A Antologia Inkshot

INKSHOT
Autores: Vários
Editora: Monkeybrain
Distribuição: ComiXology

A 18 de Setembro de 2013 estreou-se, exclusivamente em formato digital, na plataforma online de venda de banda desenhada Comixology, a antologia “Inkshot”. Publicada pela Monkeybrain Comics, a antologia reúne 45 histórias curtas, de três a cinco páginas, feitas por 75 “novos” autores que têm a particularidade de terem todos como língua materna a portuguesa. Puxada a brasa, desengane-se o leitor, a antologia é exclusivamente brasileira.

Quando em 2008 Hector Lima se associou a Pablo Casado partilhavam uma ideia: organizar uma antologia de banda desenhada para divulgar autores brasileiros em terras do Tio Sam. Mais, planeavam que esse conjunto de histórias fosse representativo de uma “identidade brasileira”. Seria possível, no meio de tanta diversidade de influências, géneros e estilos, estabelecer uma visão representativa da “BD Brasil”?

“Inkshot” é a tentativa de resposta à pergunta e a melhor possível. Do western (“Black Durango”) à comédia (“Cosmogonia”) ao terror (“Canibal Lunchbox”); do cartoon (“Hapiness2”) ao fotorrealismo (“Lapse”) ao manga (“Running in the Shadows”), temos de tudo um pouco no livro. Há um grande número de autores talentosos que preenchem as páginas do livro e de uma consistência pouco comum em iniciativas do género. Com um espectro tão largo de abordagens, a escolha inteligente pelo preto e branco trouxe uma coesão à obra que seria difícil de outra forma.

O principal problema do livro é relativo à tradução dos textos originais em português para o inglês. A maioria das histórias tem traduções competentes mas há umas cujo inglês é praticamente incompreensível. Se para mim, que não tenho o inglês como primeira língua, esses textos foram de um desconforto extremo (“My life was special” é um dos exemplos que me custou especialmente – ver a segunda vinheta, página 245), nem imagino a reacção dos nativos. As más traduções prejudicaram o que foi contado e relegaram ao esquecimento narrativas imaginativas que mereciam mais. Investir num tradutor “profissional” para a obra completa teria sido uma boa ideia.

Resumindo, “Inkshot” é uma antologia bem conseguida que apresenta catadupas de talento com algumas falhas que podem dificultar a sua recepção pelo público habituado a ler em inglês.

Pode ser que deste lado do Atlântico também seja possível fazer algo semelhante.

Escreve sobre BD desde 2012 no seu blogue: Planeta Satélite, e promete um dia explicar esse nome curioso.

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