500 Paus para Smith Vargas

José Smith Vargas foi o vencedor da segunda edição do Concurso Toma Lá 500 Paus promovido pela Associação Chilli Com Carne.

O júri do concurso, composto por Francisco Sousa Lobo, Joana Pires, Margarida Borges, Rafael Dionísio e Marcos Farrajota seleccionou o a proposta do álbum “Móraria” entre seis trabalhos que foram apresentados a concurso.

José Smith Vargas foi também este ano o vencedor do prémio Geraldes Lino, tendo tido direito a uma exposição individual no âmbito do X Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, tendo Marcos Farrajota escrito um ensaio sobre o autor, para o Splaft! – Caderno da Bedeteca de Beja, onde aflora o entre outros tópico o projecto “Móraria”.

Se José Smith Vargas (1981, Lisboa) concluísse a BD O Fígado da República? Alguém iria ligar-lhe cartão? Ou se acabasse as BDs sobre a Mouraria que denuncia à “gentrificação” deste bairro lisboeta? O António Costa iria ignorar certamente.

A relevância “social e política” da obra de Vargas foi um dos motivos indicado pela Associação Chili Com Carne para a escolha “unânime” de “Móraria como vencedor do concurso Toma lá 500 Paus.

O trabalho foi escolhido não só pelas qualidades dos textos, narração e desenhos mas também pelo tema social e político que lhe está inerente: a lenta destruição de um bairro popular em Lisboa disfarçada de “progresso”, “animação de rua”, “estímulos económicos” e outras tretas que visam apenas tirar os mais pobres de uma zona catita no centro da capital para depois colocar condomínios fechados, hotéis, lojas “gourmet” e casas de Fado para turista ver e algumas esquinas para os betos vomitarem sardinhas com cervejas. A Associação Chili Com Carne tinha de incentivar um projecto destes, de imortalizar esta BD na vã esperança que não se repitam estes erros urbanos.

estropiados

No blogue Bedeteca Anónima existem informações adicionais sobre o álbum, o autor e a sua obra.

O autor nasceu em 1981, em Lisboa, frequentou durante o ano de 2000 um curso de Banda Desenhada na Fundação Calouste Gulbenkian e licenciou-se em 2007 em pintura na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. A partir daí distanciou-se do universo das artes plásticas (leia-se arte contemporânea) para operar em terrenos mais transversais e comunicativos como o cartaz, a ilustração, a BD, o mural e o design. Desde muito cedo que colabora com a Chili Com Carne – desde a seminal antologia Mutate & Survive (2001) até à recente Zona de Desconforto – e nas revistas Buraco e Alambique; e publica uma prancha regular no jornal Mapa. Em 2011 integra a pequena produtora Associação Terapêutica do Ruído onde produz cartazes para concertos e outros materiais gráficos – ainda na área da música, participou em várias bandas como Mal D’Vinhos, Focolitus e Casal de Leste. Desenvolve oficinas na área da banda desenhada.

O álbum “Móraria” de José Smith Vargas reúne ‘seis “ensaios gráficos” sobre a “gentrificação” do bairro lisboeta da Mouraria, alguns em parceria com o escritor Miguel Castro Caldas. Composto por 49 páginas será lançado em 2015 na Colecção LowCCCost’, no mesmo ano será também editado o romance gráfico de 150 páginas “The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros”, da autoria de Francisco Sousa Lobo, obra vencedora da edição de 2013 do Toma Lá 500 Paus.

A Associação Chili Com Carne ainda não anunciou se irá existir uma nova edição do concurso em 2015. Do mesmo modo não é claro se as falhas a nível de legendagem, gramática e ortografia patentes nas primeiras 24 páginas divulgadas serão corrigidas ou a comparação de José Smith Vargas a Eça de Queiroz é só devido ao comentário sócio-político e não se estende à qualidade literária.

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