Colecção Novela Gráfica da Levoir e Público

De acordo com Pedro Cleto inicia-se 26 de Fevereiro uma nova colecção de banda desenhada da Levoir, em parceria com o jornal Público intitulada de Novela Gráfica.

Caso se confirme a informação será a aposta mais arriscada e menos convencional da Levoir.

São 12 obras, em capa dura, com o preço de 9,90 € cada volume, cujo número de páginas variará entre as 130 e as 280, sendo que o formato de cada uma seguirá o do original.

O facto mais surpreendente será, caso se confirme o facto de cada volumes ter um formato distinto. Reunindo alguns dos nomes mais conceituados da BD, de diversas latitudes, são doze obras publicadas originalmente em formatos como dispares.

É habitual as colecções terem uma unidade temática, de design gráfico e formato, aparentemente não será este o caso.

As 12 obras a serem publicadas:

  1. Um Contrato Com Deus de Will Eisner, 26 de Fevereiro
  2. A Louca do Sacré-Coeur de Jodorowsky e Moebius, 5 de Março
  3. A Viagem de Edmond Baudoin, 12 de Março
  4. Foi assim a Guerra das Trincheiras de Jacques Tardi, 19 de Março
  5. Beterraba – A Vida Numa Colher de Miguel Rocha, 26 de Março
  6. A Arte de Voar de Antonio Altarriba e Kim, 2 de Abril
  7. O Livro do Mr. Natural de Robert Crumb, 9 de Abril
  8. Em busca de Peter Pan de Cosey, 16 de Abril
  9. Sharaz-de de Sergio Toppi, 23 de Abril
  10. O Diário do Meu Pai de Jirô Taniguchi, 30 de Abril
  11. Mort Cinder de Héctor Oesterheld e Alberto Breccia, 6 de Maio
  12. Bando de Dois de Danilo Beyruth, 13 de Maio

Mort Cinder já foi parcialmente editado pela Asa, Beterraba – A Vida Numa Colher de Miguel Rocha, foi anteriormente editado pela Polvo, as restantes edições são inéditas em Portugal.

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Mais informações quando estiverem disponíveis. E já agora, deixem que adiante que se isto se revelar uma brincadeira de Carnaval não me admiro nada!

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29 Comments

  • Se fosse 1 de Abril até concordava, mas tendo em conta que é o Cleto que avança não me parece. Acho bem, precisamos de variedade de BD nas nossas estantes. Já enjoava tanto herói com cuéca por cima do uniforme e patos sem cuécas.

    • Eu estranho por ser algo completamente for do usual, e por não ter um formato padrão, algo que creio ser um factor essencial para o sucesso de uma colecção, os coleccionadores gostam de ter os livros todos arrumidinhos na estante.

      Isto é uma boa selecção de títulos mas parece faltar-lhe coerência. Estranhava menos se fosse uma colecção só em formato livro ou só em formato franco belga.

      Nunca pensei que alguém algum dia fosse publicar Toppi por cá.

    • Tens a certeza que é a edição integral? Isso são 256 páginas… se for edição integral em capa dura em formato franco-belga a 9 euros é uma pechincha! Eu até duvidada se não fosse o facto de o Sharaz-de do Toppi também ser mais de 200 páginas.

    • O problema das pedradas no charco é que a pedra afunda-se, as ondas desaparecem e a malta depois queixa-se que as pedras não flutuam. Esta colecção, pelo que foi dado a conhecer, tem tudo para daqui a uns meses ser usada como argumento de que os leitores só querem mais do mesmo.

      É uma boa selecção de autores e obras, mas não segue qualquer lógica de uma colecção convencional, parece é um plano editorial para uma editora “boutique”. Existem ali obras de 200 páginas em formato franco-belga em capa dura a 10 euros, isso é uma pechincha. Esses preços para não darem prejuízo precisam de de vender bastantes milhares de exemplares…

      E esta colecção nem tem aquele bónus que estas colecções costuma ter: aspecto gráfico e formato uniforme que faz com que as pessoas até comprem os volumes todos, só para terem a colecção completa na estante. Acaba por funcionar mais como 12 lançamentos individuais, onde é provável que as vendas reflictam mais o interesse do público em determinadas obras/autores do que é habitual nestas colecções.

  • É verdade, é mais do que possível que esta colecção venda menos que as anteriores.
    Mas pode ser que haja outro público que decida arriscar.
    Pelo menos, de forma egocêntrica, vai ser a primeira vez que vou comprar algo da Levoir. E mais que um.

    • A maioria das obras que tinha interessa já tenho na versão original. Sharaz-de e Mort Cinder é daquelas coisas que sou capaz de comprar, está numa língua que compreendo, geralmente só encontro as versões francesas, e francês é uma língua que não domino muito bem.

      Geralmente não compro obras de colecções porque não gosto de ficar com um volume de uma colecção, se os outros não me interessam, contudo não me parece que nesta se vá notar tanto como em outras, que devia ter comprado mais uns volumes para ter a “colecção completa”.

      A piada é que esta colecção tem preços económicos, muito baixos, mas ao mesmo tempo saí cara. É que se individualmente as obras são “baratas” para compara a colecção toda são uns 40/50 euros por mês, o que pesa no orçamento.

  • E se não nos queixássemos das coisas boas que nos aparecem pela frente sem contarmos com elas :-) ? O preço desta colecção é espectacular para as obras que são. Há muita gente a querer ler boa BD se for a estes preços. Há mais pessoas interessadas em arte em Portugal do que aquelas que nos damos conta, não há é poder de compra. Os portugueses gostam de BD de qualidade, este lançamento não representará risco absolutamente nenhum se a distribuição estiver eficientemente assegurada. Quanto ao constrangimento de ficar mal na prateleira por não ser uniforme? Isso é para as colecções de superes que temos escondidas nos nossos quartos de brincar em estantes baratas do IKEA. Autores como o Baudoin, o Oesterheld e o Breccia podem ser exibidos pedantemente :-) na nossa sala de visitas entre os livros de grandes pintores e os clássicos da literatura.
    Abraços

    • Queres que te apresente uma lista de 3 colecções (formato livro, comic book e franco-belga) que incluí esses autores (e outros inéditos em Portugal)?

      A questão do formato, da uniformidade gráfica e de formato de uma colecção é uma questão comercial – e um dos motivos para alguns crimes de design que a Levoir cometeu anteriormente: é um factor que se destina a fazer os leitores comparem todos os volumes, mesmo aqueles que não lhes interessam, e em alguns casos voltarem a comprar o mesmo volume duas vezes, caso já tenham comprado a obra anteriormente.

      Um exemplo de uma colecção bem feita é o Batman 75, em que a lombada dos volumes forma uma imagem. Isto são detalhes que ajudam a vender uma colecção, até porque existem pessoas que as compram só para estar na estante, o que podendo ser criticável não faz grande diferença para o editor, porque a sua principal preocupação é vender, e no fim do dia também não prejudica os restantes leitores, porque estas colecções só continuam a ser publicadas caso vendam.

      O Sheraz-de do Toppi vai estar à venda a menos de metade do preço de uma edição francesa ou norte-americana (custam cerca de 25 euros), 10 euros é um preço imbatível, mas para ser uma aposta com continuidade só voltará a verificar-se caso esta seja bem sucedida. O único problema destas colecções (seja esta ou outra) é que apesar de o preço individual ser pequeno, no final do mês implica (neste caso) uma despesa de 40/50 euros para comprar todos os volumes.

  • As colecções dos super heróis ficam em perto de 150€ e cada volume contém menos páginas.

    Isto é material que todas às bibliotecas municiais de todo o país vai adquirir.

    Vão ver até que vai vender mais que as outras anteriores.

    E pela imagem que o Cleto apresenta o design dos livros é o melhor de todas as colecções de BD que eles têm lançado (uma cor a representar cada livro. Menos é mais, camaradas).

    Isto na volta é uma co-edição entre várias editoras (Polvo / Devir / Asa / Arcádia & so on) e o Público. Não se preocupem que não devem perder muito dinheiro, mesmo que venda pouco (o que não acredito com esta qualidade de autores).

    Espero mesmo que tenha direito a uma segunda e terceira séries.

    ‘Tá-me a fazer falta algo do Joe Kubert, do Eduardo Teixeira Coelho, Paolo Eleuteri Serpieri (Exigimos, Druuuuna!) e quiça do Alan Moore (o Swamp Thing a preto e branco que a Devir anda a prometer desde a Comix # 4 dedicado ao Alan Moore).

    P.s.: Quanto Às cuecas, peçam à DC Comics que vos explique. Ao fim ao cabo foram eles que tiraram a do Super Homem.

    • Eu realmente devia era converter isto num site de roupa interior que a malta adora falar de cuecas…

      As colecções de super-heróis saem mais baratas por volume e mês.

      Porque raio é que isto seria um co-edição de Polvo / Devir / Asa / Arcádia?

      Se qualidade fosse sinónimo de vendas estava a BD nacional bem… o que não tem faltado ao longo dos anos é edições com qualidade. A colecção só tem sequência se for rentável.

      Se tiveres consciência dos custos de produção vais compreender o motivo porque as edições francesas e americanas de Sharaz-De por exemplo custam à volta de 25 euros…

      Não contes muito com as bibliotecas, isto nada tem a ver com a qualidade da colecção, é algo que depende do orçamento das bibliotecas e de quem faz as compras. Existe um bibliotecário que de volta e meia queixa-se no seu blog anónimo que não enviam (oferecem) exemplares lá para a biblioteca.

  • Porque raio é que isto seria umA co-edição de Polvo / Devir / Asa / Arcádia?

    Em vez de Arcádia devia ter escrito Asa que é um dos parceiros principais do jornal Público.

    Porque algumas das obras a publicar já foram publicadas nessas editoras ou as mesmas já detiveram os direitos de publicação de alguns dos autores da colecção.

    Ora, pensa lá bem, não seria muito descabido uma co-edição desta colecção entre a levoir, o público e outras editoras.

    Os direitos de publicação eram pagos por 3 entidades em vez de uma apenas, o que permitiria ter as edições a um preço convidativo porque se poupava na parte burocrática.

    Conheço muitas bibliotecas e sempre que sai alguma destas colecções, como se compra os jornais para as mesmas, se o orçamento o permitir também compram o livro que acompanha.

    Tudo depende da pessoa que está à frente do departamento de aquisições ter ou não interesse por BD.

    • Resumindo: concordas comigo na questão das bibliotecas.

      As editoras não detém os direitos de publicação de obras por tempo indefinido, salvo excepções. Só duas obras foram editadas por outras editoras: Beterraba e Mort Cinder, e em ambos os casos já à algum tempo.

      Tendo em conta que a Asa colecções próprias, ela está a competir com a Levoir. A colecção Batman para ser editada ao mesmo tempo que a XIII teve de ir para o Sol. Três editoras e um jornal a negociar com x editoras estrangeiras não ia diminuir a burocracia, podia era aumentar.

      • Nas bibliotecas não. Falou-se que as bibliotecas nacionais só querem cópias à borla e eu discordei e contrapus que não era bem assim e acrescentei que para uma biblioteca municipal adquirir esta colecção para o seu espólio depende apenas de haver alguém na hierarquia bibliotecária que autorize a aquisição da colecção em conjunto com a compra dos jornais diários. Pelo menos na provincia é assim que se faz, em Lisboa já não sei.

        Quanto a isto poder ser uma co-edição entre o público, levoir e outras editoras; é pá, eu sou o velho rezinga das teorias da conspiração e vejo nesta colecção indicios de escolhas que já estiveram associados a diversas editoras.

        Ora veja lá:

        Contract With God – Diversas vezes associado à Devir no passado. A Devir há muitos anos que se quer afirmar nas livrarias como a especilista em Romances Gráficos.

        Livros de Tardi/Moebius/Toppi/Cosey – Habitués das edições Asa.

        Beterraba/Soma de 2: Um dos best sellers da Polvo e agora a Polvo aposta muito nas GN’s Brasileiras.

        Quando digo isto, não o vejo como algo mau. Pelo contrário, vejo-o como um ponto de união entre as várias editoras, o que na minha opinião torna o mercado mais coeso e estável.

        A partir do momento em que as várias editoras cedessem os seus direitos para esta colecção, basicamente, a burocrácia nem existiria.

        A Levoir não é propriamente uma editora, mas uma produtra de conteúdos. Precisa de ajuda quer dos jornais onde lança as suas colecçõe para levar avante uma co-edição, como decerto terá tido alguma ajuda das editoras Portuguesas que já editaram os livros que refere, mas também que já editaram noutros tempos obras dos autores contemplados.

        Como dizia a Perpétua: Mistérioooooooooooooooooooooooooo.

      • Estás a esquecer que o José Hartvig de Freitas já foi editor da Devir…. a qual publicou o Miguel Rocha, pelo menos em Espanha e já não me lembro se publicou no Brasil ou não. A publicação de autores brasileiros também já era habitual no tempo da Devir, do Freitas, ou seja: os Freitas tem os contactos suficientes para poder fazer os negócios.

        Não me lembro de a Asa ter publicado Toppi. Tardi já foi publicado em Portugal pela Polvo e Witloof, que também editou Cosey.

        Não vejo grande mistério nesta colecção, simplesmente considero é que é mais Lameiras que Freitas.

        A grande aposta da Devir nos últimos anos tem sido é o mangá, o romance gráfico é um, esporádico, para ir publicando material diferente e, supostamente, de qualidade, contudo não é a aposta principal da editora.

  • “As colecções de super-heróis saem mais baratas por volume e mês.” Quanto mais baratas? 1,5 a 2 € semana? Se calhar vale a pena a diferença… E repara o Marvels teve 224 pag. e foi editado na mesma. A malta que apostou nisto já é crescidinha, se arriscam é porque podem. E o Crumb em português… nunca pensei ver. Esta é uma iniciativa a aplaudir e estou um tanto surpreso por te ver armado em velho do restelo, já sem cabelo e tal … ;-) Façamos votos que seja um sucesso e que a segunda série traga finalmente o “The Complete BadSummerBoys in TechniColor”

    • Desde quando é que é uma pessoa apontar factos é ser velho do Restelo?

      Existem alturas em que parece que só se pode ser “hater” ou “lover”, esta bipolaridade lusitana por vezes é irritante. Eu só estou a ser realista.

      • Não é para ser do contra, mas eu prefiro BSB a preto e branco, mas eu tb sou dos que prefere Pratt a preto e branco…. enfim, que não tem nada a ver, mas dá para salientar que não é nenhuma boca a BSB.

  • Vou aproveitar para colocar aqui um comentário que escrevi num grupo do Facebook sobre este tópico, e que depois se vai perder, que a informação no FB é efémera.

    Esclarece algumas das dúvidas e problemas que tenho com esta colecção, e com as consequências que ela pode ter. Algo que não tem a ver com cuecas ou ser velho do Restelo, mas com a realidade do mercado nacional.

    Esta colecção foi feita para perder dinheiro? É que com as características que tem parece. A margem de lucro de algumas destas obras vai ser menor do que de generalidade das edições DC/Marvel, o que implica ter vendas superiores do que Marvel/DC, um produto que já tem uma base de leitores, algo que a maioria destes autores não tem. As obras mais baratas da colecção são suficientemente baratas para no todo a colecção não ter um preço de custo que exige vendas superiores às da Marvel/DC?

    É que caso seja necessário vendas superiores parece uma decisão pouco sensata.

    Na minha opinião fazia mais sentido ser publicada para distribuição em livrarias, onde o público tinha tempo de descobrir as obras. Assim, vão ter uma semana para descobrir Toppi. A menos que o projecto a longo prazo seja uma distribuição das edições nas livrarias, não parece lá muito sensato, e bastante arriscado.

    O lado negativo desta colecção é que se falhar comercialmente vai ser usada como uma desculpa, ou justificação para não se continuar a editar estes autores, e não estou a falar da Levoir em particular, mas de qualquer editora, afinal se a malta não compra Eisner ou Toppi a 10 euros, vai comprar se for mais caro?

    A colecção tem realmente preço muito bons, demasiado bons, que em alguns caso se até parece dumping. O Sharaz-de do Toppi, por exemplo, é comercializado em França e EUA (mercados com uma dimensão superior ao português) com um preço de cerca de 25 euros.

    O facto de as obras terem um preço baixo não significa que vá ter vendas superiores a uma edição com um preço normal, embora isso seja necessário para a sua viabilidade financeira. A história já o provou que a ideia de que preços baixos equivalem a vendas elevadas nem sempre é verdade. Existiram colecções/séries/obras/autores/projectos que falharam derivado a terem preços baixos e necessitarem de vendas elevadas, porque até existia um público que garantia a rentabilidade dessas obras, mas era com tiragens menores e um preço mais elevado. E por vezes nem era uma diferença muito significativa: um ou dois euros.

  • Bom preço, bons autores, boa iniciativa, boa escolha de formatos (excluindo “a louca de sacre coeur”) já está quase no fim. Venha a II série.

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