A Bruxa do TLS

Num mercado de trocas cegas quem tem olhos não vê nada.

Numa daquelas conversa que aconteceu no Facebook o Mário Freitas dizia que existem problemas no AmadoraBD (ABD) mas não devíamos caçar bruxas. Eu concordo, por isso foi ilibar uma das maiores bruxas do festival: o TLS (The Lisbon Studio). O qual vai ter este fim-de-semana e em exclusivo um Artists Alley só para eles e de borla!

Mercado das trocas cegas

Antes de continuar convém esclarecer o que é o mercado das trocas, o qual eu apelido de cegas pela falta de iluminação.

O Mercado das Trocas é o nome com que é designado na planta e programa a área que foi promovida, no Facebook do evento, como sendo um Artists Alley. Este termo inglês que virou moda, pode ser traduzido literalmente como “beco dos artistas”, em alternativa pode ser utilizada uma expressão que não sendo um tradução literal reflecte o seu conceito e essência: uma feira de autores.

Um tenho uma aversão a estrangeirismos desnecessários, porque se existe uma tradução literal ou uma tradução correcta do conceito é mais fácil comunicarmos. Quando se utiliza terminologia estrangeira corresse o risco de não se compreender o conceito, ou levar à letra o conceito.

Os “becos dos artistas” não são becos literais e por vezes ocupam quase toda a área do recinto, mas na realidade são feiras de artistas e volto a frisar, algumas bem grandes. O termo “beco dos artistas” serve unicamente para diferenciar a área de editoras e livreiros da área ocupada por autores.

O mercado da trocas cegas promovida pelo ABD são uns metros de espaço mal iluminado, conseguiram a proeza de capturar a essência de um beco mal iluminado numa zona central do espaço, esqueceram-se foi que devia ser uma feira.

Inovações incompetentes

Uma das caracteristicas de uma feira é a presença de diversos vendedores com produtos distintos. Aquilo que a Amadora criou foi um espaço diminuto em que só existe espaço para meia dúzia de pessoas, em que em cada dia estão presentes vendedores diferentes, os quais foram divididos e organizados consoante o critério subjectivo da organização.

Politiquices Amadoras

Existe intrigas, ódios de estimação e muitas politiquices no meio da banda desenhada nacional, mas existem outras que só existem no festival devido à incompetência da organização do festival.

Quando vi o anúncio que o TLS tinha uma Artist Alley só para eles, a primeira coisa que pensei foi: “Porque é que isso é só para os gajos?” Despois lembrei-me da história.

Em Dezembro de 2016 Nelson Dona andou pela Comic Con  a perguntar aos autores que estavão lá se queriam ir a uma Artist Alley na Amadora. Em Outubro de 2017, uma semana antes do evento começar eles ficaram finalmente a saber como é que ia funcionar.

É claro que existiu politiquices, devido à incompetência da direcção presidida por Nelson Dona. Ninguém ando a pedir um espaço um Artists Alley só para eles. O que os autores pediram foi uma feira de autores, um local onde os autores pudessem comercilizar a sua arte. Contudo aquilo que a Amora criou foi um espaço diminuto para calar a boca aos autores, para disfarçar a coisa dividiu os diversos dias entre os autores que bem entendeu: no primeiro fim-de-semana foram “não-alinhados”, no segundo dia 4 é o TLS, no dia 5 é o Ar.Co, no último fim-de-semana vão ser outros.

Existe de facto politiquice, estão presentes durante os três fins-de-semana os autores a quem o Dona resolveu dar uma borla. Mas nem isso é grande recompensa porque, como dizia alguém, “eu por aquilo nunca iria pagar”.

Os autores portugueses já estão habituados a estar em pequenos e grandes eventos, seja em Portugal ou no estrangeiro. Pagar mesa não é problema, já estão habituados a isso, querem é um mínimo de condições, algo que não têm na Amadora.

A politiquice, o habitual “filhos e enteados” do festival, é algo que só existe devido à incompetência do festival: não souberam definir atempadamente um espaço que permitisse a presença de um número aceitável de autores, e não souberam definir fazer aquilo que é usual em eventos competentes, comunicar aos autores quais eram as condições (preço) para estar presentes, aceitando as inscrições conforme surgiam até estar esgotado o espaço que disponibilizavam.

Aquele mercado das trocas cegas que criaram é algo que não serve a ninguém, nem aos autores, nem aos visitantes.

Piada Ar.Caica

Quando vi que existem pessoas na Amadora que consideram que os alunos do Ar.Co estarem no domingo no Artists Alley era um motivo para ir lá ri-me. A sério ri-me. Eu não estou a insultar os alunos do Ar.Co, mas se quiser ver trabalhos dos alunos do Ar.Co, eu a vou ao Ar.Co, eles também promovem eventos para promover e expor os seus alunos lá, é mais perto e tem melhor iluminação.

Os diversos vendedores que vão passar individualmente pelo mercado das trocas cegas só eram atractivo para visitar o festival caso estivessem em conjungo no mesmo espaço, no mesmo dia, numa feira de autores.

Eu sei que posso estar a ser um pouco paternalista e repetitivo. Mas aquela malta da Amadora não percebeu mesmo qual é o interesse de uma feira de autores.

Da maneira que fizeram aquilo não vale a pena, não é motivo de orgulho para o festival, porque é mais prático esperar por uma feira de autores onde eles estejam em conjunto, ou então visitar espaços próprios deles.

Lembram-se do americano que vem fazer fanzines

A propósito do Ar.Co só tenho a acrescentar mais uma coisa, eles têm formadores de ilustração e banda desenhada que inclui nomes como Bruno Caetano, Filipe Abranches, Nuno Saraiva, Pedro Brito e até Pedro Moura! Por esse motivo é que disse e mantenho que não faz sentido andar a pagar viagens e alojamentos a americanos para dirigirem oficinas de fanzines.

Fazia mais sentido o festival estabelecer um parceria com a Ar.Co ou outros, algo que seria menos dispendioso e permitia a presença de autores internacionais com algum relevo.

Ossos da Amadora

Isto já vai longo, mas não quero deixar de comentar o tratamento que, aparenta, ser preferêncial que é dado ao TLS (The Lisbon Studio).

Para começar vamos começar pelos “privilégios” que o estúdio teve este ano no festival:

  • Nuno Saraiva é o autor em destaque. Depois de eu ter escrito Nuno Saraiva, não creio que precise de explicar porque motivo ele estar em destaque num festival de BD em Portugal não é nada de especial.
  • A exposição que lhes é dedicada foi remetida para a Bedeteca, é uma daquelas que ninguém vê. É habitual existirem autores nacionais em espaços fora do núcleo principal para encher programa.
  • A presença deles no mercado das trocas cegas, é idêntica à dos que vão estar presentes nos outros cinco dias. Não era aquilo que os autores, do TLS e sem pretecerem ao estúdio, pretendiam, fazia sentido e seria uma mais valia para o festival.
  • O lançamento da TLS series é como todos os outros lançamentos que acontecem no festival, existem projectos que vão ou já tiveram sessões de lançamento que são menos relevantes. Hoje em dia, qualquer fanzine tem lançamento no ABD, é só uma questão de ter muita paciência para lidar com a organização, porque confirmações, essas é só em cima da hora.

O único facto onde o TLS têm realmente tratamento preferencial é na divulgação feita na página de Facebook do evento. Estão entre os eleitos que têm as suas actividades divulgadas na página, algo que não acontece com todos os autores e editores presentes. Contudo isso é fruto da incompetência do festival.

Devia existir uma divulgação atempada dos diversos eventos que vão ocorrer. Não existe, não segue nenhum critério lógico e parece ser feito com base em três critério:

  • Acharam piada à coisa
  • Lembraram-se que deviam publicar alguma coisa na página, para justificar o ordenado.
  • O autor ou o editor andou a chateá-los.

Quando se analisa os eventos que são divulgados e a maneira como são divulgados, aquilo é um bocadinho patético.

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