Incompetência e Falta de Critério nos PNBD

Esta é aquela altura do ano em que uma pessoa se diverte com os disparates e incongruências dos PNBD.

Eu fartei-me de rir a lista de nomeados para os PNBD e não era para comentar as nomeações, mas já que foi tópico de conversa de Facebook, deixo aqui uns apontamentos.

As Gralhas dos Prémios

O comunicado e informação disponibilizado pela organização no Facebook e site tem uma série de gralhas e informações parciais.

  • Pandolfo é apelido da argumentista de O Astrogálo e não o primeiro nome do desenhista.
  • Não existe uma editora chamada Chile Com Carne, é Chili Com Carne com um “l”.
  • O Homem que Passeia, de Jiro Taniguchi foi editado pela Devir e não pela Levoir
  • O apelido da autora de Nimona é Stevenson e não Stevenlon
  • Parker é o nome de uma série, não de um álbum. Aparentemente o álbum nomeado é Parker: O Golpe.

De salientar que nem existe consistência nas gralhas, porque algumas são transversais ao comunicado da organização, página de Facebook e site, enquanto outras estão só presentes em alguns locais ou já foram corrigidas num local mas continuam em outro.

É provável que existam mais algumas gralhas menores, creio já as ter corrigido todas na listagem que foi publicada aqui.

Uma pequena actualização: Este artigo contém algumas gralhas e eu podia melhorar a qualidade literária do mesmo, contudo não lhe vou fazer alterações. As nomeações meteram nojo e deu raiva escrever este artigo, em particular por envolver pessoas que devido à qualidade e talento que possuem dispensavam o desprestigio de serem envolvidas nisto. Para além disso, volto a salientar que o projecto com meio milhão de euros de orçamento é o AmadoraBD e o aCalopsia. Dito isto só me resta salientar que comecei pelas gralhas porque denunciam o amadorismo da organização, para além de revelarem que foram feitas em cima do joelho.

A consistência da incongruência e falta de critério

Para começar a falar das incongruências e faltas de critério do ABD na atribuição do PNBD, vou começar pelos elefantes no meio da sala: Filipe Andrade e Jorge Coelho. Porque não se pode só criticar os PNBD quando nomeiam malta que não se grama ou não se aprecia.

Filipe Andrade e Jorge Coelho estão entre o melhor que se faz em Portugal, e entre os meus favoritos, contudo não devia estar nomeados na categoria de Melhor Desenho para Álbum Português, porque nenhum deles realizou um álbum.

Se a organização mudasse o nome para Melhor Desenho de Autor Nacional, não tinha qualquer objecção à nomeação deles, agora não é isso que é suposto premiar e faz sentido que se premei quem realiza um mínimo de trabalho. Quando se usa a terminologia álbum partimos do principio que o autor desenhou 48 páginas. O Filipe Andrade está nomeado por uma história curta de 16 páginas, o Jorge Coelho por um fanzine de 24 páginas com 20 de BD.

A exigência de um mínimo de trabalho para atribuir um prémio é algo que faz sentido, é que fazer 8 páginas ou 48 não é o mesmo, e é mais difícil fazer e manter a qualidade num trabalho longo que num curto. O Andrade e o Coelho já mostraram que são capazes de manter essa qualidade e realizaram mais trabalhos que aqueles porque foram nomeados. Contudo não é devido a esses trabalhos que é suposto estarem nomeados.

Existe um critério de promoção do trabalho realizado para o mercado português que faz sentido, se entendermos que o objectivo dos prémios é premiar a produção de material nacional: concebido e editado em Portugal. Contudo esse é um critério que não é óbvio e não tem sido visível nos PNBD, o qual parece privilegiar a nacionalidade acima de tudo, num chauvinismo nacionalista bacoco.

O Juan Cavia merecia mais a nomeação para prémio de melhor desenho de álbum português do que o Coelho ou o Andrade, os quais desenvolvem trabalhos essencialmente para o mercado norte-americano, o Cavia tem estado a fazer trabalhos para o Mercado português, nunca foi nomeado porque é argentino.

Os autores portugueses que estão a trabalhar nos Estados Unidos podem ser nomeado para qualquer das principais categorias nos prémios que são atribuídos nesse mercado, porque aí o que conta não é a naturalidade, mas o facto de trabalhares para esse mercado.

Apesar de não haver não haver autores premiados nos EUA, o álbum do Lacas realizado para França, foi premiado em França. Isto é só para dar um exemplo de uma realidade que já existe.

Nomear ou premiar autores estrangeiros que trabalham para o mercado nacional, os quais não se limitam ao Cavia, não é nada ofensivo ou desprestigiante para os autores nacionais. Até porque os autores nacionais também beneficiam da globalização que lhes veio permitir ser remunerados e ter um carreira de autores de BD.

Pelo mesmo motivo também não é de estranhar a ausência nos nomeados dos autores que trabalham para o exterior, a menos que seja em categoria específica.

Os autores nacionais privilegiarem o trabalho para mercados estrangeiros onde podem ser remunerados não é algo que seja reprovável. O festival têm é de aprender a lidar com esta realidade, sendo que existem maneiras de promover os autores, mesmo que não sejam nomeados para prémios que é suposto promoverem trabalhos realizados para o mercado interno.

A Grande Piada da Nomeação do Coelho

Apesar de a categoria se chamar de “Melhor Desenho para Álbum Português” o regulamento indica é “atribuído ao melhor desenhador português editado num livro de BD em Portugal”, motivo pelo que a nomeação do Filipe Andrade até cumpre os regulamentos, as normas não indicam em lado nenhum que é necessário ilustrar todo o livro ou um mínimo de pranchas, basta publicar num livro/álbum. Silêncio, apesar de ser uma antologia cumpre o requisito de ser um livro…

Agora o Thrills and Spills é um fanzine, algo que o próprio Bruno Caetano, editor, reconhece: “Thrills é editado por duas chancelas editoriais e não tem ISBN, logo é um fanzine e está na categoria à parte.” Mas o facto de ser um fanzine não é problema, para mim, apesar de ser suposto premiar o desenho para álbum, para mim o problema é serem só 24 páginas e umas 20 de BD.  Contudo não essa a grande piada da nomeação do Jorge Coelho.

O Thrills and Spills é uma colectânea de histórias curtas que foram anteriormente publicadas em fanzines ou antologias. É trabalho antigo do Coelho que não foi premiado ou nomeado na categoria de melhor história curta porque ela não existe, nem da de melhor desenho porque essa categoria só premeia quem desenha um álbum. A qualidade do trabalho não se alterou, o método de edição (fanzine) também não, contudo agora agora o trabalho já merece reconhecimento. Em 2016, ano em que foi editado o fanzine, essas pranchas não foram sequer consideradas dignas de constar na exposição que o ABD lhe dedicou.

Se o festival pretendia salientar a qualidade do trabalho do Jorge Coelho, podia ter feito quando lhe dedicou uma exposição graças ao PNBD que lhe atribuiu pelo trabalho em Loki, contudo o que fizeram foi reduzir um autor com uma carreira de 20 anos e um currículo diversificado no tipo que desenhou 20 páginas de Loki… foi redutor.

Categorias Supérfulas

Entre as piadas dos nomeados de 2017 está a quantidade absurda de nomeados em Melhor Álbum Estrangeiro e Clássico da 9ª arte. Oito em cada categoria, as quais conseguem ter mais álbuns do que algumas colecções da Levoir. Segundo o Nelson Dona, o objectivo é destacar o que de bom cá se faz, o problema é que com tantos nomeados não existe destaque nenhum. Uma editora ser nomeada não surpreende, o que surpreende é se não for nomeada,afinal se nomeiam oito também podiam nomear dez. É disparate autêntico.

Depois temos a piada de a categoria Clássicos da 9ª Arte ser suposto premiar trabalho que foram originalmente editados à mais de 10 anos, contudo o Garfield 1978-1983 que, como o título indica, teve a última tira publicada originalmente à 34 anos está na categoria de Melhor Tiras Humorísticas.

Os onze volumes da colecção Sandman estão nomeados para os prémios Clássicos da 9ª Arte, o que faz com que existam 19 livros nomeados nessa categoria, sendo que os 11 do Sandman são nomeados por atacado. Eu compreendo que a série é uma das obras mais aclamadas da BD e o Pedro Moura foi tradutor da mesma, mas agora nomeia-se colecções e álbuns individuais? Tipo, porra! Pelos vistos, coerência ou critérios uniformes é mesmo algo que não é suposto existir nos PNBD.

Tendo em conta o volume de edições que existe ninguém ficaria surpreso com a existência de um prémio para melhor série/colecção, onde fossem nomeados colecções como Sandman e Novela Gráfica, por exemplo, e séries regulares como Alias, Saga e outras. Era um prémio para premiar uma colecção publicada na integralmente num curto espaço de tempo ou não, mas que no essencial era o prémio para uma série de álbuns e não para uma série individual. Isto de nomearem álbuns individuais e colecções é que é mesmo piada.

Para além disso é uma categoria completamente irrelevante. Alguém considera que Miller ou Gaiman vão vender ou ter mais prestigio por ganharem um PNBD?

As categorias que causam confusão

Existem duas categorias que as pessoas têm alguma dificuldade em perceber o que premeiam, e existem uma tendência para confundir as duas:

  1. Melhor Álbum Português em Lingua Estrangeira
  2. Melhor Álbum Estrangeiro de Autor Português

Para facilitar eu forneço dois nomes alternativos que são mais claros naquilo que é suposto estas categorias premiarem:

  1. Album Português para Inglês Ver – o autor e a editora são portuguesas, mas é editado em uma língua que não é o português, geralmente em Inglês
  2. Melhor Autor Português Editado no Estrangeiro, premeia um autor português a trabalhar para uma editora estrangeira.

Esta distinção pode não ser visível quando se consulta as normas do regulamento mas torna-se clara quando se consulta os nomeados de 2015. Em 2016 não existiu nomeados em Tuga para Inglês Ver e este ano não existem nomeados para melhor desenhista a trabalhar num mercado estrangeiro, apesar da categoria surgir na normas.

Estas duas categorias causam confusão porque uma não tem razão de existir e a outra tem uma nomenclatura incorrecta.

A categoria de Tuga para Inglês Ver, não faz sentido, é um trabalho de autores portugueses, editado por editores portugueses, comercializado em Portugal. A edição e comercialização do trabalho é idêntico ao dos restantes autores portugueses editados em Portugal por editores portugueses, a única diferença é que uns escrevem em português e os outros em inglês. Não existe motivo para criar uma categoria à parte.

A categoria Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira tem uma nomenclatura incorrecta que não reflecte aquilo que ela premeia, basta ver os nomeados de 2015:

  • Figment, de Filipe Andrade (Marvel/Disney)
  • Loki – Agent of Asgard, de Jorge Coelho (Marvel)

Se não percebem o problema nesta nomeação eu explico: quando se nomeia um álbum nomeia-se toda a equipa criativa e não só um dos elementos. Quer o Loki quer Figment  não são trabalhos realizados única e exclusivamente pelos autores nomeados. Quando o objectivo é só premiar um elemento da equipa criativa muda-se a nomenclatura e o modo como é feita a nomeação, por exemplo:

Melhor Desenhador Português a Trabalhar no Estrangeiro

  • Filipe Andrade, Figment (Marvel)
  • Jorge Coelho, Loki – Agent of Asgard (Marvel)

É uma pequena mudança cosmética e de nomenclatura, mas que não causa dúvidas sobre o que se está a premiar e até permite indicar mais do que um trabalho realizado pelo autor. É que a maioria dos autores portugueses a trabalhar no mercado norte-americano trabalha em mais do que um título por ano.

Em 2016, quando a categoria também existiu, a organização realizou uma alteração no modo como os nomeados foram, apresentados, contudo a nomenclatura era na mesma incorrecta. Aquilo que se premiou em ambos os anos não foi o álbum, mas o trabalho de um dos elementos da equipa que era português.

Para evitar estas críticas, este ano não existem nomeados para a categoria que premeia quem trabalha para o exterior, com nomenclatura correcta ou incorrecta, apesar de existir trabalho com qualidade e quantidade. Este ano só existem dois nomeados para a categoria de Tuga para Inglês Ver: Sousa Lobo e Rudolfo.

Tecnicamente creio que não existia mais trabalhos que pudessem ser nomeados por não serem álbuns. Contudo, como no passado isso não foi um dos critério sendo nomeados publicações de todos os tipos, é de estranhar a ausência de Living Will e Andromeda, só para mencionar dois dos trabalhos realizados e editados por autores portugueses, mas escritos em inglês, que não surgem nos nomeados.

As Categorias Que Deviam Existir

Existem duas categorias que não são premiadas no ABD e deviam ser:

  • Melhor História Curta
  • Melhor Antologia

São duas áreas onde existe sempre produção de qualidade, apesar do número de antologias ser variável, de ano para ano, existem sempre produção de histórias curtas com qualidade e em quantidade suficiente.

A nível de antologias este ano existiam pelo menos quatro que podiam ser nomeadas:

  • Apocryphus
  • The Lisbon Studio Series
  • As Crónicas da Comic Con
  • H-alt

Como é óbvio a H-alt é a mais fraquinha, porque é feita essencialmente por putos e as outras por autores com outro traquejo. Mas é para eles se habituarem à competição e os tipos que andam a trabalhar para o exterior também já foram putos com debilidades, trabalharam foi para as suprimir e, em alguns casos, serem publicados e remunerado por editoras estrangeiras.

Existem publicações que são legalmente são álbuns e outras fanzines, mas isso é irrelevante porque no essencial são exactamente o mesmo: colectâneas de histórias curtas. Não é um ISBN que faz com que um trabalho tenha qualidade.

É provável que exista mais alguma antologia de que eu não me esteja a lembrar. Contudo estas quatro são um bom exemplo da qualidade que existe, sendo que qualquer uma delas é também um bom exemplo da diversidade de estilos que existe a nível dos autores portugueses, a qual é muito mais vasta do aquilo que nos é dada a ver no festival ou nas nomeações dos prémios deste ano.

Convém salientar que para além das histórias publicadas nestas antologias existem histórias publicadas em revistas como a Gerador e Granta que também podiam ser nomeadas para um prémio de melhor história curta.

Existem muitos argumentos idiotas para não premiar histórias curtas ou antologias, o melhor argumento que tenho a favor é que evitava o disparate do ABD sentir necessidade de nomear o Jorge Coelho pelo Thrills and Spills, porque já podia ter nomeado e premiado o trabalho dele quando foi editados pela primeira vez.

Quando o Coelho andava a fazer aquelas curtas para fanzines é que um PNBD lhe dava jeito, não ganhava dinheiro com isso, mas era pelo menos um incentivo para continuar a produzir. Agora não lhe serve de nada, só para massajar um bocado o ego. Não vai afectar a carreira que ele têm, ele consegue arranjar trabalho remunerado em grandes editoras sem ter um PNBD, sendo que só foi nomeado e vencedor dos PNBD depois de conseguir trabalho no exterior.

A nomeação do Filipe Andradade e do Jorge Coelho é uma piada, porque não é o reconhecimento de um trabalho realizado mas o festival a colar-se ao  sucesso que alcançaram devido ao talento e capacidade de trabalho que possuem. Um sucesso para o qual o festival não contribuí nada. Enquanto isso continua a ignorar um quantidade brutal de autores, incluindo outros autores que desenvolvem trabalhos para o exterior.

Nomear o Filipe Andrade para melhor história curta e o Thrills and Spills para melhor fanzine não era nenhuma ofensa, porque foi isso que editaram por cá. O que é realmente ofensivo é a maneira como o festival trata a generalidade dos autores.

A qualidade existente a nível das antologias e histórias curta é possível de inferir das nomeações deste anos, pois para além dos casos já mencionados de Andrade e Coelho, existe ainda uma história curta de Amanda Baeza com argumento de Pedro Moura, originalmente publicada na TLS Mag – antecessora da The Lisbon Studio Series – que está incluída no álbum Bruma, nomeado para as três principais categorias dos PNBD.

A existência de um prémio para antologias também evitava o disparate de se premiar uma antologia com o prémio de melhor álbum, como já aconteceu.

Os Grandes Ausentes

Se o ano de 2016 foi fraco a nível de lançamento por terem existido poucas edições. A Kingpin Books não editou nenhum álbum de autores nacionais, a Polvo só editou dois álbuns e um mini-álbum, a verdade é que o ciclo que o festival premeia não foi tão pobre como a lista de nomeados dá a entender.

Hanuram: A Fúria de Ricardo Venâncio foi editado pela G. Floy e Comic Heart e é um dos grandes ausentes nos nomeados para melhor desenho. Existindo a particularidade de Venâncio ser o único autor na categoria “tuga a trabalhar na estranja” a ter editado um álbum.

A Chilli editou dois álbum que causavam menos urticária se fossem nomeados, em particular na categoria de melhor desenho: Acédia de André Coelho e Espero Chegar em Breve de Nunsky. São trabalho de dois autores cujo trabalho “o comum dos mortais”, ou seja: 99,9% da população, é capaz de reconhecer a qualidade e compreender a nomeação para prémios.

O Louro & Simões editaram Jim del Mónaco: Ladrões do Tempo. Eu quase me esquecia deles, é que já levaram com o rótulo de “comerciais” e são menorizados por isso à tantas décadas que eu nem noto a ausência deles de lista de nomeados. Acho que já entranhei que eles não são nomeados, independentemente da qualidade.

Andromeda: Bugónia do Zé Burnay é ausência na categoria de fanzine ou edição tuga para inglês ver, para além de considerar que também podia ser nomeado para melhor desenho de álbum. Se 16 páginas basta para ser nomeado nessa categoria, as que o Burnay realizou no Bugonia também mereciam essa distinção.

Contudo a grande ausência e, se quiserem, escândalo é a ausência de Diniz Conefrey, o qual editou dois álbuns: Judea e Nagual. No sábado tive uma curta dissidência de opinião com outra pessoa sobre qual dos álbuns era melhor, o júri do festival resolveu a situação de modo muito salomóninico: ignorou ambos os álbuns e o autor.

Eu não faço a mínima ideia se ele enviou álbuns para o processo de candidatura, contudo como é possível de ser nomeado mesmo sem os enviar, isso não é justificação para a ausência dele, porque pelo menos um dos elementos do júri conhecia o seu trabalho.

Sobre Judea, o Pedro Moura escreveu o seguinte:

Mas se haveria alguma concentração narrativa em termos de intriga, Conefrey transforma essa oportunidade numa verdadeira exploração matérica da banda desenhada, para tornar como protagonistas não os homens mas as forças elementais que os rodeiam.

Salientando também que é um trabalho que coloca “Conefrey, como já estava, numa categoria de mestres pictóricos tais quais Breccia, Muñoz, Battaglia”, um elogio que não é excessivo e uma comparação prespicaz por existir uso de técnica similares com os mesmo objectivo gráficos e narrativos, embora esse seja um aspecto que não é aprofundado na crítica que se limita a debitar os nomes sem desenvolver as questões de técnica que as motivam.

Do mesmo modo não exisita desconhecimento do júri relativamente a Nagual.

Não deixa de ter a sua piada colocar um autor ao nível de Mestres como Breccia e Muñoz e depois ignorar o autor na hora de fazer nomeações para prémios, a menos que o nível de um Breccia é seja inferior ao de uma Baeza.

Eu ainda gostava de ver alguém a explicar o motivo porque Baeza ou Sousa Lobo são melhores que Conefrey, já que uns estão nomeados e o outro não. Ó Pedro Moura, queres explicar? Eu creio que a explicação é capaz de ser divertida, embora eu seja da opinião que devias era cortar no chili que anda a fritar-te o cérebro!

Mas aproveitar a prometida crítica ao Nuvem/Deserto do Sousa Lobo, a qual suponho só deverá ser publicada após a divulgação do vencedores do PNBD, quiça publicada com uma justificação do motivo porque é um justo vencedor, tendo finalmente sido aclamado no maior evento de BD nacional, embora incompreendido pelos “comuns dos mortais”.

Eu já nem falo da ausência do Ricardo Venâncio,  a qual é explicada pela treta do “arte Vs comércio”, agora no caso do Conefrey é mais uma questão de “arte Vs Arte”, uma com “a” minúsculo utilizada para justificar as fragilidades técnicas dos autores e a outra com “A” maiúsculo, por ser reflexo daquilo que a palavra é suposto representar.

Putos, vocês ainda não perceberam que toda a conversa da “BD-arte” em Portugal é uma piada porque vocês esquecem-se de gajos como o Conefrey? E isto está cada vez pior. Porque se os prémios não são algo muito consensual, costumava existir um bocadinho mais de decoro e bom senso.

Devo salientar, em jeito de disclaimer, que eu não sou fã do trabalho do Diniz Conefrey, nem amigo do mesmo. A nível pessoal, o seu trabalho é algo que não me diz nada, contudo possui uma qualidade técnica que é fácil de reconhecer. É claro que eu tenho consciência que o virtuosismo técnico é aquilo que menos conta nos prémios nacionais. Técnica é uma característica ausente quase por completo na crítica que é efectuado a nível nacional, sendo em muitos casos menosprezada para se poder valorizar autores que têm lacunas gritantes a nível técnico: figura humana, anatomia, perspectiva, sequência narrativa e outras questões que para alguns são menores. Uma vez que aquilo que é valorizado são as questões metalinguistísticas da metástase mentecapta.

A nomeação mais estúpida

O incrível mundo de Gumball 2 na categoria de melhor álbum estrangeiro. Esta nomeação é daquelas para rir. Gumball é merchandising puro feito para capitalizar no sucesso da série de TV. Este é leitura ligeira para crianças, em particular para fãs da série.  O único motivo para estar nomeado é que alguém deve ter olhado para a lista de nomeados e reparou e que havia poucas nomeações para a Devir, por isso meteram lá o Gumball.

O que torna isto realmente estúpido é que existem séries da Devir como Paper Girls e Criminosos do Sexo que podiam estar nomeadas, ninguém ia estranhar já foram nomeadas e premiadas em locais mais prestigiantes.

Eu ainda gostava de ver a ginástica mental que o júri faz para justificar a nomeação do Gumball! Tendo em conta o nível de gralhas e a lista de nomeados eu creio que este ano as nomeações foram meio feitas em cima do joelho e atirar os nome predilectos e adicionar outros só para compor o ramalhete.

Os Filhos e os Enteados

Este ano, a semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, existiam duas maneiras de os autores e álbuns serem nomeados:

  1. Os autores e/ou editores candidatam-se aos prémios através do envio de exemplares.
  2. O júri nomeia obras mesmo que os editores/autores se tenham candidatado.

Por esse motivo as oito nomeações da Chili não são de surpreender, porque mesmo que o presidente-editor tenha mantido a política que alardeou durante duas décadas de não enviar exemplares, continua a existir a possibilidade de obras serem nomeadas por iniciativa do júri.

O júri poder nomear obras que consider terem qualidade não é algo estranho, do mesmo modo que um júri  só nomear obras que são propostas pelas editoras também é um critério válido. Este sistema hibrído dos PNBD é que é uma pequena hipocrisia, no mínimo, porque é a oficialização de que no festival existem filhos e enteados: uns autores são nomeados e vencedores de qualquer maneira, enquanto outros só são nomeados se aparecerem, isto se tiverem sorte…

A Importância da Irrelevância dos PNBD

Os PNBD não têm grande importância fora do contexto do Amadora BD, contudo dentro do âmbito são fundamentais. São os prémios que servem justificação para as exposições no festival, sendo que o festival se abstém de realizar exposições individuais, em particular de autores nacionais se não existir um prémio.

O facto de existirem exposições dedicadas a obras que vencem os prémios não é problema, serem só essas as exposições individuais dedicadas a autores portugueses (ou estrangeiros) é que é o problema. Existem algumas excepções a esta regra mas são, obviamente, excepções.

É só por isso que os prémios são importantes. Sem prémios não existem exposições. Tendo por base as nomeações é fácil inferir as obras e autores em destaque. Se tomarmos como base as nomeações na categoria de melhor desenho ficamos com uma ideia bem clara de quem são favoritos e do género de obra que vai voltar a estar em destaque em 2018: Sousa Lobo e Amanda Baeza, os grandes candidatos com 4 e 3 nomeações.

O Lugar Maldito de André Oliveira e João Sequeira também tem três nomeações, mas só duas é que contam: a de argumento e álbum. A nomeação de João Sequeira para melhor desenho é mesmo só para a nomeação. Existe uma regra não escrita no ABD em que quem ganha um prémio no ano seguinte tem de se contentar em ser nomeado. Como o Sequeira ganhou o prémio de melhor desenho em 2016 e teve este ano uma exposição, voltar a ganhar seria mesmo um milagre. Isto não tem nada a ver com qualidade artística, tem a ver com política da BD e de como é  gerido o espaço expositivo do festival, através dos PNBD.

O que eu vou dizer a seguir pode parecer absurdo para alguns, mas o Coelho e o Andrade são outsiders na categoria de melhor desenho. Os mesmo motivos que eu indiquei para não os nomear para o prémio são os mesmo que podem ser utilizados para não os premiar. Afinal a Baeza ou Sousa Lobo fizeram um álbum, estão nomeados por um trabalho mais extenso. Para além disso o estilo de arte deles não é mesmo algo que seja privilegiado pelo festival, é algo que costuma ser ignorado e a excepção só confirma a regra.

Basta em em conta que o The Lisbon Studio Series, projecto em que colaboram ambos embora em números diferentes, foi remetido para a Bedeteca ao invés de estar no núcleo principal. Estarem em exposição na Bedeteca não é nada demais, em particular se tivermos em conta que o comissário da exposição e um dos programadores do espaço é Pedro Moura, um dos colaboradores da antologia como argumentista. Sim, ele também é argumentista, agora sejam pessoas decentes e não façam piadas sobre os críticos serem todos autores falhados, porque isso não é bonito.

Convém salientar que o facto de ser colaborador do TLS não significa que o estúdio tenha tratamento especial por parte do Moura, daquilo que é muito conhecimento, as opções de programação que ele tem realizado na Bedeteca tem sido dentro daquilo que se espera, dando destaque a autores como Francisco Sousa Lobo e outros mais obscuros ainda.

Os autores portugueses que estão a desenvolver trabalhos para o mercado norte-americano tem estado ausentes da programação por promovida por ele na Bedeteca, o projecto mais comercial que agraciou esse espaço, tanto quanto eu me lembro, foi uma debate sobre Miracleman e Watchmen entre Pedro Moura, tradutor de uma das séries, e José de Freitas, editor de ambas e responsável pela sua contratação para traduzir uma das séries e outras obras de editoras como a Marvel. Como este último facto pode causar alguma estranheza a algumas pessoas, convém salientar que os critérios de “pureza artística” estão reservados para os autores. O crítico que vira tradutor não é sujeito aos mesmos critérios, em particular porque encontra sempre argumentos para validar de um ponto de vista crítico e artístico os projectos em que se envolve. Pessoalmente eu não tenho nada contra a malta trabalhar para ganhar dinheiro, mesmo que seja em projectos de editoras como a Marvel e DC, tenho é dificuldade em compreender o motivo porque quando são os autores a trabalharem para essas editoras são olhados de lado, como se fossem menores por essa opção.

Ai Caetano!

Os trabalhos publicados na TLS Series podiam estar muito bem no núcleo central, bastava o festival remeter a “exposição do ano editorial” para a Bedeteca, a qual é por definição uma exposição dos anos editoriais anteriores, e ficava o problema resolvido. O comissário de ambas as exposições até é o mesmo, embora numa tenha tinha a colaboração de outro membro do júri.

Contudo não existe existe um real interesse do festival de promover o trabalho dentro do género deles. Sendo que falar de género até é abusivo, em particular se quiserem reduzir os autores do TLS a “desenhistas da Marvel”. Primeiro porque nem todos trabalham para a Marvel, em segundo lugar porque têm estilos distintos. À semelhança do que acontece com a generalidade dos autores portugueses a trabalhar no estrangeiro.

A exposição de autores nacionais a trabalhar para os EUA, que incluí elementos do TLS mas não se limita a eles,é uma boa mostra da diversidade e qualidade que existe nos autores nacionais. Só peca é pelo espaço diminuto que tem.

Antes de continuar convém salientar o seguinte: eu não estou a criticar o comissário da exposição, Bruno Caetano, mas o espaço que lhe foi concedido.

Tendo em consideração o facto de Bruno Caetano tem uma editora e uma loja que comercializa originais de alguns autores, eu fiquei foi surpreendido pela diversidade que ele apresenta. A exposição podia ser só dos autores que ele representa , o que era uma opção compreensível e válida, contudo é uma selecção vasta e representativa de diversos estilos, com uma vintena de autores incluindo alguns que eram completamente desconhecidos. Quer do público, quer de pessoas como eu que até estão atentas ao que se faz por cá e do próprio Bruno Caetano. Quando começou ao organizar a exposição ao invés de se limitar aos autores que conhecia, ele foi à procura de autores que estavam a trabalhar no exterior – para ela ser representativa- e descobriu malta que ninguém sabia que existia, por cá, porque lá fora já andavam a ser publicados.

Existe diversidade e qualidade, a nível do que é editado e dos autores nacionais que existem, o que não parece existir é disponibilidade do festival em destacar esses trabalhos.

Este ano não existem nomeados na categoria de melhor desenhista a trabalhar no exterior, se alguém mencionar isso ao festival o mais natural é a ouvir a resposta de que nomearam o Andrade e o Coelho, e até fizeram uma exposição do último. Ou que fizeram uma exposição de colectiva de autores a trabalhar no estrangeiro, esquecendo-se de que ela só existiu porque alguém fora do festival se lembrou que esses autores existiam.

Entretanto isto é como diz o outro, “Francisco Sousa Lobo sempre a bombar. Pedro Moura sempre a bombar.”

A Farpa Final

Todos os anos existe um autor português que faz parte do júri em virtude de ser o autor do cartaz e o autor em destaque. Sempre que esse autor tem um álbum nomeado para os prémios desse ano existem pessoas que colocam em causa a isenção dos prémios, ou que relembram que ele não vota na categorias em que está nomeado. Este ano ninguém reparou que existe um membro do júri que tem projectos em que esteve envolvido (em diversas funções) nomeados para quase todas as categorias?

Eu sei que Portugal é pequenino, a malta conhece-se toda, por isso é difícil evitar ter amigos “que muito se estima” entre os nomeados, do mesmo modo que quem anda sempre a bombar e vai a todas vai inevitavelmente vai ver projectos em que colaborou serem nomeado. Contudo acha piada que os conflitos de interesse só estão previsto e são mencionados quando involvem pessoas que são exclusivamente autores de banda desenhada.

Agora injusto injusto, é mesmo a Amanda Baeza não partilhar a nomeação de melhor argumento com o outro argumentista, eu sei que foi só uma das histórias que compõem o álbum, mas o moço também merecia ser mencionado, mas como à Baeza só deve tocar um prémio de melhor desenho, se calhar não faz mal.

Os prémios da Amadora são uma confusão total. – Marcos Farrajota

Realmente começa a ser difícil não dar razão ao Marcos neste tópico, é que a falta de critério é cada vez mais gritante e o descaramento também. Da maneira como estão a ser organizados os PNBD são uma piada onde é nomeado o que apetece ao júri, sem existir sequer a ilusão de que existem critérios objectivos.

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7 Comments

  • O Bruno e o Marcos ainda vão ser BFFs um dia.

    O Caetano encontrou essa malta toda para expor porque soube usar as redes sociais (coisa que o ABD não sabe).

    Há um mês chegou ao FB e perguntou: “People, quem é que editou BD para “IngLês ver” nestes últimos dois anos?”

    Até lhe cheguei a perguntar se os que trabalharam antes dessa data não podiam ser considerados porque “já estavam fora de validade”? Ele respondeu que tinha de ser assim porque era o que lhe tinham pedido, sem especificar os destinatários.

    Ele fez um bom trabalho, mas se eu soubesse que era para gente que tem o seu ordenadinho pago pelos contribuintes não mexer uma palha tinha ficado caladinho nas minhas várias sugestões.

    Aposto até que se existe essa exposição e se o espaço parece “apertado” deve ter sido um daqueles desafios de última hora do ABD porque descobriram HÁ um mês atrás que havia 5 m2 livres.

    Enfim, siga a festa, se não os podes vencer junta-te a eles. Ou então pegue na sua crónica e tente por entre portas e travessas fazê-la chegar ao Presidente da Câmara da Amadora ou à oposição (o que diria a oposição se soubesse que anda a ser “dado” dinheiro em prémios sem critério a amigos e compadres?).

    PS: O livro do TLS devia estar na secção de colectâneas. Ponto. É uma maneira de tentar calar quem como eu diz que as editoras nacionais não publicam o que de bom cá temos e a mim não me encheu as medidas porque aquilo só não é um fanzine porque o embrulharam com capa dura. Publique-se álbuns individuais aos autores nacionais. Se lhes serviu o do Venâncio muitos mais há-de haver.

    PS2: O verbo HAVER, favor de fazer uma revisão.

    • Tenho vagas para revisores que queiram trabalhar num regime quase diário, no mínimo dois ou três textos por semana, de BORLA.

      O aCalopsia é um projecto amador, no sentido em que não é remunerado. Existem dias em existe tempo ou disponibilidade para rever textos, existem situações em que os textos são revisto, depende de vários factores. Se não querem andar a fazer revisões de borla, calem-se e comam. Porque eu até fazer mais o que devia, se eu ficasse caladinho ou pelas conversas de Facebook, tinha menos chatices e trabalho.

      A aposta em autores nacionais também depende dos autores nacionais, as editoras não podem editar se os autores não produzirem, mas os autores para produzirem precisam de ser remunerados, como a BD paga pouco ou nada, é uma espécie de pescadinha de rabo na boca.

      O Hanuram só existe porque o Venâncio andou a trabalhar nesse projecto de borla, enquanto fazia outros trabalho de BD ou ilustração para pagar as contas.

  • Boa tarde,

    Depois de ver a ânsia com que estavas para criticar o festival, e ao ver os títulos das crónicas (ok, e depois de ler a crónica sobre a inauguração), temi o pior: lá vem uma série de críticas que facilmente são interpretadas como “criticar por criticar”. Também não ajudaste quando, num texto cheio de gralhas, vieste criticar as gralhas dos textos do festival.

    Mas afinal, lendo esta longa crónica e a outra (“O Eisner ficou preso na Alfândega”), há uma série de questões pertinentes que, espero, sejam ponderadas por quem tem responsabilidades ligadas ao Amadora BD.

    Pessoalmente, depois de ter estado muito ligado ao Amadora BD no período entre 1999 e 2008, não fico nada contente com este continuado afastamento do festival relativamente à sua própria identidade, optando por caminhar progressivamente na direção da identidade do Salão Lisboa que, para quem não se lembra, foi uma má ideia.

    Para quem – como eu – esperava que a Amadora apostasse na banda desenhada como fator de identidade e diferenciação (para o que até tinha potencial), esta crise de identidade do festival, que se arrasta (a crise e o festival) desde 2009 não ajuda nada.

    Vão-se salvando algumas exposições e alguns convidados, claro. Este ano, por exemplo, uma exposição como a mostra que celebra o centenário de Jack Kirby justifica plenamente uma visita ao Amadora BD.

    Mas, começa a ser demasiado aquilo que se perde de edição para edição.

    • A diferença entre as minhas gralhas e as do AmadoraBD é que o aCalopsia não é uma publicação com meio milhão de euros de orçamento. Pior algumas são naquilo que é suposto ser um dos eventos centrais do festival. Trocar nomes de editoras, esquecerem-se do nome de álbuns é daqueles erros meio gritantes.

      A minha desculpa para as minhas gralhas é que isto não é uma publicação profissional, não sou remunerado para isso nem posso remunerar revisores. Qual é a desculpa para a gralhas e outros erros de palmatória do AmadoraBD? Também é falta de orçamento? Meio milhão não chega…

      E este texto meteu-me raiva e nojo escrever. Aprecio o trabalho do Filipe Andrade e do Jorge Coelho, sendo que o Coelho em particular conheço à mais de 20 anos, NUNCA imaginei vir a dizer que ele não merecia ser nomeado para um prémio de melhor desenho. O disparate chegou a um ponto que até nomes, como os deles, que seriam em outras circunstâncias são polémicos. Porque existe uma falta de critério gritante e o júri dos PNBD faz o que lhes dá na real gana e nós devemos fingir que é tudo normal…

    • Também foi só o verbo haver (ainda que muitas vezes repetido), por isso é que referi em PS2 (fosse você com ç de cedilha já te tinha de dizer que “tavas a cagar na boca do Camões).

      Concordo plenamente, PUBLICADORES PAGUEM AOS AUTORES E PAREM DE NOS ENGANAR COM COLECTANEAS INSONSAS. Quando vejo a quantidade de restolho americano que se publica actualmente (ou espanholadas que jamais chegarão aos calcanhares de um Coelho, de um Osvaldo etc) pergunto-me sempre quantos autores nacionais não podiam ser editados com cada reedição de “As Aventuras da Ratazana Alada”.

      Adoro ainda mais quando me dizem “nós que somos grandes, mas não nos dá jeito pagar e estar em cima dos autores porque somos publicadores e não editores” e depois vês pequenas editoras como a Polvo e a Kingpin a conseguirem fazê-lo.

      O problema é todos os anos ires espreitar o ABD (é tipo acidente rodoviário, eu sei, abrandamos sempre para ver o “molho”. Eu há 10 anos decidi assim “só lá vou de 5 em 5 anos”. Perfeito, não me deprimo todos os anos, parece-me sempre competentezinho e consigo sempre rever o Geraldes Lino.

      Acho bem que lhes dês na cabeça sempre que possas, mas isto um dia acaba de vez e depois até vamos ter saudades das gralhas do ABD.

      • Eu não vou ter saudades! Tenho de passar três semanas a escrever sobre o festival, por ao contrário de ti não dá para fingir que não vejo o que se passa. Sobretudo porque todos os anos é sempre o mesmo! Existem certas coisas que não publico porque tenho consciência daquilo que são desabafos e declarações para serem divulgadas. O festival comete a proeza de ter a generalidade dos autores e editores que colaboram no festival a apresentar críticas unânimes e que são sempre ignoradas. A malta que não se queixa é porque já se habituou à incompetência.

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