BD Museu Bisley

A BD vai ao museu

Com a renovação do conceito de exposição de banda desenhada, não foi só a forma de mostrar BD que se transformou: a banda desenhada passou a ser apresentada em locais onde pouco entrava, desde logo nos museus.

Com uma semana de diferença, Madrid e Nápoles inauguram exposições em museus dedicadas à BD de super-heróis.

Em Madrid, o Museu ABC apresenta entre 11 de Março e 12 de Junho a mostra “Superhéroes con Ñ. Los dibujantes españoles que triunfan en Estados Unidos”, reunindo o trabalho de 47 autores espanhóis que se afirmaram na indústria norte-americana dos super-herois, mostrando a evolução (por etapas) da abordagem espanhola ao mercado internacional: «Los pioneros», «El gran desembarco», «Generación Laberinto», «Representados, iconoclastas y outsiders» e «Al margen».

De Rafael López Espí à surpresa Paco Roca (o autor de “Rugas” também fez um Fantastic Four que propôs à Marvel), passando por Carlos Pacheco, Ramón F. Bachs, Miguel Ángel Sepúlveda, David Aja, Pepe Larraz ou Enrique Vegas.

Em Nápoles, entre 19 de Março e 2 de Maio, o Museo Villa Pignatelli apresenta a mostra La Grandiosa DC Comics, em associação com a Napoli COMICON. Aos originais de autores como  Alex Ross, Simon Bisley, John Bolton ou Jim Lee juntam-se os dos autores italianos que se têm destacado nos comics da DC: Mirka Andolfo, Laura Braga, Riccardo Burchielli, Giuseppe Camuncoli, Werther Dell’Edera, Carmine di Giandomenico, Davide Fabbri, Fabrizio Fiorentino, Antonio Fuso, Emanuela Lupacchino, Alberto Ponticelli, Giorgio Pontrelli, Pasquale Qualano, Lorenzo Ruggiero e Claudio Villa.

A aposta é, claramente, a de apresentar a banda desenhada para além do público que já a lê e conhece.

Em Portugal, o Clube Português de Banda Desenhada começou este ano com o mesmo tipo de aposta, levando a banda desenhada à Biblioteca Nacional, e estabelecendo alguns contactos no sentido de, no futuro, levar a BD a outros espaços expositivos mais conhecidos do grande público do que da tribo da BD. Não há ainda perspetivas de apresentar uma grande mostra num importante museu. Há ainda algum atraso, apesar de experiências muito bem sucedidas, como as mostras apresentadas no Museu Regional de Beja, no âmbito do Festival Internacional de Banda Desenhada daquela cidade. Afinal, no que respeita ao mercado norte-americano, so agora é que Portugal está a iniciar a fase do seu “El gran desembarco”.

De qualquer forma, este é um caminho que merece algum destaque. A Biblioteca Nacional confirmou recentemente o interesse em mostrar banda desenhada, inaugurando, no passado dia 15 de Março, uma exposição de homenagem aos 70 anos de carreira de José Garcês, em nova parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, mais uma vez comissariada por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso.

Em jeito de excepção que confirma a regra, em Vila Franca de Xira, a banda desenhada foi apresentada no Museu do Neo-Realismo, no âmbito da exposição “SemConsenso – Banda Desenhada, Ilustração e Política” (desde 31 de outubro de 2015).

As atividades previstas para o encerramento da mostra, no dia 20 de Março, incluem uma visita guiada com a presença de Pedro Moura (15 horas) e uma sessão de conversa e debate com Nuno Saraiva, um dos autores presentes na exposição (16 horas).

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