Património

A cidade da Amadora não se envolve tanto quanto poderia nas iniciativas ligadas a esta forma de linguagem, nem sente (globalmente considerada) um impacto significativo na economia local em virtude da sua ligação à BD, e que se poderia esperar face, por exemplo, à organização de um festival de BD que acolhe cerca de trinta mil visitantes. Fora dos dias do AmadoraBD, a cidade respira pouco a banda desenhada. Sobretudo, falta, ao fim de mais de vinte anos de festival e de mais de dez anos de CNBDI, uma banda desenhada que seja distintivamente da Amadora, eventualmente reflectindo o trabalho da cidade em torno da BD, ou a identidade multicultural e jovem da cidade.

O município tem, desde 1990, um importante projecto em torno da banda desenhada, e, desde há bem menos tempo, tem vindo a reclamar um importante projecto em torno das escolas.

A ligação entre os dois projectos, que parece uma conclusão natural a extrair do parágrafo anterior, é ainda pouco significativa. Também não há, no que respeita à identidade da Amadora, uma diferença significativa ao nível do desenvolvimento de projectos de BD nas escolas, da presença das escolas no CNBDI, ou da presença do autor de BD na escola. E é uma pena, porque a escola é uma excelente forma de promover a identidade da cidade em torno do seu projeto de banda desenhada.

A articulação das escolas do concelho com a banda desenhada faz-se sobretudo pelo AmadoraBD, que lhes permite a entrada gratuita, e que promove os concursos municipais de banda desenhada premiando também as escolas e bibliotecas escolares. Regista-se como um aspecto muito positivo toda a oferta que o Festival passou a garantir especificamente para a população escolar, nos últimos tempos, a começar por um maior acompanhamento às visitas escolares.

Ainda assim, esta articulação pode e deve ser repensada e intensificada, considerando aquilo que a Amadora tem de distintivo. Em causa está a valorização do património que a Amadora tem, quer em termos de população jovem quer no domínio da banda desenhada: aqui residem e residiram autores, estiveram sediadas editoras e publicações, foram concebidas personagens. Sobretudo, é na colecção de originais do CNBDI que estão reunidos muitos dos originais da história da banda desenhada da Amadora. Se a BD é, por todas estas razões, património municipal, interessava envolver a população escolar – que também é um importante activo do município.

E, naturalmente, esta valorização patrimonial pode e deve ir além do espaço da escola, o que a cidade, ainda que lentamente, vem cumprindo.

Em 1998, na cerimónia de entrega dos prémios nacionais de banda desenhada, Dias de Deus sugeriu que nos jardins da Amadora, fossem feitas estátuas com as figuras de Zé Pacóvio e Grilinho. Quinze anos depois, há finalmente estátuas com figuras de BD nos jardins da Amadora, com a recente inauguração do Parque da BD – Turma da Mônica.

O Grupo Extractus chegou a propor pinturas murais (à semelhança do que acontece em Bruxelas) e, um pouco neste sentido, há a assinalar os grafites das paredes em torno das novas estradas junto do viaduto da CRIL que, a convite da cidade da Amadora, têm por tema personagens de BD.

Finalmente, ainda sob a presidência de Joaquim Raposo, José Ruy e José Garcês (dois dos mais consagrados autores de banda desenhada portuguesa, ambos residentes na Amadora e já distinguidos com o Troféu Honra) passaram a ser nomes de escolas e de ruas do concelho.

Ideias simples, como uma maior (e regular) presença da banda desenhada nas festas da cidade, ainda estão por concretizar.

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