Como foi a Comic Con para artistas e expositores? – 3ª parte

Hoje concluímos um pequeno inquérito aos autores e expositores (livreiros, editores) presentes na primeira edição da Comic Con Portugal. É amostra pequena, mas diversa quer nas entrevistados quer nas experiência e opiniões.

As quatro questões colocadas foram as seguintes:

  1. Quais eram as tuas expectativas para o evento e de que forma foram concretizadas?
  2. Como correram as tuas vendas?
  3. No teu entender, existem aspectos a melhorar no evento?
  4. Quais são as tuas expectativas para a próxima edição?

José Freitas, G. Floy e Levoir

José Freitas é conhecido sobretudo pelo seu papel de editor em diversos projectos de ediçao de banda desenhada norte-americana em solo nacional. Foi responsável pelas edições da Devir e hoje é editor da GFloy. Participou na Comic Con Portugal como editor da G. Floy, e como semi-embaixador da Levoir, presentes  através do stand da Dr. Kartoon, onde falou com o público sobre as colecções destas editoras.

1 As expectativas eram muito razoáveis, porque percebi, sobretudo a partir de finais de Outubro, que o esforço de comunicação que estava a ser feito era bom e iria trazer muita gente ao evento – e como co-organizador do BD Fórum em 2004, tinha a noção de que este evento seria muito maior, e o BD Fórum tinha sido até à data o maior em termos de “densidade” de público e fãs.

Mas acho que é justo dizer que ninguém estava à espera do sucesso que o evento acabou por ter, e torna-se claro que havia muita “sede” junto do público por um evento deste tipo, ligado à cultura pop. No geral, para mim, foi uma oportunidade de tomar contacto com o público e de tomar o pulso ao sentimento em relação às séries que a G.Floy acabou de lançar.

2 A G. Floy teve vendas boas num balanço geral, e foi interessante ver que a presença do Brian Vaughan impulsionou muito as vendas de Saga, mais, que as filas monstruosas que se geraram para os seus autógrafos funcionaram a nosso favor, já que davam tempo às pessoas de mandarem alguém ao stand da Dr. Kartoon ou à FNAC para comprar o Saga em português! Fiquei também surpreendido pela percentagem do público da série que é feminina: pelo menos metade, senão mais, dos compradores do Saga foram mulheres.

Mas  maior sucesso foi sem dúvida o das edições da Levoir, que se venderam em grandes quantidades, e teriam vendido ainda mais se:

  1. Tivéssemos previsto mais espaço, o que teria permitido trazer algumas séries que não trouxemos;
  2. Tivéssemos trazido mais quantidade de muitos dos volumes.

E o passatempo do Batman com o SOL correu bastante bem, com muita adesão do público.

3 Claramente tem de se repensar o método de acesso para os dias de maior enchente, com mais entradas, e mais rotação, para que as filas não durem tanto tempo. Do lado dos vendedores de comida, houve também um erro de estimativa relativamente ao tipo de público (muito mais jovem), ao tipo de comida que querem comer, e às horas de afluxo; um dos responsáveis da Iber-qualquer-coisa (não me lembro exactamente do nome :-)) disse-me que não estavam habituados a tanta gente, tão jovem, e a tantas horas diferentes.

Como fã e “expositor” de BD, acho também que a selecção de autores de BD não estava particularmente equilibrada (embora tivesse sido razoável), mas também isso competirá a editores e livreiros discutir, passando pela presença de mais de entre eles no evento.

Pessoalmente, tenho também muitas opiniões sobre pequenos pormenores que não são especialmente relevantes do ponto de vista do sucesso ou não do evento. Por exemplo: acho que a entrada dos visitantes devia ser mais perto do espaço central de stands, e não forçar a passar por tantos corredores relativamente vazios, o espaço do Artists’ Alley não era particularmente nobre, e devia-se acautelar melhor essa área, que foi um grande sucesso, devia haver exposições de BD melhores e mais pensadas do que a que existiu (relativamente pobre), embora entenda também que sendo um evento comercial, isso não seja de facto prioritário, já que representa um custo potencialmente sem grande retorno (mas talvez a organização possa equacionar patrocínios institucionais, p.ex.), etc…

4 Acho que facilmente o evento irá crescer e melhorar em 2015. Agora que se viu que é possível trazer mais de 30000 fãs para um local, desde que haja coisas que lhes interessem, será mais fácil arranjar patrocinadores, mais expositores, conseguir apoios, convencer editoras e livrarias que não estiveram presentes a vir, e contactar autores com mais argumentos para os convencer a aceitar o convite.

Por isso as minhas expectativas são que a próxima edição terá ainda mais sucesso que esta, e mais pontos de interesse para os visitantes (e participantes).

Safaa Dib, Saída de Emergência

A Saída de Emergência é uma editora que tem uma aposta consistente na literatura fantástica e esteve presente na CCCPT na área de expositores. Safaa Dib é coordenadora editorial do grupo e editora da revista Bang!, onde a BD também marca presença.

1 Era o ano zero da edição e naturalmente não conseguíamos ter uma ideia exata de como se realizaria o evento e o tipo de afluência que se iria registar. Pelo tipo de convidados presentes e pelo profissionalismo que a organização sempre exibiu em todos os contactos connosco, estávamos confiantes de que valia a pena marcar presença, mesmo se concluíssemos que as vendas não cobrissem os custos da nossa participação. Achámos que devíamos tomar o risco, considerando que o público da Comic-Con se identifica muito com a nossa colecção Bang! As expetativas acabaram por ser totalmente superadas. Falando não só do lado comercial, mas também como fã e participante, o ambiente vivido na Comic-Con foi genuíno e fez-nos ver que há já um público com apetência para o género fantástico (seja em BD, cosplay, manga, cinema, jogos, TV, literatura)  bastante firmado em Portugal. 2 O dia de sexta-feira foi um pouco enganador: começou de forma tímida e a sensação era a de um espaço grande demais para pouca gente a circular. Foi modesto. Passámos de 8 para 80 no dia de sábado. As vendas foram excecionais e tínhamos levado pouco stock. A nossa sorte é que tínhamos acesso a sobras da feira do livro do Porto o que nos permitiu repor stocks no dia de domingo e fazer mais vendas. Penso que a ideia geral que reinou no espaço comercial é a de que todos nós teríamos vendido muito mais se tivéssemos levado ainda mais material. 3 Certamente que existem alguns aspectos a melhorar e já apontei alguns deles à organização, por exemplo, a dificuldade de acesso à Exponor através dos transportes públicos. Sendo o público-alvo deles bastante jovem, isso acaba por ser importante. O resto são pequenos detalhes que podem vir a ser facilmente melhorados. 4 Vamos investir mais no nosso espaço comercial e certamente levar mais livros. No próximo ano, deverá haver um maior número de expositores, convidados ainda mais famosos e a concorrência será maior, mas este público já nos conhece bem e acreditamos que vamos repetir o sucesso de vendas.

Diogo Resende, League of Legends Portugal

Diogo Resende é um dos principais dinamizadores de League of Legends no nosso país. Participou na Comic Con Portugal com um espaço dedicado ao jogo, venda de merchandise associado e ainda organizaram um torneio de LoL durante os 3 dias do evento.

1As expectativas para o evento eram baixas porque a informação revelada a umas semanas do evento não era muita mas logo a meio do primeiro dia se desvaneceram. O evento provou ter uma organização acima da média e tanto a sexta-feira como o domingo tiveram uma afluência bastante boa. 2Os stands convidados pelo League of Legends Portugal venderam quase tudo o que tinham e, provavelmente, com o dobro do material teriam vendido outro tanto. A nível da participação no torneio: as inscrições encheram rapidamente sendo quase imperativo que para o ano, caso o torneio se repita, haja uma capacidade maior para receber público no stand, como por exemplo 20 PCs em vez de 10. 3Havia pouca oferta na alimentação o que criou filas gigantescas para algo não relacionado com o evento em si. Gostava de ter visto mais torneios de videojogos e mais artistas convidados mas para uma primeira edição não havia muito mais a pedir. Relativamente ao espaço: a zona dos boardgames foi utilizada para pessoal a comer uns snacks ou descansar, e podia ter sido utilizada para outras funções. 4Para a próxima edição espero ver nomes mais sonantes a nível da televisão, um pre-release de um videojogo de calibre internacional e um Artists’ Alley com espaço para mais artistas. Gostava que as pessoas – como eu – que estavam reticentes relativamente à primeira edição venham à segunda, porque foi dos eventos mais divertidos dos últimos anos
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