As atribulações da Devir por José de Freitas (actualizado)

Os comentários daquela entrevista continuam a ser uma mina de informação, desta vez é o José de Freitas, ex-editor da Devir e coordenador da colecção Super-Heróis DC da Levoir,  que faz uma pequena retrospectiva do que sucedeu durante a última década na BD nacional, incluindo admissões de alguns erros que cometeu enquanto editor da Devir.

“Ganda confusão”! Vamos tentar estabelecer um calendário, pode ajudar e muito.
Sim, para mim a Vitamina BD e a Witloof fazem parte da “enxurrada” de novas editoras que começaram a editar à volta do ano 2000. Considerando que antes só praticamente a Meribérica é que editava há anos, o facto de repente aparecerem mais duas editoras ou três editoras constituiu uma grande novidade. A Devir iniciou a edição de Marvel em meados de 1999. E começou a editar os “trades” entre 2001 e 2002, se não me engano.

A Vitamina BD começou a publicar em 1997 assim como a Polvo, a Witloof começou a editar também entre 1997-1998, quando chegamos a 2002 (ano em que começa o implosão) estas editoras já estavam à 4/5 anos no mercado, não me parece que possam ser consideradas “novas” editoras.

A Devir começa a operar exclusivamente nas bancas, que sendo um canal de distribuição diferente pode (e deve) ser considerado um mercado diferente do mercado livreiro, onde a Meribérica dominava e as 3 editoras que mencionei estava em concorrência directa com esse colosso. Estas 3 editoras, na minha opinião, foram alargando o mercado (livreiro) de BD, apesar das condicionantes de existir um editora que, até aí, tinha tido um monopólio da BD nas livrarias e grandes superfícies. A Devir, como o José de Freitas indica, só mais tarde é que começa a editar álbuns para o mercado livreiro.

Curiosamente é nesse mercado que foi uma aposta secundária que a Devir acaba por ter mais sucesso, como o José de Freitas indica, com números algo surpreendentes.

Os anos de 2003 e 2004, e mesmo 2005, ainda foram anos bons de vendas, embora se notassem os sinais precursores de problemas a nível da distribuição (e não a nível da BD como categoria). Demasiados títulos para demasiado pouco espaço nas livrarias, prevalência dos hipermercados e problemas com a lei do preço fixo, expansão das FNACs e assim por diante.

Para a Devir (e falo só por nós, mas alguns comentários mais adiante), os problemas começaram em 2004 e 2005, mas exclusivamente a nível de bancas e de revistas. Ou seja, embora os livros vendessem bem, as revistas baixaram (e muito), e começaram a perder dinheiro, algo que já acontecia há algum tempo mas não nessa escala; antes, perdia-se algo, mas servia de veículo de publicidade das graphic novels e álbuns (e outros produtos que a Devir vende) e era possível justificar. O problema é que quando se tomou a decisão de deixar de editar revistas regulares para bancas, a Panini reviu o nosso contrato, deixando que outros iniciassem a edição de material da Marvel, e começou planos para distribuir o material brasileiro cá. E o facto da DC ter cedido o exclusivo quase completo dos seus títulos no Brasil retirou à Devir uma parte significativa do mercado. Se não podia editar DC, se estava bastante mais limitada na Marvel, a Devir perdeu 80% do seu catálogo. Como pode ver não foi um problema de vendas dos livros, mas apenas das revistas em banca. Aliás, naqueles anos as bancas passaram por reformulações profundíssimas que abalaram bastante a distribuição, e isso também teve grande impacto nos títulos da Marvel, que no geral não representavam um valor que fosse especialmente interessante para a nossa distribuidora (embora deva dizer que sempre fomos muito bem tratados na Logista, antiga Midesa, que fez esforços grandes para ajudar).

Os problemas da Devir nas bancas surgem com o exclusivo que a Panini consegui do catálogo da DC para o Brasil, os motivos de José de Freitas ter mencionado esse facto são os seguintes:

Só mencionei o exclusivo da DC no Brasil para explicar que como a Devir perdeu a possibilidade de editar mais de metade do seu catálogo (e a metade mais interessante, acrescente-se, desde Sandman a clássicos do Batman), se desinteressou um bocado; mais, sem alguns títulos fortes a empurrar, o resto do catálogo sofre e baixa as vendas. Mas infelizmente, a responsabilidade não foi da Devir, foi apanhada numa guerra entre editoras no Brasil em que os valores atingiram nivéis tais que o que a DC perdia, por deixar de ter editor próprio em Portugal, muito menos do que ganhava com o que lhe pagavam lá (dando o “rebuçado” de Portugal como um extra).

Eu estava curioso relativamente aos “muitos e bons anos de edições” a que o José de Freitas se tinha referido anteriormente. Tinham sido bons para quem? E Essas boas vendas não foram devido ás colecções de BD com jornais? O José de Freitas esclarece para quem não estava presente ou não tem os dados das vendas reais das editoras.

? Não estava presente? Não viu o que se editou entre 2000 e 2005? Centenas de livros, em edições razoáveis, das várias editoras? No que toca à Devir, tivemos muitos sucessos editoriais, títulos como Liga de Cavalheiros Extraordinários, Batman Ano Um, os primeiros volumes de Hellboy, Sin City, etc… Estamos a falar de livros que venderam 3000 a 4000 em primeiras tiragens e tiveram reedições. O Batman Ano Um vendeu cerca de 7000 exemplares na primeira edição (que era o trade normal de 100 pgs) e outros 4000 na edição completa que se reimprimiu alguns anos depois e incluia o sketchbook do Mazzuchelli. O primeiro e segundo volume do Sin City passaram por duas edições no ano do filme, cada, mais de 6000 a 7000 exemplares só nesse ano. Para mim isso são boas vendas! Estão longe dos 100,000 do Asterix, claro, mas enfim…

E foram boas para os leitores, que aderiram e compraram e gostaram, senão não tinham comprado vários volumes de várias séries. E foram boas para as livrarias especializadas, algumas das quais precisavam muito de material em português, regular, mensalmente, para ajudar nas suas vendas. E para as livrarias generalistas que viram BD a vender bem e com muita procura e deram, pelo menos durante um tempo, visibilidade aos livros. E foram boas para o mercado em geral. E provaram que se houvesse edições regulares, em razoável quantidade, de livros bons e de qualidade, havia público para a BD para os diversos géneros que a constituiam. Claro, a crise e os problemas de distribuição causaram grandes problemas à BD, mas mais porque a maioria das editoras não estavam preparadas para enfrentar os problemas que a “crise livreira geral” causou.

Ora vejamos: a Devir foi saindo do mercado porque não podia editar o catálogo que era o seu normal (mas também, admita-se, por crise nas vendas e por ter perdido algum dinheiro que na altura não devia ter perdido – ie. ter teimado um pouco de mais com as edições de revistas em banca, que deviam ter sido canceladas um ano e meio antes), a Vitamina BD levou um golpe terrível com os problemas que assolaram a sua distribuidora (a Sodilivros), que acabou por falir – a Devir também era na altura distribuida pela Sodilivros, mas conseguiu saltar fora do barco a tempo e começar a distribuir-se a si própria. A Witloof já tinha fechado antes, essa sim por problemas de vendas de alguns títulos (tinha-se comprometido com algumas séries e algumas das tiragens que fez estavam desajustadas), mas também por conflitos com o seu distribuidor, a Booktree idem, também me parece que foi das que viveu problemas de vendas mesmo e não conseguiu ter títulos suficientemente fortes para empurrar o seu catálogo. Sobrou a ASA, que continuou a editar normalmente durante bastantes anos.

E sim, fizeram-se promoções com jornais na altura, as duas colecções com o Correio da Manhã (uma vendeu muito bem, outra vendeu mal), a colecção do Hulk no Jornal de Notícias (que correu muito bem) e talvez outras de que não me lembro. Mas as vaneas foram boas sem haver colecções associadas a jornais. Por exemplo, o primeiro pedido do livro O Hobbit (na edição primeira de todas, em formato trade US) da FNAC foi de 800 exemplares, e o segunod pedido de 160 chegou menos dum mês depois! Esse livro vendeu na altura, em cerca de 3-4 anos, uns 15,000 exemplares.

Como questionaram as despesas e sucesso que a Devir Portugal teve, e o seu relacionamento como a Devir Brasil, José de Freitas faz uma breve história da empresa em Portugal.

A Devir foi estabelecida em Portugal em 1996, e funcionou quase imediatamente com grande sucesso! Aliás, ainda está em funcionamento, ainda edita BD e tudo, mas não esqueçamos que a Devir tem MUITAS outras áreas de actividade. A Devir funcionou tão bem em Portugal que em 1999 quando da grande crise do real e dos mercados internacionais, ajudou a sua casa mãe no Brasil, em 1998 e 1999 fez um investimento colossal na edição de Marvel, em 2000 fez outro investimento enorme, fundando (também com ajuda da Devir Brasil, claro) a Devir Espanha, que até hoje continua a funcionar e bem.

Obviamente que houve erros, e houve coisas que não correram bem, como em todo o lado. Quer saber uma coisa que não correu bem? Um investimento que fizemos em 2004-5 para editar a Turma da Mónica em Itália, que infelizmente teve vendas muito decepcionantes. Mas as coisas são assim, umas coisas correm bem, outras não. E na Devir a BD correu razoavelmente bem durante uns anos, embora nunca tenha sido de modo nenhuma a maior ou mais significativa actividade da empresa (que distribui e edita jogos e outros produtos). Grosso modo, nunca terá passado de 15% do total de vendas da Devir. Mas os sócios da Devir (portugueses e brasileiros, incluindo eu) sempre foram fãs de BD e sempre foi uma actividade prestigiante para a empresa.

Apesar dos”sucessos” existe um erro que Freitas não tem problemas em admitir:

Erros: ter teimado um ano de mais a editar revistas para bancas da Marvel. Foi o principal erro que eu vejo (do qual fui, aliás, o principal responsável).

Continuando no tópico dos insucesos, ou projectos que não correram muito bem, existe o tópico do BD Forum, que pretendia ser uma alternativa ao Festival da Amadora, teve uma primeira edição ambiciosa com nomes sonantes como Neil Gaiman, só que não teve direito a segunda edição.

BD Forum: deixou de se fazer por uma razão super-simples. Era de facto organizado pela Devir e pela Vitamina BD, mas também pela Sodilivros que era na altura distribuidora das duas editoras. A contribuição da Sodilivros foi ter trazido para o projecto a possibilidade de se alugar o Forum Telecom (vulgo Picoas) a um preço que qualquer outra organização não conseguiria. O projecto inicial era fazer de dois em dois anos, mas problemas de calendário, a implosão da Sodilivros, a forte diminuição de edições da Vitamina BD e mais tarde os conflitos entre a Vitamina BD (e até certo ponto a Devir) fizeram com que nunca mais se tenha feito o BD Forum. Uma pena, porque posso acrescentar que até se ganhou dinheiro, fora a visibilidade que a BD e os autores patrocinados alcançaram. Sei qua a Sodilivros também ganhou dinheiro, não me lembro do caso da Vitamina BD, mas penso que pelo menos perder, não perderam.

Relativamente a este tema posso também adiantar, para aqueles que não se lembram, que o BD Forum resolveu a questão dos autógrafos duma maneira que me pareceu equilibrada: cada pessoa recebia uma senha na compra dum livro num dos stands no festival, e com essa senha podia pedir um autoógrafo. Simples, fácil e resolve os interesses das editoras também. Foi aberta uma excepção ao caso do Neil Gaiman, num dos dias, porque tivemos o apoio da Editorial Presença nalgumas das suas despesas, e os leitores dos romances queriam estar com ele. Aliás… contei 900 pessoas na fila inicial do Sábado em que ele começou a dar autógrafos…

Agora entramos na parte do orçamentos, em particular no orçamento do Festival da Amadora e do BD Forum. Como são apresentados dois valores bastante diferentes, podem pesquisar que eu não sei indicar qual dos valores é que está correcto.

Finalmente… o Festival da Amadora tinha 500,000€ de orçamento e NINGUÉM ME AVISOU???!!! Raios, podia ter aproveitado e bem! São números fantasiosos e falsos. Se considerarmos o “equivalente” em trabalho e infraestrutura que a Câmara fornecia (trabalhadores para contrução de estruturas, supervisores, pessoal geral, sítio e assim por diante, espaço em locais de publicidade e na TV, etc…) talvez chegássemos a metade disso. Talvez. Duvido que em dinheiro passasse muito de 50,000 ou 70,000€. Coisa pouca, errou apenas por um factor de 10… E note que sei do que falo, porque além de autores, a Devir pagou por exemplo o catálogo da exposição do Gaiman (que não foi barato), investiu em parte dos custos de transportes de originais, etc… e houve anos em que trabalhámos de perto com o Festival. Como termo de comparação, o BD Forum custou cerca de 40,000€ mais o esforço de trabalho não remunerado (ou cobrado) da estrutura de alguns dos participantes (Sodilivros e Devir, sobretudo) e dos sócios que se envolveram pessoalmente e que pouco mais fizeram durante mais de um mês (com relevancia para o Pedro Silva da Vitamina BD que arranhou que se fartou!)…

Agora vamos à questão mais relevante para o mercado (livreiro da BD): a distribuição.

“Quando falei em “milhares de livrarias” foi uma força de expressão. Queria dizer que deveriam ser distribuídos para todo o lado! E sim, agora devem existir muito poucas livrarias visto que foram quase todas esmagadas pela FNAC e Bertrand, sempre presentes no C.Comerciais mais importantes. Mas aparte a FNAC receber logo um monte de livros o que economicamente é bom para uma editora, não deixa de ser estúpido não distribuir os livros para as outras… as distribuidoras por e simplesmente ignoram as outras livrarias. Um caso que eu conheço “in loco” é a livraria Serpis no CC Galerias do Alto da Barra em Oeiras que se fartou de pedir livros de BD à ASA e nunca recebeu um único… e ainda é mais estúpido não distribuírem para as livrarias especializadas chegando ao cúmulo de algumas serem as próprias a ir buscar os livros à editora como soube de um caso.”

O problema é que distribuir tem custos, e que uma editora pequena não tem como enviar meia-dúzia de livros para uma livraria. O distribuidor, como gere um catálogod e várias editoras, consegue juntar encomendas de várias e enviar. Mas mesmo assim muitas livrarias acabam por ter de pagar portes, ou são servidas de dois em dois meses (quando acumulam pedidos suficientes) etc…Mas confesso que é esquisito não serem fornecidos pela ASA/LeYa, que tem a sua própria distribuição no país inteiro. Talvez haja mínimos de encomenda e só os livros de BD não os satisfaçam. Não sou conhecedor da distribuição da ASA, para além do que ocasionalmente se houve dizer.

Mas nota, com a falência da Sodilivros houve várias editoras que ficaram sem distribuidor: Devir, VitaminaBD, Polvo, e nenhuma delas tem como conseguir enviar livros para livrarias uma a uma, excepto a Devir que já faz esse trabalho por causa das cartas de Magic, etc… Por isso, essas editoras mais pequenas vendem praticamente exclusivamente nas FNACs, Bertrands, uma ou outra livraria, perto delas (!), e feiras e festivais. O caso que tu referes é exactamente esse: uma editora como a Vitamina BD não tem como estar a expedir quantidades relativamente pequenas para livrarias, porque pura e simplesmente não tem empregados, contrato com transportadora, armazém, etc…

São alguns dados para se perceber a realidade do mercado da BD no presente, analisando alguns aspectos do passado, como é óbvio esta é a opinião de uma pessoa, pode existir quem discorde desta análise.

Para quem quiser ler a conversa toda deve consultar os comentários desta entrevista no Leituras de BD, eu já coloquei alguns links para os comentários de onde foram retirados este excertos ao longo do texto.

Nota: As gralhas são da responsabilidade de quem os escreveu.

 
Actualização: O Nuno Amado dá uma pequena achega relativamente ao orçamento do Festival de BD da Amadora. São valores interessantes.
No caso do Amadora BD só posso falar desde 2008 (a 1ª vez que fui ao Amadora BD foi em 2007).
Os números orçamentados são públicos, e no ano em que foi o aniversário da República Portuguesa eu estive na conferência de imprensa (tenho ido a todas desde 2008) e foi afirmado em plena conferência de imprensa que o orçamento do festival tinha sido reduzido para 500 mil EUR, mas que a comissão do centenário da República tinha colocado mais 250 mil EUR, perfazendo nesse ano 750 mil EUR. Foi dito (estou a repetir) que o orçamento tinha sido reduzido!
Nos anos seguintes andou por pouco menos dos 500 mil EUR se não estou erro, mas os números são públicos, pois fazem parte do orçamento da Câmara da Amadora.
Última actualização (espero eu): José de Freitas explica melhor a situação do orçamento do Festival da Amadora:
Relativamente ao orçamento da Amadora, mantenho o que digo. Aliás, uma breve pesquisa na net encontra uma entrevista ao Nelson Dona, em que ele afirma (em 2011) “Este ano o orçamento que tivemos foi de 275 mil euros. Temos menos um terço de verbas do que no ano passado” o que indicia que o Festival teria perto de 400 mil euros no ano anterior, e esse valor inclui a participação da Câmara em numerosos custos “não-financeiros”, ou seja, não pagos em dinheiro. Tipo: vamos usar este local, quanto é que isto valeria se alugássemos a outros, 30 mil? Este pessoal fica afecto ao Festival durante este mês, portanto os custos com ele passam para o Festival, etc… São custos, claro, mas é muito diferente de dizer que a Câmara gastou 275 mil euros em dinheiro para fazer o Festival. Muitos desses custos existiriam de qualquer modo, e é uma manobra contabilística atribui-los ao festival (manobra legítima, diga-se). De igual modo, eu disse aqui que o BD Fórum tinha custado cerca de 40 mil euros em dinheiro. Mas obviamente, é fácil encontrar outros custos. Por exemplo, o armazém da Devir esteve literalmente SÓ a trabalhar para o BD Fórum durante uma semana, isso representa um custo que não é pequeno (1/4 do pessoal e custos durante um mês, mais o transtorno à distribuição normal para outros clientes), o Pedro Silva não fez nada mais durante um mês, portanto o salário dele deveria ser contabilizado para o BD Fórum, etc… Mas isto é um exercício útil para perceber o esforço e o trabalho envolvido mas não é 100% realista: o nosso armazém fechava durante aquela semana e poupávamos aquele dinheiro?
E é exactamente essa dificuldade em arranjar financiamento em dinheiro que origina muitos dos problemas de organização,porque há coisas em que a Amadora quer poupar (dinheiro): nomeadamente viagens, hotéis, etc… o que aliás é compreensível, porque esse dinheiro pode servir para outras coisas (exposições).

(Não sei se isto é o fim, mas neste post já não faço mais actualizações) 

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