A Equipa BD da Amadora

Que razão leva a Amadora a promover um festival de BD, ou a conservar e mostrar originais de BD, ou a arranjar uma bedeteca?

Consultando a ficha técnica do catálogo do 25.º AmadoraBD, conseguimos ver a dimensão da equipa que, na Câmara Municipal da Amadora se ocupa da banda desenhada: Nelson Dona (diretor do AmadoraBD), Cristina Gouveia (coordenadora do CNBDI, coordenação editorial, conteúdos e programação nacional do AmadoraBD), Emanuel Ribeiro (produção, logística e animação do AmadoraBD) e Lígia Macedo (relações internacionais do AmadoraBD). A este conjunto há a acrescentar José Eduardo Ferreira (CNBDI), e, como vimos, há agora também quem se ocupe de BD na Biblioteca Municipal.

A partir daqui, só chefias e de âmbito mais abrangente do que a BD: Vanda Santos é a chefe de divisão de intervenção cultural, Luís Vargas (ex-diretor do festival) é o diretor do departamento de educação e desenvolvimento sociocultural, e depois, temos, naturalmente o vereador do pelouro da cultura, António Moreira, e a presidente da Câmara Municipal da Amadora, Carla Tavares.

Ao nível técnico, antes das chefias e com atividade em exclusivo na banda desenhada, é uma equipa manifestamente pequena para exigir muito mais do que a preparação de um festival internacional com a dimensão do AmadoraBD. Para dificultar as coisas, a equipa é muito pequena e especializada (se, por exemplo, o diretor do festival é chamado para preparar a nova bedeteca, não há quem o substitua nas suas funções no festival).

E, no entanto, há que ir mais além.

Em primeiro lugar, há responsabilidades que a Amadora assumiu e que vão além do festival. Quer com a banda desenhada, quer com a cidade, quer atuais, quer as decorrentes da herança de quem, durante décadas, assegurou o lançamento de novos autores e publicações. Quem, como eu, celebrou contratos de doação de originais de banda desenhada à autarquia, fê-lo com a legítima expetativa de que a Câmara promova a respetiva catalogação e conservação, e a sua integração em exposições de BD a realizar pela própria autarquia ou por terceiros. E esta expetativa tem expressão no contrato como obrigações assumidas pela Amadora, o que só fica bem à capital portuguesa da banda desenhada.

Em segundo lugar, tem de haver um projeto. Que razão leva a Amadora a promover um festival de BD, ou a conservar e mostrar originais de BD, ou a arranjar uma bedeteca?

A identificação do que é este projeto levanta algumas dificuldades (mas, assim que estiver identificado, assegurará, certamente, inúmeras facilidades). Pressupõe, desde logo, que se compreenda a história da banda desenhada na Amadora, que vai muito para além da história do AmadoraBD, recuando até tempos em que a Amadora ainda não era uma cidade.

Conforme decorre do Plano de Desenvolvimento Social para 2009/2011 da Câmara Municipal da Amadora, “o desenvolvimento do município da Amadora tem dependido fundamentalmente… da implementação de uma rede social cada vez mais interventiva e que tem feito um claro esforço para integrar todas as instituições (públicas e privadas), num processo sólido de participação activa no combate à pobreza e exclusão social.” A afirmação é válida para o desenvolvimento cultural e patrimonial em torno da banda desenhada. Só uma atuação em rede interventiva e integradora, num processo sólido de participação ativa, permitirá o desenvolvimento do município.

Voltando à ficha técnica do catálogo do 25.º AmadoraBD, vemos que, para o festival, a tal pequena equipa transformou-se numa enorme equipa, com o concurso de diversos elementos de fora da Câmara Municipal e, dentro desta, com a intervenção de outros pelouros para além do da cultura. O que se pretende é que se mantenha esta forma de atuação para além dos dias do festival.

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