Aprende a lutar com o Rômulo de Oliveira

Por esta altura, já fizeram boa parte da odisseia a que o Cemitério dos Sonhos vos desafia a passar. Mas quando pensam que podem descansar um pouco, o traço cheio de ação do Rômulo de Oliveira aceleram o vosso coração e o ritmo da história.

Por esta altura, já fizeram boa parte da odisseia a que o Cemitério dos Sonhos vos desafia a passar. Mas quando pensam que podem descansar um pouco, o traço cheio de ação do Rômulo de Oliveira aceleram o vosso coração e o ritmo da história.

Um dos aspetos que sempre me fez confusão na BD portuguesa é a falta de ação física. A questão das cenas de ação, seja em cinema ou séries de TV de produção nacional, pouco ou nada têm de emocionante. Como tenho dito aqui, generalizações são perigosas, mas acho que faz parte do senso comum que a nossa cultura, a portuguesa, está mais virada para a contemplação do que para cenas de perseguições de carros. Poderá ter a ver com as raízes da nossa famosa saudade, do sofrimento (sempre do coração, desgraças) e por sermos um país de bons costumes, onde a violência (felizmente) não impera.

Certo é que o caminho que a BD portuguesa tem pautado ao longo de gerações, raros são os casos de histórias à Marvel ou DC Comics, em que a ação domina muitas vezes o próprio argumento. Assim como o cinema, a BD portuguesa, na sua maioria e mesmo desta nova geração, contempla mais questões pessoais e filosóficas do que criar um super-herói ou fazer uma história puramente suada de ação. Há exemplos, claro, como o “O Dog Mendonça e Pizzaboy” ou “Os Vampiros”, ambos com uma boa componente de ação ou até mesmo “A Vida Oculta de Fernando Pessoa”, mas acho seguro afirmar que no computo geral, este ângulo não é muito abordado. Chegamos ao Cemitério dos Sonhos.

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Sabia que não queria concentrar-me demasiado em contemplações e baseei-me em exemplos como os filmes do Christopher Nolan, em que podemos ser filosóficos enquanto perseguimos alguém, para escrever a parte que o Rômulo de Oliveira. Por esta altura, Dre Amos está no Inconsciente e, para enfrentar os seus traumas não bastava força de vontade…era preciso combater, fisicamente, todos estes fantasmas. E foi baseado nesta necessidade que fui buscar o Rômulo de Oliveira que, como podem ver nas imagens abaixo, tem o traço certo para isto.

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A questão de ação não foi forçada nem metida a martelo, a intenção foi dar uma injeção de adrenalina que espelhasse o estado de saturação do protagonista. É também, uma reviravolta de uma personagem que, a início, é-nos apresentado num estado letárgico. O resultado final pode ser lido e visto neste capítulo que, já agora, é o mais longo e que espero que passe a emoção que foi escrevê-lo.

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