2013 e parte de (por exemplo) O Balanço do FIBDA 2003, artigo publicado no jornal regional Notícias da Amadora, em 16 de Novembro de 2003.

A divulgação do FIBDA continua a necessitar de uma enorme mudança para melhor. A informação sobre o Festival apareceu outra vez muito dispersa e tardia, e poderia ser muito mais rentabilizada. O Festival tem capacidade de resposta quando é procurado, mas falta-lhe iniciativa. O site oficial do FIBDA surgiu praticamente na data da inauguração. Depois do primeiro fim-de-semana, dominado por Maurício, as pessoas começaram a ganhar a noção de que o Festival já tinha terminado. Existe todo um papel formador que o Festival não tem assegurado junto da comunicação social.

Também os concursos voltaram a ser divulgados muito tarde e de forma deficiente, o que tem necessariamente consequências ao nível da qualidade dos trabalhos apresentados: este ano, houve vários prémios que ficaram por atribuir. A cerimónia dos prémios e troféus também não prestou um bom serviço ao FIBDA ou à BD.

Volto a referir: esta opinião é de 2003. Onze anos, a política de comunicação do AmadoraBD não se alterou. Em alguns casos piorou. Não é possível fazer um balanço positivo de quem realizou essa divulgação se uma década depois, a situação não se alterou.

O trabalho do José Eduardo foi negativo, as condicionantes que teve não fazem com que o trabalho dele seja positivo. Fez o que podia.. e mais do que devia? Não é isso que é avaliado, ou melhor não é isso que deveria ser avaliado.

No fim não conta se teve um esforço inglório (ou não) porque aquilo que é (ou melhor, deveria ser) avaliado é o que foi realizado, e não o que poderia ter sido realizado. A questão fundamental, no caso da comunicação do festival, é facto de ser necessário que o AmadoraBD altere a maneira como faz a promoção do evento, como lida com os parceiros para a divulgação e que não se limite unicamente a trocar de “formigas”.

É que trocarem as pessoas é irrelevante, se a quem vier não forem dados os meios para realizar o seu trabalho da melhor maneira possível. Algo que, parece ser evidente, não foram dados meios a quem lá estava anteriormente.

José Eduardo Ferreira não era a fonte de todos os males do AmadoraBD, do mesmo modo que o seu afastamento não será a fonte de todos os eventuais problemas que existam (e possam vir) a existir na edição deste ano. O que parece evidente, é que não era parte da solução, porque independentemente dos esforços que tenha feito, os problemas comunicacionais do festival continuam como à uma década atrás.

Existem alturas em que não basta ter interesse e boa vontade, é necessário algo mais importante: ter competência. Sendo, que em alguns casos, é necessário ter não só a competência para o desempenho de um cargo, como também para modificar os comportamentos perniciosos dos organismos nos quais se trabalha.

Não tenho dados que me permitam avaliar a competência de José Eduardo, agora sei que não tinha a influência ou capacidade para resolver (sozinho) os problemas do AmadoraBD, que são profundos e já existem à muito tempo.

O problema não é o José Eduardo, ele só cometeu foi um erro de palmatória para um relações públicas, que era o trabalho que desenvolvia para o Amadora BD, enviou um e-mail pessoal (escrito como se estivesse a falar para amigos próximos) informando sobre uma situação do AmadoraBD, quando devia ter enviado um mail unicamente profissional e cingindo-se aos factos. Como ele não fez isso o seu e-mail foi utilizado como arma de arremesso pelo Machado-Dias contra o AmadoraBD, como se a questão fundamental fosse o trabalho desenvolvido pelo José Eduardo, quando não é.

O José Eduardo deveria unicamente ter-se limitado a enviar um mail onde informava que já não fazia parte da organização do festival, não sendo da sua competência prestar esclarecimentos sobre o evento, indicando quem é que era agora o responsável por essa pasta. Contudo essa informação não constava do mail, e isso é que é o mais grave.

Afinal quem é que fala pelo AmadoraBD? Quem é o porta-voz do AmadoraBD? Quem é tem a responsabilidade de falar com a comunicação social? Quer seja a institucional ou sites e blogues.

Eu não estou a tentar “linchar” o José Eduardo Ferreira, até porque não me surpreenderia muito se a Câmara Municipal da Amadora e o CBDI (a menos de 5 semanas do festival) ainda estejam a decidir quem é que deve falar ou não pelo AmadoraBD.

Os problemas do AmadoraBD são mais profundos que um funcionário, ou a presença do Machado-Dias no festival. Em parte esses assuntos têm sido abordados aqui, como é o caso da Organização do Amadora BD e da autonomia que este têm. Tendo por base o que é exequível, o que funciona, não só em outros eventos nacionais como em outros eventos que se realizam na Amadora.

Apontar o afastamento do Câmara Municipal da Amadora da organização do festival é absurdo. O AmadoraBD pertence à Câmara Municipal da Amadora, foi construído ao longo 25 anos. Porque motivo se haveria de entregar um património público a privados? Para se ter um situação parecida com a gestão da página de Facebook do evento?

É fácil atirar com ideias para o ar, fazer perguntas sem uma resposta ou apresentar um solução concreta e exequível. Mais fácil ainda é encontrar bodes expiatórios, sejam eles funcionários ou colaboradores do evento que, como o Pedro Mota, até escrevem com regularidade sobre o festival, abordando as vários aspectos da sua organização e funcionamento. Quer sejam os aspectos positivos como os negativos, mas justificando as opiniões com argumentos, fundamentando-as e apontando (possíveis) soluções com base na realidade.

A “clareza peculiar” do Pedro Mota tem só um problema, na minha opinião, é por vezes demasiado hermética para os leigos que estão fora do meio. Em aElipse, o Pedro Mota remete-se ao essencial, sem personalizar, questionando as opções estratégicas do AmadoraBD, e da política cultural da Câmara Municipal da Amadora para o evento de maior impacto (nacional e internacional) realizado naquele concelho.

Como ele mencionou num comentário…

Não estou (nem sequer implicitamente) a centrar ações nos indivíduos. Estou justamente a (tentar) descentrá-las.

Esta opção pode tornar por vezes os textos mais herméticos e o debate menos polémico, centrando e-se em questões programáticas e organizacionais, em vez de levar a discussão o debate de pessoas e não ideias.

Existem alturas em que é impossível dissociar as pessoas das opções que tomam, das politicas que defendem, dos actos que praticam. O debate até poderia ser menos hermético, abrindo a discussão aqueles que estão de fora, e tendo interesse na matéria não tem dados suficientes para compreender a discussão na sua totalidade. Contudo, esta situação é um bom exemplo do que acontece quando se mencionam nomes: a conversa passa a ser centrada em pessoas e vez de ser centrado no essencial, que neste caso é a política comunicacional do Amadora BD.

É que todos concordam que a politica de comunicação do AmadoraBD é má, contudo existem que seja capaz de considerar a politica má, e quem a pratica bom. É algo usual na BD nacional. Sempre que se menciona nomes, as opiniões passam a ser emitidas com base relacionamento (opinião) das pessoas envolvidas em vez de ser sobre o tema que é fundamental. Até porque é mais fácil abordar a discussão se a transformar-mos numa questão de José Eduardo Ferreira contra Pedro Mota. Algo que é completamente contra-producente para o assunto em causa e a resolução dos problemas em discussão.

Sendo que o cerne dos problemas do AmadoraBD, são de ordem política, das opções tomadas para o maior evento de BD nacional que este ano celebra o seu 25º aniversário.

João Figueiredo, responsável pelo programa Art&tropia, fez um bom resumo das questões essenciais do AmadoraBD na secção de comentários do Leituras de BD.

Acho que se está a confundir a obra-prima do mestre com a prima do mestre de obras.

Ou seja: A Amadora sempre foi uma terra ligada à BD. Foi lá que se desenvolveram muitas revistas dos anos 40/50/60.

Foi lá que pessoas como José Ruy, José Garçês, Vasco Granja e [António Cardoso Lopes, o "Tiotónio”] desenvolveram aquele que é considerado o período de ouro da BD nacional. E, a bem da verdade, não estavam sozinhos, pois em Lisboa a Agência Portuguesa de Revistas e o talento de Carlos Alberto Santos davam grandes cartadas.

Quando há 25 anos aqueles que geriam a autarquia da Amadora na altura quiseram homenagear [A[António Cardoso Lopes]decidiram organizar uma iniciativa que se tornaria no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. E investiam na cultura. Só que em 1997 mudou a gestão da autarquia. E começou o desinvestimento, já várias vezes admitido por todos, menos por quem gere a câmara até hoje. E, reparem, o mesmo aconteceu em Beja, onde em 2005 a gestão da autarquia decidiu dar força ao núcleo de autores que existe em Beja, proporcionando a hipotese de criar o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja. E investiram na cultura. Só que em 2009 mudou a gestão da autarquia. E começou o desinvestimento que, inclusive, pôs em causa o funcionamento do festival de 2012 e que só não se repetiu em 2013 porque foi ano de eleições. Mas Beja voltou a ser gerida por quem criou e apoiou o festival desde o seu inicio e 2014 foi um dos melhores anos do festival, como reconhecido por todos.

Voltando à Vaca Fria: São estas situações que me fizeram deixar cair projectos que eu tanto gostava. Não acho que a solução passe por afastar a CMA da gestão do Festival, até porque é algo que é da CMA, mas está na altura dos responsáveis pelo desinvestimento serem chamados à pedra. Tão simples quanto isto: Em Dezembro de 2014 será discutido, quer na CMA como na Assembleia Municipal da Amadora, o Plano de Actividades e o Orçamento para 2015. Onde constam as verbas e as acções para a cultura/AmadoraBD/CNBDI. A discussão na Câmara pode não calhar numa reunião aberta, mas a discussão na Assembleia calha (Assembleias são sempre abertas). E as assembleias têm período de intervenção do público. Eu farei tudo para participar e dizer a minha opinião, como amante da 9ª arte que sou. Quem está comigo? É que esta também é uma forma de defendermos a BD.

O AmadoraBD é um evento local de dimensão nacional e projecção internacional, organizado pela Câmara Municipal da Amadora, sendo que é aí que reside a solução (e origem) dos seus problemas. O presente e futuro do AmadoraBD está dependente de decisões políticas, do enquadramento que o executivo camarário da Amadora pretende dar ao AmadoraBD no âmbito da sua política cultural.

Sendo um assunto que será sempre resolvido a nível local, isso não implica que os intervenientes residentes em outras localidade se excluam de emitir opinião, até pela dimensão nacional que o festival tem. O AmadoraBD tem sido fundamental no desenvolvimento do mercado de BD nacional, os intervenientes nesse mercado deveriam ter opinião sobre é um evento local que permite a projecção nacional e internacional da cidade da Amadora, mas também da BD nacional.

Ao longo de 25 anos têm passado pelo festival alguns dos nomes relevantes da BD nacional e internacional. Ao longo de 25 anos o AmadoraBD adquiriu um prestigio a nível internacional que lhe permite ter presentes grandes autores, originais de grandes autores e “exportar” material do seu espólio para exibição no estrangeiro, tendo também estabelecido diversas parcerias a nível internacional que permitem a presença dos referidos originais de grandes autores da BD mundial.

Existem questões fundamentais do AmadoraBD que devem ser discutidas. As formigas não são a questão fundamental do AmadoraBD, os problemas desta edição do AmadoraBD não começaram à uma semana, mas meses antes. Os problemas da próxima edição do AmadoraBD começam (em parte) quando for aprovado o Orçamento do próximo ano da Câmara Municipal da Amadora.

Personalizar a questão em torno de pessoas secundárias, criar “mártires” e crucificar quem emite opinião é uma boa maneira de prestar um serviço a quem ao longo dos últimos anos tem vindo progressivamente a reduzir o orçamento, a desinvestir no AmadoraBD, por o considerar um gasto supérfluo no orçamento da Câmara Municipal da Amadora.

A necessidade de dinamizar o AmadoraBD no contexto de um plano global é uma realidade. A Amadora tem na banda desenhada um veículo privilegiado para dar visibilidade ao trabalho que tem desenvolvido e pretende desenvolver nas mais diversas áreas, da educação à cultura, passando pela juventude e acção social.

Foi assim que terminou a primeira crónica de Pedro Mota para o aCalopsia ( em 9 de Novembro de 2013), sugiro a quem tem interesse em falar sobre as questões fundamentais do AmadoraBD, e não sobre formigas, a ler aElipse desde do início, são abordadas várias questões fundamentais para a compreensão e discussão do maior certame de BD nacional, que nos últimos anos tem vindo progressivamente a perder protagonismo e relevância. Algo que não beneficia ninguém que tenha interesse na BD em Portugal.

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  • Viva Bruno! Sem querer entrar em grandes dialogos, porque discussões destas assemelham-se a benfica’s-sporting’s. Muitos argumentos de parte a parte e no final cada um fica com a sua. No entanto, e aproveitando a tua «chamada» queria só esclarecer alguns pontos.

    A questão de não comentar nos blogues não se deve a qualquer problema de feitio. Deve-se simplesmente ao facto de considerar que a plataforma facebook é mais dinâmica, de maior visibilidade, para além do factor simplicidade. Aqui os comentários passados uns dias perdem-se no meio de tantas outras entradas, obrigam ao prenchimento de campos de registo/identificação; nos grupos do facebook qualquer noticia comentada passa logo de imediato para o topo da lista e é de imediata partilhada no mural de um universo de seguidores. É simples e permite outra interação. Pessoalmente prefiro.

    Acerca do José Eduardo. Pondo de lado a questão da divulgação pública das suas palavras, devo dizer que foi pela mesma via que tive conhecimento do seu afastamento do AmadoraBD que lhe expressei o meu agradecimento pela sua enorme disponibilidade ao longo destes últimos anos. Considero que o José Eduardo soube (e sabe) compreender melhor que muitos o papel activo dos bloggers (pessoalmente falando, faço-o por paixão e de forma gratuita porque não espero ou quero qualquer outro retorno que não seja a satisfação de um leitor/visitante em encontrar a informação que procura) se prestam ao trabalho de divulgar matérias que por dificilmente teriam suporte ou seriam noticia em outros meios. Fi-lo porque como já anteriormente tinha referido no BDPT, sou grato.

    Sobre o seu papel no AmadoraBD, sempre o vi como um assessor de imprensa. Era alguem que fazia fluir a informação acerca do festival cá para fora. Quando a tinha transmitia. Simples quanto isso. Não sei onde é que foram buscar a ideia de “para um relações públicas, que era o trabalho que desenvolvia para o Amadora BD”. Confesso que nem sei se essa figura existe naquela organização. Para mim, o José Eduardo limitava-se a por remendos na manta de buracos que é a comunicação do festival.

    O Pedro Mota escreveu “Por muita consideração que tenha pela pessoa do José Eduardo Ferreira, no que respeita ao aspecto profissional, o trabalho por ele desenvolvido está ligado a algumas das áreas em que o AmadoraBD foi menos forte, nomeadamente a divulgação, a promoção e a informação”. Não sei se o Pedro emite aqui uma opinião ou constata um facto.

    Conforme referi, só associo o José Eduardo à área da informação. E aqui, só por distração ou por falta de conhecimento é que se pode classificar o trabalho feito como mau ou menos bom. Relativamente às restantes áreas, como a divulgação e a promoção, que na sua essência se confundem, recordo o anuncio, salvo erro na apresentação da edição de 2010, da contratação de uma agência, que até foi responsável pela actual imagem do festival (leia-se logo), que foi apresentada como responsável pela futura comunicação do AmadoraBD. Desconheço pormenores da evolução do contrato com esta empresa. Assim, se o Pedro Mota aqui falar com conhecimento de causa nada a acrescentar; caso contrário reafirmo o «tiro ao lado». Simples quanto isto.

    Abraço

    • Nuno, eu não faço a mínima ideia de qual era o cargo oficial do José Eduardo, e pelos visto tu também não. Agora na prática, o trabalho que ele fazia era DE FACTO um trabalho de relações públicas.

      ESSE é o problema, é que é evidente que o José Eduardo só estava a tapar buracos, e que não existe um “relações públicas” ou sequer algo que se possa chamar de política de comunicação do AmadoraBD.

      Estar a discutir o trabalho do José Eduardo é a estar a discutir o SINTOMA e não a DOENÇA.

      O trabalho que desenvolveu é o reflexo de uma política de má politica de comunicação: aquilo que todos criticam.

      A crónica do Pedro Mota não é um tiro ao lado, é um tiro no alvo: centrar a conversa (os problemas ou a solução deles no José Eduardo) é completamente irrelevante.

      É óbvio para qualquer pessoa (sem “inside information”) que os problemas de comunicação e a solução dos mesmo é mais profundo que a ligação de um (qualquer) funcionário à organização do AmadoraBD.

      Eu não me lembro de o Pedro Mota ter alguma vez falado em qualquer crónica da “empresa de comunicação” ou “agência”, porque motivo deveria ser ele a abordar este tópico? Tu parece teres dados suficientes para teres opinião sobre o assunto…

      Quer tu, quer o Nuno Amado, quer o Machado Dias parecem defender que o afastamento de um funcionário ligado a uma das áreas mais criticadas do AmadoraBD é negativo para o festival. Afinal que condicionantes tão graves é que fizerem que a comunicação seja má?

      É que essa é a questão fundamental, os problemas centrais e não e a gratidão a “uma fonte” que fornecia informação quando mais ninguém o fazia.

      (O Facebook é efémero, pode existir uma maior interacção temporáriamente, mas depois a informação perde-se no ruído constante. Não é possível pesquisar informação [antiga] no Facebook, ele não foi criado com esse objectivo.)

      • Bruno, a questão de ser contra a saída do José Eduardo tem a ver com a postura habitual da organização em relação ao contacto com o público. Existem tão poucas caras associadas ao Festival que, com a simples saída do José Eduardo, fica o medo de que ninguém vai ficar com a sua posição e que não vai existir divulgação de qualquer informação sobre o evento.

        Não acho que o José Eduardo fazia um trabalho eficiente, mas também não me parece que esse era o trabalho ideal para ele fazer. Sempre tive a impressão que descarregaram a divulgação em cima dele e disseram-lhe para se desenrascar. Assim, perder “o melhor que dava para fazer”, numa organização que está longe do seu potencial, é motivo para entrar em pânico. Quando ele falha em dizer no e-mail quem o vai substituir, é muito provável que ele próprio não saiba.

      • Paulo, quando as pessoas se contentam com o menos mau, “o melhor que dá para fazer” em vez de pedirem o melhor que se pode fazer é mau sinal.

        Eu mencionei no artigo que não me espanta nada que ele não saiba ou esteja sequer decidido quem é quer fará esses trabalho.

  • Sobre o José Eduardo e sobre o seu trabalho no AmadoraBD já não me vou alongar mais. Sobre o que falei, falei com conhecimento de causa. Pessoalmente acredito que o seu afastamento é negativo; outros acharão que o festival está melhor assim. Como em tudo, no final fazem-se as contas.

    Acerca da comunicação do festival, perguntas porque deveria o Pedro Mota abordar o assunto da agência de comunicação. Bem, eu digo porquê. Porque o Pedro Mota abordou nas suas crónicas o tópico da comunicação. E falar da comunicação no seu todo do festival e não avaliar o trabalho da agência de comunicação GBNT que trabalhou nesta área para o festival nos útimos anos torna-se um exercício sem sentido. É esta agência a responsável pela imagem e pela comunicação do AmadoraBD. Que conforme se tem visto não tem funcionado. Exempo disso é o site oficial do festival, que como tu observaste tem estado parado. E perante uma das áreas classificadas como das mais negativas, esperava que o Pedro Mota abordasse de uma forma frontal, munido de mais informação e que atacasse o cerne da questão. Infelizmente, optou pela sua “clareza peculiar” para concluir apenas que é o afastamento do José Eduardo que talvez “não seja mau para o festival”. Que descarrilamento!!!

    Era só esta a questão fundamental. E era só isto.

    • Nuno a crónica do Pedro Mota sobre a Comunicação foi publicada em 30 de Novembro de 2013, em lado algum é mencionado a agência de comunicação, tu pelo contrário já a mencionaste várias vezes em textos teus, mas nunca com esta profundidade.

      Se consideravas que o artigo cometia uma falha por não analisar a agência de comunicação GBNT podias ter mencionado na altura, tal como poderias ter comentado na altura, aqui, ou até no teu blog no texto
      que escreveste sobre o festival, ou em outros em que tens mencionado a agência de comunicação.

      Esse texto do Pedro Mota aborda uma série de tópicos, que não estão centrados no AmadoraBD, mas que se estendem também ao CNBDI e a outras áreas da intervenção cultural da Câmara Municipal da Amadora.

      Era um bom ponto de partida para se falar da politica de comunicação do AmadoraBD e CNBDI (que também é abordado nessa crónica) na altura nem tu nem ninguém teve interesse em aprofundar o assunto. E a crónica até foi escrita na altura ideal, quando faltava (quase) um ano para a realização do AmadoraBD 2014. Essa até teria sido a altura ideal, porque qualquer debate que exista agora sobre a politica de comunicação da Camara Municipal da Amadora na área da BD só terá consequências (se tiver) na edição de 2015 do AmadoraBD e não na que se vai realizar no próximo mês.

      Leste a crónica do Pedro Mota sobre a Comunicação? É que o que eu disse, o que tu dizes, ele também mencionou, e questionou inclusive o modo como o site é habitualmente feito e a falta de um site do CNBDI.

      Querias que ele fosse mais frontal do que foi? Porque é que tu não foste na altura? Porque é que em Novembro de 2013 não mencionaste esse facto? As críticas que tu apontas ao GBNT já o Pedro Mota apontou o ano passado, sendo mais profundo na análise, porque apesar de mencionar o nome do gabinete, mencionou esses problemas e outros que existem na área da comunicação da Câmara Municipal da Amadora.

      Deixa-me salientar um facto: ao contrário de ti, Nuno Neves, e outros o Pedro Mota não está a escrever sobre BD porque lhe apeteceu, não anda à anos a manter um blog ou outros “projectos informativos” porque lhe apeteceu.

      O Pedro Mota está a escrever sobre BD porque eu o convidei, ou melhor desafiei, em virtude da sua “clareza peculiar” que lhe permite abordar os temas em que outros nem tocam, ou só falam de modo supérfluo.

      Ele se quisesse podia estar muito sossegadinho na vidinha dele sem se ter chatices com a BD. Não está porque eu o convidei, e tem vindo a escrever bons textos que permitem debater os problemas do AmadoraBD. Contudo salvo raras excepções – onde tu, Nuno Neves, não estás incluído, ninguém tem estado interessado em debater esses assuntos. Aliás parece que nem tem estado a ler, ou então têm memória curta.

      É usual na BD nacional, quando é para discutir pessoas aí malta já aparece, seja para defender amigos, enterrar inimigos ou demonstrar “gratidão”.

      O Pedro Mota não tem estado a discutir pessoas, tem estado a discutir ideias, questões programáticas e organizacionais, que é o mais relevante em qualquer projecto, e o AmadoraBD não é excepção. Primeiro decide-se o que se pretende, depois escolhe-se as melhores pessoas para fazerem o trabalho, não é ao contrário. Não se escolhe primeiro as pessoas e depois decide-se o que é o projecto.

      A única diferença entre a última crónica do Mota e anteriores é que ele mencionou nomes, comentou uma opinião do José Eduardo Ferreira tornada pública pelo Machado-Dias. Quem atirou com o José Eduardo foi o Machado-Dias, não foi o Pedro Mota. Curiosamente, pelo não te vi ficares ofendido por isso.

      Na minha leitura, não creio que o mail fosse para divulgação, e já houve quem afirmasse que não era, quer privado. Por isso o Machado-Dias ao divulgar aquele mail ou foi estúpido ou agiu de má fé. Que divulgar aquele mail, ainda por cima no enquadramento que lhe deu destinava-se unicamente a denegrir o AmadoraBD.

      É que na minha opinião, o Machado-Dias aproveitou-se de um lapso de um funcionário da Câmara Municipal da Amadora, para a atacar, ao CNBI e AmadoraBD, centrando a conversa num funcionário, para disfarçar o ressentimento de não ir este ano ao AmadoraBD ganhar uns cobres. E nem se preocupou com o facto de já ter havido gente a ser despedida por ter sido revelado mails menos polémicos que aquele que o José Eduardo escreveu.

      Isso não parece afectar-te. O mail era para ser revelado? É que divulgar correspondência privada – podendo causar problemas a quem escreveu essa correspondência – não me parece ser uma atitude muito louvável.

      Agora, parece que quem cometeu um erro foi o Pedro Mota, que se limitou a comentar um opinião (tornada) pública. E acertou no alvo, e o texto dele centrou-se foi nas lojas, nem foi na comunicação. Mas a avaliação que ele fez está correcta.

      Depois de tudo o que tu (e outros) disseram parece mais do que evidente, que o José Eduardo era unicamente um tapa-buracos de incompetências alheias. O único benefício do José Eduardo continuar a estar ligado ao AmadoraBD seria ele continuar a disfarçar o melhor que podia o que era óbvio que estava mal. Sendo que a culpa que ele tem nesse capítulo é a menor, ele não deixa de estar ligado uma das áreas mais criticadas do AmadoraBD. E mesmo que ele tenha competência para o trabalho nunca lhe foram dadas as competências (e meios) de o fazer em condições.

      O Pedro Mota acertou no alvo. E já tinha acertado antes, e até acertou quando mencionou a questão da comunicação do AmoraBD e não mencionou a GBNT, é que se calhar ela tem tanta culpa como o José Eduardo.

      Deixa-me dar-te um exemplo.

      O site, que eu referi, tu referes e o Pedro Mota já tinha referido em 2013 e 2003.

      O site do AmadoraBD é ineficaz, isso não quer dizer que o GBNT (ou agências anteriores) tenham feito um mau trabalho. Em termo de webdesign o site está bom. O problema é (e sempre foi) o modelo do site.

      O site do AmadoraBD é estático, conceptual, não está feito para ser actualizado com regularidade. É feito unica e exclusivamente a pensar no evento do ano a que se refere. Isto não é culpa de quem faz o trabalho, mas de quem o encomenda ou aprova.

      O GBNT é um prestador de serviços, é o seu cliente (Camara Municipal da Amadora / AmadoraBD) que deve definir que produto, que tipo de site pretende.

      O site do AmadoraBD, na minha opinião, deveria ser mais dinâmico, permitindo actualizações regulares. Deveria ser um projecto de longa duração e não um projecto conceptual em que cada ano temos um site diferente. Porque o site, deveria, ser um projecto de informação divulgação e não um projecto de design.

      Bastava pagar uma vez pelo site, e depois a CMA limitava-se a pagar a manutenção. E deixa-me esclarecer que actualizações de um site e manutenção do mesmo são dois aspectos diferentes. As actualizações do site não necessitam de ser efectuadas por um webmaster/agência de comunicação, se o site comprado for concebido para isso.

      Esta opção que eu defendo, até é capaz de sair mais cara ao AmadoraBD num ano, mas nos restantes sai mais barato. É que me vez de a CMA andar todos os anos a comprar um site novo, compra (paga) UMA vez um site e depois limita-se a pagar uma manutenção do mesmo, em vez de andar TODOS os anos a pagar um site novo, o que a longo prazo muito mais caro.

      A Camara Municipal da Amadora anda à mais de 10 anos a pagar um site novo todos os anos para o AmadoraBD, quando não existia qualquer necessidade disso. Não só sai mais caro como é ineficaz, porque no modelo actual não fica qualquer tipo de informação (que eu encontre) sobre edições anteriores, e enquanto ferramenta de divulgação tem sido ineficaz, porque fica pronto tarde demais.

      Isto não é culpa do GBNT.

      O Pedro Mota acertou no alvo, já tinha acertado antes, quando falou do assunto e ninguém ligou.

      “Quem fala pelo AmadoraBD?”

      Quando ninguém sabe responder a esta pergunta (a um mês do ínicio do festival) é sinal de algo está muito mal com a política de comunicação do AmadoraBD. E o José Eduardo não era o problema, nem é a solução, ele só ajudava a disfarçar o problema.

  • Bruno, agradeço-te desde já teres incluido no comentário que fiz no LBD o nome do Tiotónio, pois não me lembrava, de facto. E sobre o que eu disse, continuo na minha: Enquanto se andar a discutir o acessório e não se for à raiz do problema…para o ano estaremos na mesma. Apenas uma correcção: Eu não sou jornalista, apesar da produção do programa e de, em tempos, ter sido coordenador de um jornal académico. Não tenho qualquer formação na área, mas o que faço, faço o melhor que sei. Não vivo da BD. Vivo da Engenharia do Ambiente. A minha ligação à BD é o facto de ser leitor desde os 8 anos, de fazer argumentos, da participação no Grupo Entropia e de, por voluntarismo, ter desafiado uma TV Local Online a alargar horizontes e ter um programa sobre BD. E sobre o mesmo, já terás reparado que o programa anda muito muribundo/morto. Acima de tudo, porque não tive no último ano e meio o tempo necessário para o mesmo, quer a nivel pessoal como profissional e, também, por decepções com muito do que se passa no meio Bedéfilo nacional. Um meio pequeno, que teria tudo para funcionar como uma união, mas que continua a optar-se por andar a discutir coisas menores e não os problemas de fundo e a guerrear-se por mesquinhices…leva-me a ponderar não desperdiçar o meu tempo e o da equipa que me apoia a produzir algo que muitos nunca quiseram ajudar/apoiar…
    Um abraço e estás de parabéns com o facto de, à tua maneira, divulgares a BD. Mais houvessem como tu. Mas, como diz um grande amigo, “eu prefiro ser conhecido por aquilo que obriguei os outros a fazer e não por aquilo que fiz”. E basta olhar à volta e perceber que muitos que se dedicam à divulgação da BD e que começaram em blogs muito pessoais, renovem agora a cara e façam verdadeiros portais da BD.

  • Bruno, continuas a atirar ao lado. Se o Pedro Mota anda desde 2013 a escrever semanalmente “bons textos” sobre o que está mal no AmadoraBD então tem andado “a pregar no deserto” ou a “dar sermão aos peixes”. Porque chegado a esta altura, com todos os problema já identificados, em vez de se arranjarem soluções, os problemas parecem ter-se agravado. Portanto, ou ninguem lê as crónicas, ou os decisores, porventura o publico-alvo, não querem saber. No entanto, ao contrário de mim, o Pedro Mota colabora com o AmadoraBD. Porquê que em vez de mandar recados não fala directamente com as pessoas da organização? Porquê que não se reúne com as “raras excepções” que discutem realmente os problemas do AmadoraBD e apresentam a quem de direito um modelo de programa e organização. Sem qualquer ponta de ironia, digo que ficava extremamente agradecido com o gesto. Como visitante assiduo do festival, tambem eu beneficiava muito com um melhor AmadoraBD.

    Mas o exercício que o Pedro Mota tem vindo a fazer não é novo nem inédito. Distingue-se porventura pelo uso de uma linguagem mais eloquente. E acertar no alvo? Bolas, no caso do AmadoraBD o dificil é falhar.

    No meu blogue pessoal, ou projecto informativo como lhe queiras chamar, desde de 2005 que critico a organização do festival em várias vertentes. Mas claro, não deves ter lido. É o problema dos umbigos, cada um olha só para o seu. Mas contra mim tambem falo, porque se calhar deixei escapar a crónica de Novembro de 2013. No meu “escape” ( é como trato o meu projecto) as minhas criticas apresentavam-se na perspectiva de um visitante. Era a minha qualidade.

    Sobre a 16º edição realizada em 2005, escrevi:
    “O MAU do festival é sem dúvida a organização. Uma fraca aposta na divulgação do evento trouxe muito pouco público. Alguns dos autores presentes estavam completamente fora da nossa realidade bedefila. Uns apenas tinham um álbum editado em português, outros nem isso.”

    Sobre a 17º edição realizada em 2006, escrevi:
    “Terminou aquele que foi o mais “desenxabido” e o mais caro festival dos últimos anos, onde sob o tema “17 graus periféricos e o resto do mundo» se atingiu o auge em termos de uma politica de divulgação de BD elitista e alternativa, por oposição ao que melhor se faz termos de “comics”, “mangá” ou “franco-belga”, que teve como único e lógico corolário um total desinteresse e afastamento do público, o que em nada abona em favor de qualquer organização. De forma resumida, não fujo muito à verdade se disser que a 17ª edição foi mais um prego no caixão!”

    A transcrição destes paragrafos servem só para ilustrar que passado quase uam dezena de anos o festival continua ligado à maquina (ou se calhar já morreu mesmo e ninguem o avisou). A diferença é que eu mudei, deixei de lutar contra moinhos de vento. Mas agora fico satisfeito por saber que existe agora um D. Quixote que quer liderar uma cruzada contra a (má) organização do AmadoraBD. Mais uma vez sem qualquer ponta de ironia, fico extremamente agradecido. Como visitante assiduo do festival, tambem eu beneficiava muito com um melhor AmadoraBD.

    Uma palavra final sobre o e-mail do José Eduardo. Desconheço as circunstancias porque foi o mesmo tornado público. Desconheço se o Machado-Dias falou previamente com o José Eduardo sobre o assunto. E neste contexto havia de ficar afectado ou ofendido porquê?

    • Nuno, aqui no aCalopsia não existem D. Quixotes, no meio bedéfilo e na blogosfera bedéfila o que não falta é hipócritas que só têm voz quando lhes convém.

      O Pedro Mota tem andado a pregar no deserto, disso não tenho dúvidas, mas não é só os “decisores” que não têm estado a ouvir, até pessoas que (supostamente) seguem atentamente a BD – como tu – também não têm ignorado. Tu não és um tipo qualquer, tu és um Divulgador de BD, tu escreves com regularidade no teu blog sobre BD, era suposto seguires atentamente o que se passa em termos de BD, em particular quando até são temas que abordas, superficialmente.

      Deixa-me só salientar, de novo: o Pedro Mota não abordou pela primeira vez o tópico da comunicação aqui, já o tinha feito em outros locais em outros anos, como por exemplo no “Notícias da Amadora”, como já tinha mencionado.

      O exercício do Pedro Mota não é novo, mas é bem diferente do teu. Tu limitaste-te a constatar o óbvio, aquilo que qualquer pessoa com um par de olhos tem capacidade para ver. Não existe qualquer tipo de enquadramento, qualquer profundidade de análise. Constatas o óbvio, só isso. Parabéns, tens capacidade para ver o óbvio.

      A comparação entre o teu “trabalho” e o do Pedro Mota só surgiu porque tu o vieste questionar, “criticar”, por não falar do GBNT, mas não tocares sequer nesse assunto, aparentemente, nem tens interesse em continuar essa conversa.

      Tu tens onde falar, tu podes questionar, opinar e reflectir sobre os temas que consideras pertinentes, num espaço de opinião próprio que nem sequer é uma coluna de opinião, é um blog só teu! Afinal se esses temas são pertinentes porque não os abordas tu? E não venhas com a treta de que és só um “mero visitante”, tu és Nuno Neves, autor do blog Notas Bedéfilas, um Divulgador de BD. Tu tens acesso a informação privilegiada, afinal como tu mencionaste aqui: tu falas com “conhecimento de causa”. Tu também tens dados que te permitem abordar as questões? Porque é que não o fazes? Porque questionas os motivos por os outros não fazerem algo que tu não fazes?

      Deixa-me dar-te um exemplo:

      25 de Setembro, às 21:44, aqui no aCalopsia estavas decepcionado por o Pedro Mota abordar de uma forma mais frontal a questão da comunicação, em particular o “assunto da agência de comunicação”.

      No dia 25 de Setembro, às 23:46, escreves um texto sobre o AmadoraBD e nem tocas na agência de comunicação. Limitas-te a constatar mais uma vez o óbvio:

      “O festival é actualmente é um tema «quente» na blogosfera bedéfila, e não pelas melhores razões. Os motivos são os de sempre, ou não tratasse de um problema crónico do AmadoraBD: a comunicação, ou melhor, a falta dela.”

      Com este poder de análise é fácil ser “opinion maker”: basta constatar o óbvio.

      Gostei particularmente do modo polido como abordaste a questão do José Eduardo:

      “O responsável, nas anteriores edições, pelo envio da informação para divulgação, comunicou que foi afastado da organização do festival.”

      A descrição das funções são tão exactas – “Responsável […] pelo envio da informação para divulgação” – que até se podiam aplicar a um pombo correio. O que vale é que é lesto a realçar a importância e do José Eduardo e as consequências do seu afastamento:

      “Temos agora um quase-vazio de informação.”

      Causa e consequência: o José Eduardo foi afastado, agora temos “um quase-vazio de informação”. Como se esse quase vazio não se tivesse verificado em outras edições, quando ele lá estava, onde pouco mais se sabia, talvez com a única excepção dos concurso já terem sido divulgados por esta altura.

      O que é que te impediu de abordares as questões que tu consideras mais pertinentes em relação à política de comunicação do AmadoraBD?

      Já agora Nuno Neves, ouve lá! Se tu não leste a crónica sobre a comunicação do Pedro Mota porque é que a questionaste? Porque é que criticaste uma crónica do Pedro Mota que não leste?!

      Eu não estou a falhar o alvo Nuno Neves. Eu estou a acertar em cheio no alvo, e neste caso, o alvo também és tu, Nuno Neves, e todos aqueles que, como tu, que só têm opinião quando se toca nos “amigos”, as pessoas que pelas quais sentem “gratidão”. Aqueles que só têm voz quando lhes convém. Aqueles que só têm interesse em discutir os tópicos quando é para falar de pessoas e não das questões essenciais.

      Está mais evidente que tu não estás aqui para falar do AmadoraBD, dos problemas de comunicação do AmadoraBD. O teu objectivo, pelo menos na minha opinião, é defender o José Eduardo e “enterrar” o Pedro Mota.

      Isso é que é o problema, Nuno Neves, na questão do AmadoraBD (e em outras questões) da BD Nacional. A opinião que as pessoas têm sobre as questões está dependente de quem emite a opinião – se são “amigos” ou não – e se essa opinião toca em “amigos” e “conhecidos” ou não.

      O facto de o Machado-Dias ter revelado o mail do José Eduardo Ferreira com autorização deste (ou não) tem a seguinte relevância: se foi sem autorização dele, e o mail era correspondência privada, entre “amigos”, o que o Machado-Dias é eticamente reprovável, se não mesmo punível por lei. Se foi o segundo caso, e o mail foi publicado com autorização do José Eduardo Ferreira, o Machado-Dias não fez nada de errado, e até PODE ser entendido com parte de uma “campanha” para o José Eduardo Ferreira voltar a trabalhar no AmadoraBD.

      No primeiro caso seria natural ficares ofendido, como outros ficaram – e até eu que nem me sinto “grato” ao José Eduardo pelo trabalho realizado – afinal o Machado Dias quebrou a “confiança de um amigo” e colocou-o numa posição delicada. Se for o segundo caso, bem, aí compreendo aí melhor que não te sintas ofendido Nuno Neves.

      Estás a ver, Nuno Neves, a relevância de o mail ter sido ou não divulgado com autorização? Até é um pormenor que ajuda a compreender melhor até que ponto o Pedro Mota acertou no alvo.

      • Ok, agora é a minha vez de defender o Nuno (que a seguir defenderá o Bruno, já que o Bruno tem andado a defender-me a mim… e assim se vai vivendo). Em primeiro lugar, quando surgiu o Notas Bedéfilas, várias pessoas vieram perguntar-me se era eu o bloguista. Assim, alguma coisa haverá de semelhante entre o que eu faço e o que o Nuno faz.
        Em segundo lugar, e mais importante, aquilo que posso apontar ao Nuno é o facto de o blogue, de vez em quando, andar muito parado. Não acho que o Nuno seja daqueles que (ao contrário de outros bloguistas) digam que tudo o que os amigos fazem é bom, e que tudo o que fazem aqueles de que não gosta é mau. Tenho o Nuno como um divulgador atento e objetivo (apenas pouco regular), o que não me impede, por exemplo, de discordar (porque discordo) da opinião que ele tem sobre As Formigas.

      • Pedro, talvez essa dúvida se deva ao facto de o Nuno também utilizar “uma linguagem mais eloquente.

        Não tenho nada contra o Notas Bedéfilas, e o Nuno Neves até tem o mérito de trabalhar (um “bocadinho”) os press release, pelo menos não se limita a fazet um copy paste integral.

        Eu já tenho é pouca paciência para esta mania que as pessoas têm de vir questionar os outros por não falarem disto e daquilo, quando elas ficam caladas. Quando alguém que tem um espaço próprio vem questionar (criticar) outros por não falarem de temas que consideram pertinentes, mas não abordam é simplesmente ridículo.

        A maioria da pessoas não têm voz porque não querem. Mesmo aquelas que falam, geralmente evitam falar de algo que possa ser minimamente polémico, ficam-se pelo politicamente correcto e inócuo, até nas situações em que consideram que existem temas pertinentes que deviam ser abordados.

  • Nuno,
    A minha colaboração com o festival não é uma obrigação de nenhuma das partes. Neste ano de 2014, não tenho qualquer colaboração com o AmadoraBD, por exemplo. Propus um projeto, que acabou por não ser aceite, mas amigos como dantes. O importante é o festival.
    Quanto ao resto, é sobretudo uma questão de opinião.

    • E agora li este meu comentário, e vejo que pode ser mal interpretado. Importa esclarecer que a minha não colaboração com o festival já aconteceu noutros anos. Em 2006, por exemplo. É tudo uma questão de entendimentos e disponibilidades.

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