O cartaz internacional da Comic Con Portugal 2016

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Embora ainda continue a sentir uma certa alergia ao modelo “comercial-pop” do evento, há que reconhecer que estes organizadores conhecem muito bem a identidade do projeto que idealizaram, e – pasme-se – têm um plano e uma estratégia que ultrapassa a edição de cada ano, garantindo uma consolidação e uma continuidade e evolução que podem servir de base a toda uma série de novas oportunidades.

Independentemente do que avancei no meu conhecimento da realidade do evento, tal como já referi há um ano atrás, o facto de a Comic Con Portugal ser um evento puramente comercial, e em que a banda desenhada aparece diluída na chamada cultura pop, não deve desviar a nossa atenção dos pontos fortes do evento. E o certo é que o Comic Con faz com que não seja possível ignorá-lo.

Tal como há um ano atrás, o cartaz de convidados internacionais ligados à banda desenhada é, mais uma vez, um ponto fortíssimo, integrando:

  • O búlgaro Alexander Maleev, facilmente reconhecível pela sua técnica no tratamento da cor, colaborador habitual de Brian Michael Bendis em títulos como Daredevil, Civil War ou New Avengers (para além de diversos títulos fora da Marvel, como um longo “run” em Sam and Twitch);
  • Achdé, o atual desenhador de Lucky Luke;

  • o croata Esad Ribic, mais um extraordinário artista ligado à Marvel, em títulos como Thor, Silver Surfer, Wolverine ou Sub-Mariner;

  • Chris Claremont, o lendário argumentista que, com desenhadores como John Byrne ou Jim Lee, criou a febre internacional em torno do universo dos X-Men (incluindo “The Dark Phoenix Saga”);

  • Brian Michael Bendis é um premiadíssimo autor de BD, reconhecido pelo trabalho em diversos títulos, sobretudo da Image e Marvel, mas também por trabalhos para a televisão, como a série Jessica Jones.

Poderia não haver mais ninguém, e já era um cartaz extraordinário. Mas acrescentem-lhe mais convidados portugueses e estrangeiros como Rafa Sandoval, Jorge Coelho, Filipe Melo, Juan cavia, Francis Manapul, Miguel Mendonça ou Julian Lopez.

O cartaz de autores convidados continua a ser um dos principais critérios segundo os quais o público mede a qualidade e o interesse de um evento ligado à banda desenhada.

Se fosse o único critério, em 2016 havia que reconhecer um primeiro lugar à Comic Con, e um segundo lugar a Beja. Era importante que, também nesta perspetiva, a Amadora abandonasse a opção de apenas convidar autores ligados ao tema central ou em destaque através de exposições, passando a encarar a presença dum autor como um motivo de interesse autónomo. Parece mais fácil de concretizar do que a realidade tem demonstrado, e, por estranho que pareça, é um tipo de aposta que não depende apenas do festival. Neste âmbito, o ideal seria mesmo apostar na vinda de autores em parceria com outras entidades, designadamente editores e livreiros.

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