Comunicação

A recente divulgação da inauguração do Parque BD – Turma da Mônica, no boletim municipal da Câmara Municipal da Amadora, dava conta do projecto da cidade em torno da criação de espaços verdes, mas ignorava quase em absoluto o projecto de banda desenhada.

A cidade da Amadora tem um extraordinário trabalho de quase vinte cinco anos em torno da banda desenhada, e tem um (novo) executivo que, se quiser continuar a apostar na banda desenhada como traço distintivo da cidade, não deve perder todo esse passado histórico (feito de sucessos mas, também, de falhas) que representa esse trabalho.

Naquilo que parece uma das frentes de mais fácil concretização, a Amadora deve participar activamente (mais uma vez sem excluir a possibilidade de conjugação de esforços com terceiros), na promoção da banda desenhada através de meios informativos acessíveis e imediatos em termos de comunicação junto do público. Desde logo na promoção do seu próprio projecto, deve existir um sítio do CNBDI na internet, e um sítio e blogue do Festival. Nos últimos anos, a página do AmadoraBD no Facebook tem procurado suprir a falta de blogue. É uma solução ainda pouco conseguida, mas que representa já uma enorme evolução face aos tempos em que o mais parecido que existia com um blogue do Festival eram os comentários da organização no fórum do sítio da Central Comics. Quanto ao sítio do Festival na internet, aparece tradicionalmente demasiado próximo da data do evento, em soluções quase sempre tão avançadas na forma que prejudicam a sua acessibilidade, e tão inexpressivos no conteúdo que deitam por terra a sua utilidade. O sítio do CNBDI desapareceu sem deixar rasto, passando o CNBDI a ocupar um espaço imutável na página da Câmara Municipal.

Tudo somado, esta vertente de auto-promoção e de comunicação tem sido uma das áreas em que a Amadora tem produzido pior trabalho. Regra geral, as pessoas não sabem onde fica o CNBDI, nem sabem o que faz. Quanto ao Festival, não sabem que é anual, que acontece pela mesma altura do ano (que até nem é uma altura muito bem escolhida, já que estamos nisto), que celebra o livro de BD, etc., etc. Mas este mau trabalho não resulta da falta de conteúdos para promover e divulgar.

A Amadora tem um projecto distintivo, com um fortíssimo impacto em termos de imagem, e identificou o seu público-alvo. Falta então (apenas) comunicar de forma clara e eficaz essa proposta de valor em que se traduz o projecto, e fazê-lo sem resistência ao mundo e era digital em que vivemos.

No que respeita ao AmadoraBD, falta fazê-lo também em inglês, uma vez que está em causa um festival internacional. Imagine-se o momento em que se convida um autor para estar presente no evento (e, já agora, pede-se que empreste uns desenhos originais para integrar uma exposição). Imagine-se que se trata de um autor norte-americano, que nunca ouviu falar na Amadora ou no projecto de banda desenhada da cidade. Antes de responder ao convite, o autor faz uma pesquisa na internet e… não consegue retirar qualquer informação útil que seja fornecida pela própria cidade.

Há muito trabalho para fazer neste domínio. Justifica-se plenamente um maior investimento ao nível da promoção e comunicação, seja através de recursos próprios (que terão de revelar maior aptidão nestas áreas do que até aqui) seja recorrendo a terceiros. Não faltam na internet exemplos de como fazer mais e melhor, entre salões, festivais e museus nacionais e estrangeiros.

Está em causa (apenas, repete-se) dar visibilidade ao projecto. A parte mais difícil, a de ter projecto, já existe.

 

Autor, coleccionador, crítico e divulgador de banda desenhada, Pedro Mota colabora com o AmadoraBD desde 1995. aElipse é uma crónica semanal que será publicada no aCalopsia aos sábados.

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