O CPBD e a BD para Malta Jovem

CPBD
As exposições do CPBD são capazes de atrair "malta jovem"?

Num “post” no blogue Kuentro, Machado-Dias critica as mais recentes exposições que têm sido promovidas pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) nos seguintes termos: “Não é com “exposições deste género – mesmo com originais ou reproduções impressas, mas muitas vezes e o pior que tudo com fotocópias, afixados em cartolinas pretas e com um acetato por cima – que atrai novas gerações. A malta nova está habituada a exposições montadas profissionalmente (ou não) com outro requinte, seja de emolduramento ou outros enquadramentos expositivos. Enquanto o CPBD não perceber isto, o resultado será sempre a “excelente afluência de jovens” nas suas iniciativas.”

Tenho tantos reparos a este comentário, que resolvi escrever uma crónica só sobre o assunto.

Em primeiro lugar, há a afirmação sobre o requinte com que se tem habituado a “malta nova”. Julgava eu que o requinte é o mesmo com que se tem habituado a malta menos nova, mas falta a indicação de qualquer fonte ou razão de ciência que sustente a afirmação crítica. Partindo da minha experiência pessoal, há dois eventos que têm promovido uma nova forma (mais profissional ou requintada) de apresentar uma exposição de banda desenhada: o AmadoraBD e o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (sem esquecer a experiência do CNBDI). Mas são eventos cujos meios, por disponibilidade orçamental ou por competência em áreas como a carpintaria, permite outro tipo de aposta. De qualquer forma, são eventos criticados por pessoas como Machado-Dias pela sua incapacidade para… renovar o seu público e trazerem a tal malta nova.

No entanto, em segundo lugar, Machado-Dias faz notar que esta é a questão, e que o que falta ao CPBD não é o orçamento do AmadoraBD ou os carpinteiros e outros trabalhadores da Câmara Municipal de Beja, mas apenas “perceber isto”.

Em terceiro lugar, afirma que o resultado de o CPBD não perceber isto é a falta de malta jovem nas iniciativas do Clube.

Tenho muito respeito pelo Machado-Dias e pela sua (nem sempre fundamentada) voz crítica, mas não me parece que a questão seja tão simples como está enunciada. De resto, da forma como a questão está colocada, até parece que a malta nova só se move pela forma e nunca pelo conteúdo, o que não me parece ser o caso. E isto, partindo do princípio de que a crítica é pertinente. Fará sentido criticar a falta de malta menos jovem numa iniciativa como o Anicomics? Não me parece.

A verdade é que as exposições de banda desenhada não contribuem muito para a afluência da malta nova, que se move mais por outro tipo de coisas (mesmo nos eventos de BD, move-se sobretudo pela presença de autores, ou pelos desfiles e concursos de cosplay, por exemplo).

De resto, não me parece que uma exposição sobre os 80 anos d’O Mosquito, apresentada na sede do CPBD tivesse mais malta nova, se fosse apresentada com maior requinte (e igual dignidade e dedicação). Será uma questão a avaliar quando o Clube desenvolver uma iniciativa especialmente vocacionada para os mais novos, mas não agora.

Para já, aquilo que me parece que justificava ser destacado (e não foi), é a enorme afluência da malta menos jovem (que se interessa por um bom conteúdo independentemente da forma), e o interesse manifestado pela comunicação social. E se queremos ser críticos em relação aos meios (mesmo no caso de desconhecermos as limitações expositivas da nova sede do CPBD), podemos sempre desejar que o Clube disponha de maior orçamento ou apoio na sua atividade.

O Clube deve procurar sempre ter um cada vez maior número de associados, e renovar o seu público numa perspetiva de continuidade da sua atividade, mas o fator que se procura atrair não está ligado à idade. Liga-se antes ao interesse, retorno e participação. Só faz falta quem está. E, contrariando a crítica de Machado-Dias, o Clube Português de Banda Desenhada vai continuar a dar prioridade ao conteúdo sobre a forma.

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