Constança Saraiva vence Prémio de Edição Independente da Oficina do Cego 2012-14

Decorreu na passada sexta-feira,16 de Janeiro, no Atelier Re.Al a entrega do Prémio de Edição Independente da Oficina do Cego 2012-14, no valor de 300€. A vencedora foi Constança Saraiva, com o livro que resultou de uma residência artística no Centro Social da Sé – um centro de dia para idosos na freguesia da Sé em Alfama, Lisboa: “Arte e Comunidades. Um arquivo poético sobre o envelhecimento”.

A obra tem como base o projecto Casa/Arquivo, objecto de estudo da autora na sua tese, desenvolvida no âmbito do mestrado em Museologia e Museografia da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, concluída em 2012.

Este é o início de uma investigação teórico-prática sobre Arte e Comunidades, sobre as questões da velhice, o modo como a valorizamos e a sua curiosa ligação à infância. O estudo do projecto Casa/Arquivo demonstra que o conhecimento sobre uma comunidade é essencial em qualquer prática artística com comunidades. A necessidade de documentação destas práticas artísticas leva à construção de um arquivo formado pelo conjunto dos vestígios do processo artístico. Esta diferente forma de constituir um arquivo dá origem ao conceito de Arquivo Poético.Constança Saraiva

Após a apresentação da vencedora seguiu-se uma mesa redonda dedicada a debater a o conceito de “edição independente”, tendo contado com a participação de Alice Geirinhas enquanto membro do júri, Filipa Valadares, da livraria STET, e Sara Figueiredo Costa enquanto membro-fundadora da Oficina do Cego e jornalista especializada no mercado do livro. Constança Saraiva participou através do vídeo de apresentação e do Skype. Pedro Moura, membro do júri e Presidente da Direcção da Oficina do Cego, realizou a a introdução e moderou o debate, considerando que existiu também “uma viva participação do público”.

O debate teve como mote a pergunta “O que é uma edição independente?”, uma questão associada à “pertinência do prémio proposto pela Oficina do Cego. Se bem que a pergunta foi considerada, inclusive pelos proponentes, uma pergunta tão espatafúrdia de colocar, porque sabemos intuitivamente o que é, foi também vista como impossível de resolver, uma vez que os factores são variados a concorrer sobre o conceito: questões propriamente editoriais, mas também financeiras, comerciais, de distribuição e comercialização, formatos e géneros, disciplinas artísticas e inclusive perspectivas críticas ou de participação em círculos criativos diferenciados (por exemplo, banda desenhada, fotografia e poesia).” Numa discussão que foi “viva e concorrida” o moderador salienta que “se não se pode jamais chegar a um critério fechado, houve um acordo porém na necessidade de estabelecer essa discussão e diálogo.”

Informações mais detalhadas sobre a lista completa de concorrentes e uma declaração do júri sobre o projecto vencedor serão disponibilizadas durante esta semana no blog da Oficina do Cego. Na Sexta-feira, dia 23, serão expostas todas as obras na Oficina, na R. Sabino de Sousa 42 A em Lisboa, ficando parte do acervo disponível para consulta.

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